CDC não exige comunicação com aviso de recebimento, reitera STJ

 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), mais uma vez, confirmou o entendimento segundo o qual o envio da comunicação prevista no parágrafo segundo do art. 43 do CDC prescinde de aviso de recebimento, bastando que seja comprovada a sua postagem para o endereço informado pelo devedor ao credor e por este encaminhado ao banco de dados.

Trata-se de recente decisão monocrática, prolatada pelo eminente Ministro João Otávio de Noronha, o qual destacou que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é "no sentido de que a responsabilidade pela comunicação ao devedor de que trata o art. 43, § 2º, do CDC, objetivando a inscrição no cadastro de inadimplentes, consuma-se com a notificação enviada via postal simples, não havendo exigência de que essa comunicação se dê com aviso de recebimento".

Portanto, revela-se redundante e desnecessária a prova do recebimento do comunicado pelo cadastrando, desde que comprovada a sua postagem ao endereço informado pelo cadastrando ao credor, no momento da celebração do contrato entre ambos.

Confira-se a transcrição parcial do acórdão proferido nos autos do Recurso Especial n.º 946.708 - RS (2007/0095533-0), publicado no D.J. de 25.11.2008:


Transcrição parcial do acórdão


"RELATOR : MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
RECORRENTE : SERASA S/A
ADVOGADO : JEFFERSON SANTOS MENINI E OUTRO(S)
RECORRIDO : PAULO RENAN WALTER CALCAGNO
ADVOGADO : JÚ- LIO CESAR MIGNONE

EMENTA

DIREITO DO CONSUMIDOR. NOTIFICAÇÃO VIA POSTAL. CUMPRIMENTO DO DISPOSTO NO ART. 43, § 2º, CDC.

1. A responsabilidade pela comunicação ao devedor de que trata o art. 43, § 2º, do CDC, objetivando a inscrição no cadastro de inadimplentes, consuma-se com a notificação enviada via postal.
2. Não há exigência legal de que a comunicação de que trata o art. 43, § 2º, do CDC deva ser feita com aviso de recebimento.
3. Recurso especial provido.

DECISÃO

Trata-se de recurso especial interposto por SERASA S/A com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão assim ementado:

'RESPONSABILIDADE CIVIL. CADASTRO DE CONSUMIDOR SEM PRÉVIA COMUNICAÇÃO. REGISTRO IRREGULAR. DEVER DE INDENIZAR. CANCELAMENTO DO REGISTRO. Impossibilidade.

1. A violação do art. 43, § 2º, do Código de Proteção e Defesa do Consumidor caracteriza abuso de direito, porquanto elimina a oportunidade dada pela lei ao consumidor de efetuar o pagamento do débito antes que seja efetuado o registro negativo em seu nome.

2. De regra, a criação de diversos registros, no mesmo banco de dados e sem a notificação prévia do consumidor, consiste em ato ilícito que traz dano ao consumidor, gerando o dever de indenizar, independentemente do número de credores registrados e das diferentes datas em que foram criados os cadastros.

3. Falta da comunicação prévia a que alude o art. 42, § 3º, do CDC, que não conduz, por si só, ao cancelamento do registro. Por maioria, deram parcial provimento ao recurso, vencido o Desembargador. Scarparo (fl. 91).' (...) É o relatório. Decido.

O Tribunal de origem, ao julgar demanda, concluiu que apenas a prova do envio da comunicação prévia não seria suficiente para o cumprimento do disposto no Código de Defesa do Consumidor, sendo necessária também a prova do efetivo recebimento da notificação.

Dessa forma, o entendimento da Corte a quo destoa da jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a responsabilidade pela comunicação ao devedor de que trata o art. 43, § 2º, do CDC, objetivando a inscrição no cadastro de inadimplentes, consuma-se com a notificação enviada via postal simples, não havendo exigência de que essa comunicação se dê com aviso de recebimento.

Nesse sentido, confiram- se os seguintes precedentes:

'AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 43, § 2º, CDC. NOTIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. SUFICIÊNCIA.

1. É suficiente para cumprir o disposto no art. 43, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor que o órgão de proteção ao crédito comprove que enviou a notificação sobre a inclusão do nome do consumidor em cadastro restritivo de crédito.
2. A revisão do acórdão recorrido, que desacolhe o pedido de concessão dos benefícios da justiça gratuita, demanda reexame do conjunto fático-probatório delineado nos autos, providência inviável em sede especial, nos termos da súmula 07/STJ.
3. Agravo regimental desprovido" (Quarta Turma Turma, AgRg no Ag n. 1.019.370/RJ, relator Ministro Fernando Gonçalves, DJ de 23.6.2008). "PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO - RECURSO ESPECIAL OBSTADO EM 2º GRAU - CÓ- DIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, ART. 43, § 2º - CARACTERIZAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO POR ESCRITO DO CONSUMIDOR, NO ENDEREÇO FORNECIDO PELO CREDOR - INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO LEGAL DO ÓRGÃO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO EM NOTIFICAR POR MEIO DE AVISO DE RECEBIMENTO - PRECEDENTES - RECURSO IMPROVIDO" (Terceira Turma, AgRg no Ag n. 963.026/RJ, relator Ministro Massami Uyeda, Diário da Justiça de 6.6.2008).'
(...)
Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial. Prejudicada, portanto, a análise da redução da indenização por danos morais.

Publique-se.

Brasília, 13 de novembro de 2008.

" MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA

Relator"