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Golpe no Mercado Livre: conheça os tipos mais comuns

O Mercado Livre dobrou de tamanho em 2020. Com o crescimento, aumentaram também os ataques criminosos. Entenda os golpes no Mercado Livre.

Colunista marlise brenol
Publicado em: 08 de fevereiro de 2022.

O Mercado Livre foi eleito o melhor marketplace do Brasil nas categorias voto popular e do júri da academia na premiação iBest em 2021. Estiveram na competição também Amazon, Americanas, Magalu e OLX. A empresa cresceu durante a pandemia quando muitos empreendedores criaram lojas online. Com a demanda maior, os golpes no Mercado Livre também aumentaram.

Um estudo encomendado pela empresa para o EuroMonitor Internacional apontou que só no Brasil 93 mil novas pequenas e médias empresas passaram a integrar o marketplace em 2020, somando ao todo 270 mil. Destas, a cada dez, sete são negócios familiares. A empresa argentina tem forte atuação em 19 países da América Latina, o que permite aos novos negócios ampliar seu mercado.

O estudo indica que somando todos os países integrantes do ecossistema, o Mercado Livre gerou 6 novos empregos por hora em 2020. A ampliação gerou oportunidade de geração de renda para 900 mil famílias. Como consequência, as vendas pela plataforma corresponderam a 4,9% do varejo no Brasil naquele ano.

A pesquisa, desenvolvida no primeiro semestre de 2021 e disponível no site institucional, apontou também que 40% das pequenas e médias empresas receberam oferta de crédito para capital de giro. Até dezembro de 2020, o Mercado Livre fechou 1,7 milhão de contratos de crédito a 550 mil vendedores a um valor médio de US$ 325. Outro dado importante é o aumento da adoção do cartão de crédito como meio de pagamento, com cobranças realizadas por meio das soluções do Mercado Pago.

Conheça os três principais tipos de golpes no Mercado Livre

No Brasil, o número de produtos vendidos por dia foi de mais de 880 mil em 2020, o que corresponde a um crescimento de 54,8% em relação a 2019. Porém, entre todos estes negócios também estão negociações fraudulentas. Apesar de políticas de segurança e de privacidade adequadas, o Mercado Livre tem sido alvo de cibercriminosos. Os tipos mais comuns identificados por clientes e pela empresa são: e-mails falsos, falsa compra e falso envio.

1) E-mail falso ou phishing

Uma das ameaças mais frequentes aos consumidores na internet são os e-mails fraudulentos enviados pela tática de phishing. O nome está relacionado a uma “pescaria” de vítimas, ou seja, quando criminosos enviam e-mails como se fossem a empresa, utilizando logomarca, layout e até contatos originais para simular legitimidade.

As mensagens normalmente são alertas sobre atualização de cadastro, contas pendentes ou outro risco relacionado ao seu perfil. O texto induz o usuário a clicar em um link e preencher dados pessoais para confirmar identidade e alterar a senha. A página para onde o usuário é levado é falsa e as informações são roubadas para a prática de outros crimes.

A regra é desconfiar sempre quando receber um e-mail aleatório sem solicitação. Caso receba um e-mail com pedido de ação urgente, mantenha a calma e entre em contato com a empresa. Enquanto isso, verifique o domínio e o e-mail do remetente. Normalmente, há troca de letras ou e-mails não oficiais, por exemplo, Gmail, Hotmail e outros. O Mercado Livre mantém no site dicas de como proceder quando desconfiar de um e-mail falso.

Leia também | O que é phishing e como se proteger de golpes virtuais

2) Golpe da falsa compra

No golpe da falsa compra, o produto é anunciado por um vendedor certificado pelo marketplace em um perfil oficial. Após a publicação do anúncio, um falso cliente se mostra interessado e inicia uma conversa com o vendedor. No diálogo, o falso comprador diz que tem pressa na aquisição e se despede dizendo que fará a compra pela ferramenta.

Logo após a conversa, o anunciante recebe um e-mail de confirmação da transação ou compra efetuada. O e-mail possui a identidade visual, o layout, a linguagem e os textos idênticos aos do Mercado Livre. No texto que confirma o pagamento, há ainda os dados pessoais do comprador e endereço para o envio do produto.

O e-mail tem todas as características originais, inclusive a “etiqueta de envio” com as instruções e procedimentos padrão para vendedores do Mercado Livre encaminharem os produtos vendidos ao comprador. A conversa volta para o chat onde inicia uma negociação de envio por Sedex dos Correios para entregas urgentes.

O negócio parece ter fluído como esperado, porém este é a configuração do golpe da falsa compra no Mercado Livre. Ou seja, o vendedor envia o produto para o endereço indicado por Sedex sem receber a confirmação do pagamento recebido na conta do Mercado Pago. O prejuízo fica dobrado, pois o vendedor perde o produto e o valor da taxa de envio dos Correios.

