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Como entrar o novo ano com a vida financeira em ordem?

colunista Fabiana Ramos
Publicado em: 26 de novembro de 2021.

Chegamos naquele período do ano em que precisamos sentar e fazer um balanço de como foi a nossa vida financeira até aqui. A população ainda sofre as consequências diretas de uma economia que se viu obrigada a fechar as portas, trazendo prejuízos incalculáveis para tanta gente.

Neste ano, o Serviço de Proteção de Crédito (SPC Brasil) realizou uma pesquisa em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) que revelou que 45% dos brasileiros não controlam o orçamento e não sabem como organizar a vida financeira. Além disso, 64% dos consumidores raramente – ou nunca – têm dinheiro sobrando.

Para ter uma relação mais saudável com as finanças, você precisa encarar de frente a sua situação, sendo esta a melhor forma de resolver problemas que podem se tornar maiores em um futuro próximo.

Diante de tantos obstáculos, como agir?

1) Faça um levantamento dos seus ganhos e dos seus gastos

Não existe maneira de melhorar a sua vida financeira se você não sabe quanto de dinheiro entra e sai da sua conta mensalmente. Esse controle não precisa ser algo elaborado, feito em planilhas ou em aplicativos de celular. Um papel e uma caneta já são suficientes para a tarefa de anotar o que você ganha e o que você gasta.

Não adianta também fazer a chamada “contabilidade mental”, ou como também é conhecida, o controle feito apenas pela memória. O registro das contas na cabeça é um perigo para as finanças do dia a dia.

Então vamos lá, nada de preguiça! O começo pode ser trabalhoso, mas logo a atitude se transformará em um hábito.

2) Automatize o pagamento de contas

Depois de saber quais contas você tem que pagar, você estará em uma posição melhor para controlar seus pagamentos. E uma maneira de agilizar e simplificar esse processo é automatizar a forma de pagamento. Você pode configurar transferências e pagamentos automáticos por meio de seu banco on-line, garantindo que você nunca perderá uma data de vencimento.

Para facilitar o controle, procure colocar todas as suas contas (ou a maior parte delas) com a mesma data de vencimento e, quanto mais próximo do recebimento do seu salário, melhor. Assim, você garante que elas sejam pagas na data correta, evitando perder dinheiro com multas e juros desnecessários.

3) Descubra o tamanho de suas dívidas

A única forma de planejar o pagamento das suas dívidas é saber o tamanho delas. Faça uma lista do quanto você deve de cartão de crédito, de cheque especial, de empréstimos, de prestações, de crediários ou de financiamentos. Anote todos os valores, as datas de vencimento e as taxas de juros de cada conta. Liste suas prioridades. E se não der para pagar tudo de uma vez, faça aos poucos, sabendo que despesas essenciais como energia, água, gás e até o financiamento imobiliário devem ser priorizadas.

As dívidas costumam desequilibrar a nossa vida financeira, mas, uma vez tendo consciência de todas elas e do seu montante total, é possível se planejar para começar uma negociação com os credores, de forma que elas sejam eliminadas pouco a pouco.

4) Monte um orçamento adaptado à sua realidade

Depois de ter levantado valores da sua receita, dos seus gastos e das suas dívidas, monte um orçamento que esteja de acordo com a sua realidade. Analise suas contas e estabeleça um teto de gastos para cada categoria. Defina um limite para ser gasto em moradia, em alimentação, em saúde, em transporte, em educação, em cuidados pessoais etc.

E, principalmente, depois de ter estabelecido suas metas de gastos, seja fiel ao seu orçamento.

5) Corte e diminua gastos

Sempre existe a possibilidade de diminuir o valor de um lanche, trocar o restaurante por algum mais em conta, levar marmita para o trabalho, fazer uma caminhada ao invés de usar o carro. Vale também trocar uma diversão paga por um passeio gratuito em um parque da sua cidade.

Diminuir as contas de eletricidade, água e luz também ajudam na economia. Estimule a família inteira a participar dessa mudança, inclusive as crianças. Crie uma espécie de gincana com elas para quem sair apagando as luzes da casa, ou para quem conseguir tomar um banho em 5 minutos. Elas costumam colaborar e acabam se empolgando com a brincadeira.

Esses pequenos gestos vão te dar condições de aliviar um pouco o orçamento, deixando-o menos sobrecarregado.

6) Poupar pouco é melhor do que não poupar nada

Muita gente se engana com o ato de poupar dinheiro. As pessoas acham que devemos poupar quando o dinheiro sobrar, mas o problema é que o dinheiro nunca sobra. Nós é que precisamos fazê-lo sobrar. É um ato intencional, feito de propósito.

Certamente você já sabe da importância de guardar dinheiro para momentos de imprevistos, como uma despesa médica, o conserto do carro, a compra de uma nova geladeira para substituir a que estragou entre outros.

Mas não só isso. Guardar dinheiro também é importante para que você consiga realizar os seus sonhos, seus projetos de vida, como:

  • Fazer uma viagem;

  • Reformar a casa;

  • Pagar a faculdade;

  • Planejar a festa de casamento.

Ainda que a renda não seja alta, defina um valor mensal para ser guardado. Afinal, poupar pouco é melhor do que não poupar nada.

7) Não desanime!

Estamos quase encerrando um ano e iniciando um novo ciclo. Nada melhor do que esse balanço para analisar os erros financeiros de 2021 e mudar sua postura em 2022.

Sabemos que adotar novos hábitos não é fácil. Leva tempo, exige esforço e nos tira da nossa zona de conforto. Mas ainda que não consiga perceber mudanças nas primeiras semanas, não desista.

A disciplina é fundamental para conseguir economizar dinheiro e gastar de forma mais consciente. Por mais tentadora que seja a ideia de gastar, tente segurar esse impulso e sempre mantenha o foco nos objetivos que você deseja alcançar.

Ter uma vida financeira estável requer o desenvolvimento de bons hábitos. E temos um ano inteiro pela frente para construí-los.