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O que é CDB pós-fixado e como funciona esse investimento

Entenda a mecânica dos Certificados de Depósito Bancário, o impacto da taxa CDI na rentabilidade, a segurança do FGC e as regras de tributação.

Atualizado em: 21 de agosto de 2026

Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 12 minutos

Texto de: Time Serasa

Certificado de Depósito Bancário é um dos títulos de Renda Fixa mais tradicionais do mercado. Emitidos por bancos.

O universo dos investimentos costuma parecer complexo à primeira vista, cercado por diversas siglas e termos técnicos. No entanto, o passo inicial para a multiplicação do patrimônio e a proteção contra a inflação passa por compreender os instrumentos mais básicos e seguros do mercado. Entre as opções de renda fixa no Brasil, uma das estrelas principais é o CDB pós-fixado.

Esse produto financeiro é frequentemente apontado por economistas e planejadores como o substituto natural e mais eficiente da tradicional caderneta de poupança. Ele combina rentabilidade atrativa, alta segurança e, em muitos casos, a flexibilidade necessária para resgates emergenciais. Porém, para investir com segurança, é indispensável entender as engrenagens que fazem esse instrumento funcionar.

Assista | Onde investir reserva de emergência?

O que é um CDB (Certificado de Depósito Bancário)?

Antes de compreender a variação "pós-fixada", é preciso definir a base do produto. A sigla CDB significa Certificado de Depósito Bancário.

De forma simplificada, um CDB é um empréstimo feito pelo investidor a uma instituição financeira. Os bancos precisam de recursos para realizar suas operações diárias, como conceder empréstimos a outros clientes, financiar imóveis ou emitir cartões de crédito. Para captar esse dinheiro, o banco emite o CDB.

Em troca desse "empréstimo", o banco devolve o valor investido acrescido de uma taxa de juros após um período determinado. Portanto, ao comprar um CDB, o cidadão deixa de ser a pessoa que pede dinheiro emprestado e passa a assumir a posição de credor do banco.

O que significa a modalidade "pós-fixada"?

Os investimentos em renda fixa têm diferentes formas de remunerar o investidor. O termo "pós-fixado" refere-se à maneira como a taxa de juros é calculada.

Em um investimento pré-fixado, a taxa é conhecida no momento da aplicação (por exemplo, 10% ao ano). Sabe-se exatamente quanto dinheiro haverá no final do prazo.

No caso do CDB pós-fixado, a rentabilidade não é um número estático, mas sim atrelada a um indicador da economia. O investidor não sabe exatamente qual será o valor final em reais, mas conhece a "regra do jogo". Se o indicador da economia subir, o rendimento do CDB sobe junto; se o indicador cair, o rendimento também cai.

O papel do CDI na rentabilidade do CDB pós-fixado

O indicador quase sempre utilizado para atrelar a rentabilidade dos CDBs pós-fixados é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

O CDI é uma taxa de juros utilizada nos empréstimos de curtíssimo prazo feitos entre os próprios bancos. Essa taxa acompanha muito de perto a Taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central.

Quando uma instituição financeira oferece um CDB pós-fixado, a rentabilidade é expressa como um percentual do CDI.

  • ● Exemplo prático: um CDB que paga "100% do CDI". Se o CDI anual for de 10%, aquele investimento renderá 10% no ano. Se, no ano seguinte, o CDI subir para 12%, o rendimento do CDB acompanhará a alta e passará a render 12%.


Existem no mercado CDBs que pagam 90%, 100%, 110% ou até mais do CDI. Instituições menores e bancos digitais costumam oferecer percentuais maiores (acima de 100% do CDI) para atrair investidores, enquanto grandes bancos tradicionais tendem a oferecer taxas menores.

