
| Estudos Econômicos Comércio dribla crise e cresce 5,8% em 2001 08/12/2001
Um estudo da Serasa, uma das maiores empresas do mundo em informações e
análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios,
revelou uma elevação de 5,8% nas vendas anualizadas do comércio em 2001, em
comparação com o ano passado. O estudo examinou os balanços de mil empresas do
setor comercial- pequenas, médias e grandes – desde 1990 até setembro de
2001.
"O ano foi bom, embora o otimismo do inicio do ano tenha sido interrompido
pela crise econômica argentina, pelo racionamento de energia elétrica e pela
desaceleração da economia internacional, agravada pelos ataques terroristas de
setembro", afirma Elcio Anibal de Lucca, presidente da Serasa.
Segundo os técnicos da Serasa, fatores como o aumento nas exportações, no
segmento Exportação de Produtos Agrícolas, que apresentou um crescimento 18,1%
em 2001 e a expansão de 16% nos Combustíveis, motivado pelo aumento na frota de
veículos e pelo reajuste nos preços, de 8,6% nas refinarias, contribuíram para
alavancar o faturamento do Comércio.
De acordo com o estudo, o segmento de Eletroeletrônicos, por outro lado,
revelou queda no faturamento de 10,6% em 2001, motivado pelo racionamento de
energia elétrica, que deixou os consumidores arredios na aquisição de produtos
do segmento. Além deste, o segmento de Alimentos, atacado e varejo, apresentou
queda de 5,8% em 2001. O motivo foi o temor do consumidor final com os
desdobramentos da crise argentina e do racionamento de energia elétrica, que
poderiam levar a um aumento do desemprego e queda no poder aquisitivo, que
mesmo não se materializando, levaram a decisão de reduzir o consumo.
A rentabilidade do Comércio, entretanto, não teve o mesmo comportamento
mostrado pelo faturamento. Pelo contrário, apresentou retração nos resultados
finais, passando de 1,9% das vendas em 2000 para 0,7% das vendas em 2001.
Segundo a pesquisa da Serasa, os segmentos que mais influíram nesse desempenho
foram os Eletroeletrônicos e Veículos e Peças, com rentabilidade de –3,0% e
–0,1% das vendas de 2001, respectivamente. A elevação do câmbio, prejudicou os
Eletroeletrônicos pois encareceu os custos e os produtos importados. Os
estoques elevados e o aumento da concorrência levou as empresas do segmento
Veículos e Peças a realizar promoções e vendas conjuntas, o que aumentou o
giro, em detrimento da rentabilidade.
Os segmentos que influenciaram positivamente na rentabilidade do Comércio foram
Exportação de Produtos Agrícolas e Combustíveis. O primeiro teve lucros de 4,3%
das vendas em 2001, pois a relação preço-custo foi beneficiada por vendas com
dólar alto e custos em reais. A rentabilidade dos Combustíveis, de 1,1% das
vendas em 2001, apesar de menor que a apresentada no segmento anterior, é
normal para o segmento.
De acordo com os técnicos da Serasa, o endividamento bancário foi pressionado
para cima, passando de 30,5% do Patrimônio Líquido em 2000 para 42% em 2001,
motivado, basicamente, pela queda da rentabilidade e elevação do câmbio.
Os segmentos que contribuíram para elevação do patamar foram Exportação de
Produtos Agrícolas, que passou de 93,1% em 2000 para 115,6% em 2001 e
Alimentos, que passou de 38,2% em 2000 para 50,1% em 2001. O primeiro, pelo
maior nível de atividade, aumentou a contratação de Adiantamento de Contrato de
Câmbio (ACC). O segmento de Alimentos, que havia se endividado no ano passado,
por conta das aquisições no setor de Supermercados, teve seu endividamento
elevado em função do aumento do dólar.
Os segmentos menos endividados foram Combustíveis e Veículos e Peças. Nos
Combustíveis pouco se alterou, passando de 9,9% em 2000 para 9,5% em 2001, cujo
endividamento baixo é função da capitalização das empresas do segmento. Nos
Veículos e Peças, apesar da expansão de 23,2% em 2000 para 30,3% em 2001, o
aumento foi causado pelo maior nível de atividade, embora permaneça em
patamares menores que o consolidado de todo o Comércio.
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