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Mercado Futuro: uma das formas de negociar na Bolsa de Valores

Uma das maneiras de se investir em renda variável é por meio do mercado futuro. Você conhece esse termo? Sabe o que significa?

colunista Fabiana Ramos
Publicado em: 18 de janeiro de 2022.

Você pode escolher como quer participar dos investimentos na renda variável: pode ser tanto no mercado à vista quanto no mercado futuro.

E qual é a diferença entre eles? Quando falamos em mercado à vista, estamos nos referindo aos investimentos em ações, ETFs, fundos de ações e fundos imobiliários, por exemplo. Mas quando o investimento se refere a mercado futuro, nos baseamos na negociação de derivativos.

Não está entendendo nada? Calma: leia este artigo com atenção que vamos te explicar o que você precisa saber para entender como tudo isso funciona.

O que é mercado futuro?

Mercado futuro é um ambiente onde os participantes negociam contratos de compra e venda de ativos financeiros ou de mercadorias que só serão realizadas no futuro. E esses ativos podem ser dólar, índices (como o Índice Bovespa, o Índice S&P 500) ou mercadorias, como o milho, a soja, o café, o boi gordo, entre outros.

Por derivarem desses ativos, os contratos futuros são chamados de derivativos. Ou seja, contrato futuro é o nome dado ao derivativo negociado no mercado futuro.

Quando se negocia um contrato futuro, na verdade, o que está sendo negociado é o direito sobre as oscilações do valor do ativo ou da mercadoria. É a procura e a oferta que faz o ativo oscilar. Se você comprar na baixa e ele se valorizar, você realiza o lucro. Mas, se ele se desvalorizar, você vai amargar o prejuízo.

Os contratos futuros “cheios” costumam ser negociados por valores muito altos. Mas qualquer pessoa pode investir no mercado futuro. Para isso, o investidor pode operar por minicontratos (que exigem bem menos dinheiro), como, por exemplo, o mini índice e o mini dólar.

Como funciona?

Todos os ativos subjacentes (ativos financeiros ou mercadoria) são padronizados. Vamos ver como funciona um contrato futuro de café, por exemplo.

Ele estabelece um acordo de compra e venda de 100 sacas de 60kg de café arábica. O preço de cada contrato é fechado no momento da negociação, mas o pagamento vai ocorrer apenas na sua data de vencimento.

Sendo assim, todos os investidores que vão negociar um contrato futuro de café sabem que existe um padrão a ser obedecido: um contrato equivale ao valor de 100 sacas de 60kg de café

a ser pago na data de vencimento. E os padrões são seguidos para todos os outros tipos de ativos.

Por exemplo, contrato de dólar. O dólar futuro é um contrato de compra ou venda da moeda americana baseado na taxa de câmbio da data atual e com vencimento para uma data futura. O investidor se compromete em comprar ou vender uma determinada quantia da moeda em uma data futura e conforme um preço acordado no valor presente.

Vamos supor que hoje o dólar esteja sendo vendido a R$ 5. Pelas suas análises, você especula que, daqui a alguns meses, o dólar vai subir. Então você decide comprar alguns contratos futuros de dólar ao preço de hoje (R$ 5), mas com vencimento para maio de 2022.

Você decidiu então comprar U$ 30 mil dólares, com vencimento para maio de 2022. Se nesta data de vencimento o dólar estiver valendo R$ 6, você o comprará a R$ 5 podendo revender imediatamente a R$ 6, ganhando R$ 1 por dólar comprado, tendo um lucro de R$ 30 mil. Isto significa operar comprado.

Mas não é somente na alta que se pode ganhar dinheiro. Você também pode adotar uma estratégia para ganhar com a baixa do ativo e obter lucro. No contrato futuro de dólar, o investidor pode vender esses contratos futuros apostando na desvalorização da moeda.

Em nosso exemplo de câmbio atual a R$ 5, o investidor vende U$ 30 mil com vencimento para maio de 2022. Chegando nesta data, se o dólar tiver caído para R$ 3, o comprador terá de pagar a quem vendeu os contratos futuros a cotação no valor de R$ 5, fazendo com que o vendedor tenha tido um lucro de R$ 2 a cada dólar vendido, somando o lucro total de R$ 60 mil. Isto se chama operar vendido.

Quais são os principais derivativos disponíveis?

Agora que você já entendeu como funciona o mercado futuro, resta saber quais são os principais derivativos que são negociados nele.

Contratos de índice

São contratos que derivam dos índices, ou seja, dos indicadores utilizados para apontar o desempenho do mercado de ações. Podemos citar como exemplo o Índice Bovespa, que é o índice da Bolsa de Valores de São Paulo que mede a lucratividade de uma carteira hipotética das ações mais negociadas nela.

Existe também o Índice S&P 500, que é o índice do mercado de ações que reúne as 500 maiores empresas do mundo listadas nas principais Bolsa de Valores dos Estados Unidos.

Quando um investidor negocia um contrato de índice, ele tem a oportunidade de lucrar com a perspectiva de valorização ou desvalorização da Bolsa de Valores.

Contratos de dólar

Derivado da moeda americana, o contrato futuro de dólar aposta na valorização ou desvalorização da moeda, permitindo ao investidor lucrar com essas operações.

Commodities

Os contratos futuros também podem derivar de commodities, como o café, o milho, o boi gordo, a soja e outros.

Conclusão

O mercado futuro é para você? Apesar de ser uma ótima opção para a diversificação do seu portfólio, uma coisa é certa: esse é um tipo de investimento bastante arriscado e que não serve para qualquer pessoa.

A alavancagem é bastante comum em um ambiente especulativo, onde se pode obter uma grande lucratividade com pouco dinheiro. Mas, como nem tudo são flores, da mesma forma que o investidor pode ter um lucro muito grande, pode também sofrer um prejuízo maior ainda.

Mas é fato que nem só de alavancagem vive o mercado futuro. Ele também é bastante utilizado para a proteção do capital (hedge), quando existe a possibilidade de manter o preço de um ativo para uma data futura.

O fato é que para atuar no mercado futuro, é preciso ter bastante conhecimento. Investidores iniciantes devem se manter longe, já que este é um ambiente recomendado para pessoas experientes e com perfil mais arrojado.

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