Liquidez: a disponibilidade do dinheiro

A liquidez é a velocidade com que o investimento pode ser transformado novamente em dinheiro na conta corrente. Os CDBs pós-fixados podem ter diferentes níveis de liquidez:

  • ● Liquidez diária: o dinheiro pode ser resgatado a qualquer momento, e o valor cai na conta no mesmo dia (ou no dia útil seguinte). Essa é a característica fundamental para quem busca construir uma reserva de emergência.
  • ● Liquidez no vencimento: o dinheiro fica "preso" e só pode ser resgatado na data estipulada pelo banco (que pode ser daqui a seis meses, um ano, três anos, etc.). Em troca dessa indisponibilidade, os bancos costumam oferecer taxas de rentabilidade maiores, como 115% ou 120% do CDI.

Segurança: a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Um dos maiores receios ao investir é o risco de a instituição financeira falir (o chamado "risco de crédito"). É nesse ponto que o CDB se destaca como uma das aplicações mais seguras do país.

Todo CDB conta com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). O FGC é uma entidade privada sem fins lucrativos que garante a devolução do dinheiro ao investidor caso o banco emissor do título enfrente problemas de liquidez ou vá à falência.

A garantia do FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Ou seja, se o valor investido, somado aos juros acumulados, estiver dentro desse limite, o risco de perda do capital é virtualmente zero, o que equipara a segurança do CDB à da poupança.

Tributação e custos do CDB pós-fixado

Diferentemente da caderneta de poupança, o CDB sofre a incidência de impostos. Contudo, é fundamental compreender que esses impostos incidem exclusivamente sobre a rentabilidade (o lucro), e jamais sobre o valor original investido. Não há taxas de administração na imensa maioria das corretoras e bancos.

1. Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

O IOF é cobrado apenas se o resgate do investimento for feito em um prazo inferior a 30 dias contados da data de aplicação. Ele segue uma tabela regressiva agressiva: começa cobrando 96% do rendimento no primeiro dia e zera no 30º dia. Portanto, o ideal é nunca resgatar um CDB antes de completar um mês.


2. Imposto de Renda (IR)

O Imposto de Renda é retido na fonte, ou seja, ao resgatar o dinheiro, o valor que cai na conta já teve o imposto descontado automaticamente. A tributação segue uma tabela regressiva, isto é, quanto mais tempo o dinheiro permanecer investido, menor será a alíquota do imposto pago sobre o lucro:

  • ● Até 180 dias: 22,5%
  • ● De 181 a 360 dias: 20%
  • ● De 361 a 720 dias: 17,5%
  • ● Acima de 720 dias (dois anos): 15%


Mesmo com a cobrança do Imposto de Renda, um CDB que pague 100% do CDI é sempre mais rentável que a poupança, independentemente do prazo da aplicação.

Para qual perfil o CDB pós-fixado é indicado?

O CDB pós-fixado é considerado um investimento coringa e versátil, adaptando-se a diversos objetivos financeiros:

  • ● Para a reserva de emergência: um CDB pós-fixado atrelado a 100% do CDI e com liquidez diária é o local ideal para guardar o dinheiro de imprevistos, pois garante rentabilidade diária e acesso imediato.
  • ● Para o investidor conservador: atende perfeitamente àqueles que não desejam correr os riscos da Bolsa de Valores, garantindo proteção contra a inflação quando a taxa Selic está alta.
  • ● Para metas de curto e médio prazo: como a compra de um carro, uma viagem ou a reforma da casa. Ao casar o prazo do objetivo com o vencimento do CDB, é possível obter taxas melhores.

Educação financeira para multiplicar resultados

Compreender o que é um CDB pós-fixado e como o CDI, o FGC e o Imposto de Renda afetam a aplicação é o passo fundamental para abandonar investimentos ineficientes e buscar melhor rentabilidade com segurança. O conhecimento transforma o dinheiro ocioso em uma ferramenta de trabalho capaz de gerar renda passiva constante.

Essa compreensão faz parte do pilar da educação financeira. Aprender a organizar o orçamento, entender o funcionamento das taxas de juros, dominar os conceitos de crédito consciente e descobrir como fazer o dinheiro render são ações que exigem estudo contínuo e fontes de informação confiáveis.

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Perguntas frequentes sobre o CDB pós-fixado

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