O Mercado Livre recomenda que nenhum negócio seja fechado fora da plataforma. A logística da empresa tem abrangência em toda a área de atuação e dá conta das entregas nos prazos estipulados. Além disso, o Mercado Livre orienta antes de entregar ou enviar o produto, sempre confirmar se o seu pagamento recebido já está aprovado na sua conta do MercadoPago.

3) Golpe do falso envio

Outra tática criminosa identificada na plataforma de marketplace é o falso envio do produto por meios não oficiais. Nestes casos, os vendedores propõem o pagamento e a logística por meios não vinculados ao processo direto da plataforma Mercado Livre. A consequência é que, apesar do negócio iniciar no marketplace, a vítima fica sem o apoio da plataforma.

O cibercriminoso cria o perfil de venda de um ou mais produtos com valores altos como celulares, computadores ou consoles de games. A oferta é tentadora pelo preço oferecido bem abaixo do mercado. O golpista esclarece que mantém o preço baixo porque faz remessas especiais e representa clientes do varejo, o que facilita a negociação.

Na conversa, o criminoso negocia que o pagamento seja feito por uma remessa para uma conta no Mercado Pago. Sem domínio da plataforma, a vítima entende que a realização da operação dentro do ecossistema garante a segurança da compra, mas isso não é verdade. Após a transferência, o vendedor cancela a compra e deleta o perfil.

Embora o cancelamento por parte do vendedor signifique o reembolso garantido pelas políticas do Mercado Livre, a plataforma não irá associar a transferência via Mercado Pago ao produto vendido ou cancelado. A vítima percebe que foi enganada e não consegue reaver o dinheiro.

Dicas para aumentar a sua segurança em compras online

As políticas de segurança e privacidade do Mercado Livre são atualizadas com frequência e, como aponta um texto editorial da empresa, os “especialistas estão focados na otimização dos sistemas para prevenir e detectar operações fraudulentas”. Conheça e adote as medidas preventivas antes de realizar sua próxima compra.

1) Não opere fora da plataforma de marketplace

Os golpistas utilizam táticas de engenharia social, mensagens persuasivas, para induzir os clientes a negociarem fora da plataforma, seja para pagar mais barato, seja para acelerar o processo de compra e envio do produto. A empresa ressalta que dialogar com o vendedor por meio como WhatsApp, e-mail ou Facebook deixa o comprador vulnerável à fraude.

2) Chat é para dúvidas, não para cadastro pessoal

Quando o comprador se interessa por um produto, a plataforma possibilita o acesso ao chat de diálogo entre as duas partes. Fique atento, pois o espaço não é para adiantar dados pessoais ou de pagamento. O objetivo é unicamente conversar sobre o produto. Nunca compartilhe informações como número do cartão de crédito, código de segurança ou identificação fiscal.

3) Leia os comentários dos vendedores

Antes de fechar o negócio, leia o comentário dos demais compradores sobre a negociação. A experiência de outros consumidores pode lhe servir de parâmetro. Caso seja um perfil novo, verifique outras credenciais, por exemplo, se a empresa existe no espaço físico ou se o vendedor tem perfis sociais em outras plataformas.

4) Opte pelo envio da plataforma

Ainda que exista a opção de o consumidor selecionar o meio mais conveniente de entrega, o Mercado Livre recomenda que a logística seja por meio do Mercado Envios. Caso a negociação seja direta, peça assinatura de um recibo de entrega. Na suspeita de irregularidade, denuncie.

5) Verifique a autenticidade do e-mail

Ao receber e-mail do Mercado Livre, verifique se o domínio é @mercadolivre.com.br. A empresa afirma que nunca envia mensagens em e-mails @gmail, @hotmail ou @yahoo. Também se certifique de que o e-mail remete para o site oficial, ou seja, mercadolivre.com, conferindo letra a letra, pois os cibercriminosos são ardilosos e a troca de uma letra pode confundir a vítima.

Monitore seus dados pessoais, empresariais e financeiros

Como no caso dos golpes no Mercado Livre, os riscos são atualizados a todo tempo na internet. Os criminosos são ardilosos e criativos, por isso acabam enganando até pessoas mais familiarizadas com operações digitais. Por isso, todo o cuidado é importante para operações de compras e vendas nos marketplaces.

Uma das formas de ter mais proteção é o monitoramento de CPF e de CNPJ. Caso os seus dados pessoais, empresariais ou financeiros acabem em mãos criminosas, o serviço de

monitoramento pode ajudar você a agir antes que o dano seja maior. Este serviço de alerta e geração de relatório é prestado pela assinatura do Serasa Premium.

Com ela, você receberá alertas em diferentes situações, como em vazamentos dos seus dados na Deep Web, consultas feitas ao seu Score, movimentações de endividamento, protestos e ações judiciais que tenham o seu nome. Além disso, com o Premium, você pode bloquear as consultas ao seu Score e impedir que instituições financeiras e outras empresas consultem o seu perfil quando você não estiver procurando crédito, evitando golpes futuros.