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Educação financeira infantil: como ensinar para os seus filhos?

A educação financeira infantil é uma oportunidade de mostrar às crianças desde cedo o valor do dinheiro. Saiba como abordar o tema em casa.

colunista Fabiana Ramos
Publicado em: 02 de dezembro de 2021.

Provavelmente você já ouviu falar em algumas discussões que educação financeira infantil deveria ser uma matéria incluída na grade curricular de todas as escolas brasileiras. Mas você sabe qual a importância de apresentar esse conhecimento sobre dinheiro para o público infantojuvenil?

Aprender sobre educação financeira é fundamental para as crianças, e quanto antes elas desenvolvam uma relação saudável com o dinheiro, melhor. É esse conhecimento que possibilitará que elas cresçam sendo adultos responsáveis financeiramente, que saibam administrar seu salário, organizar sua vida monetária e saibam manter o equilíbrio entre poupar e gastar com consciência.

Entre os jovens brasileiros, 98% deles afirmam ter dificuldade em lidar com o dinheiro. A Serasa Experian também já demonstrou em pesquisa que grande parcela da população não tem conhecimento de tópicos relacionados à educação financeira.

Em 2021, mais de 1,6 milhões de brasileiros deixaram de pagar as suas contas, ficando com o “nome sujo”. Ainda que um dos motivos seja a crise financeira gerada pela Covid-19, a falta de conhecimento para administrar as próprias finanças também colabora com o cenário, já que 80% dos brasileiros disseram não ter tido acesso a dinheiro até seus 12 anos de idade, e somente 42% dos entrevistados relataram que tiveram ensinamentos repassados pelos seus pais.

Eu acredito que o melhor exemplo vem de casa e que nós somos os principais responsáveis pela educação dos nossos filhos. Na escola, as crianças aprenderão a teoria e, dentro de casa, aprenderão na prática como a família lida com o dinheiro, com o consumo, com as dívidas, com os investimentos e até com as doações.

Por isso, é necessário que a família também invista em conhecimento e se interesse pelo tema, já que o comportamento dos pais em relação à vida financeira afeta diretamente a visão dos filhos sobre as finanças.

O jovem, ao receber seu próprio dinheiro, poderá ter duas posturas distintas: ou vai repetir o comportamento dos pais dando continuidade aos hábitos adquiridos durante o tempo de permanência na casa da família, ou vai repudiar o que vivenciou e fazer tudo ao contrário, caso queira manter distância do comportamento recebido.

Se esse jovem sofreu muita restrição financeira durante sua infância e/ou adolescência, ele poderá adotar um perfil extremamente poupador quando se tornar adulto, com constante medo de não ter o suficiente para sua sobrevivência. Mas pode tornar-se também uma pessoa extremamente consumista e sem controle, gastando todo o seu patrimônio (e mais um pouco) para satisfazer suas vontades reprimidas.

A questão é que somos muito influenciados pelas situações que vivenciamos e nossas emoções e sentimentos desempenham um grande papel nas nossas decisões financeiras. Nenhuma das duas situações elencadas é saudável, pois beiram os extremos de lados opostos.

Como iniciar a educação financeira infantil em casa?

Para evitar comportamentos prejudiciais, a recomendação é sempre inserir os filhos no planejamento financeiro da família. É claro que a conversa deverá ser adaptada à idade, mas a situação financeira familiar deve ser exposta a todos os seus membros.

Permita que as crianças participem do orçamento da casa, entendam a importância do trabalho, saibam quando é possível comprar e quando é necessário economizar, solicitando, inclusive, colaboração de todos.

Isso vale tanto para as contas básicas como gastos com supermercado ou eletricidade, até as compras mais supérfluas, como um brinquedo fora das datas comemorativas ou um passeio.

É importante que a criança aprenda desde cedo que o consumo não é moeda de troca de afeto entre pais e filhos. Seu filho não deve se sentir amado somente ao ganhar presentes ou qualquer outra coisa material, bem como não deve se sentir rejeitado quando não obtém algo que deseja. Independente da renda familiar, deixe claro os limites para as compras e tenha firmeza e tranquilidade para dizer não.

Essa “frustração” de não ter tudo o que se quer, na hora que se quer, faz parte do processo de educação. Ensina a criança a esperar, a ter paciência e a não ser imediatista. Quando adulta, ela conseguirá lidar melhor com a impulsividade na hora de comprar um objeto.

Isso se chama maturidade financeira, que é a capacidade de adiar desejos momentâneos em prol de maiores ganhos no futuro. É normal do ser humano querer ter satisfação instantânea, e é por isso que a educação financeira é um constante aprendizado, que deve começar na infância e acompanhar o indivíduo até à velhice.

Veja algumas dicas de como ensinar a criança a lidar com o dinheiro:

· Ensine brincando

Jogos de tabuleiro como Banco Imobiliário ou Jogo da Vida são ótimas oportunidades para a criança aprender conceitos financeiros de forma leve enquanto se diverte. O passatempo deixa esses princípios mais concretos, facilitando sua compreensão no dia a dia.

A criança aprende a ideia de o dinheiro ser finito, e, se gasto sem controle e consciência, ele irá acabar, vendo assim, que toda escolha tem consequências.

Os jogos envolvem dinheiro fictício, salário, aluguel e propriedades e ganha quem usar o dinheiro da melhor maneira ou terminar com o maior montante. Ou seja, a criança aprende a administrar seu dinheiro e vê na prática que o planejamento, a longo prazo, traz resultado.

· Dê uma mesada

A ideia principal da mesada é fazer com que seu filho tenha o primeiro contato concreto com um dinheiro que seja dele e que ele possa gerenciar. É nesse momento que você deve ensinar a importância de ter uma vida financeira saudável, gastando com responsabilidade e sempre menos do que se ganha, poupando periodicamente.

Deixe-a gastar seu próprio dinheiro com itens baratinhos como balas ou figurinhas e crie metas junto com a criança (como comprar um brinquedo mais caro no final do ano, por exemplo), para que ela veja sentido em juntar parte do seu orçamento, privando-se de algumas compras no presente com o objetivo de algo melhor no futuro. Assim, ela aprenderá a priorizar e saberá a diferença entre o caro e o barato.

Caso você opte por dar mesada, cumpra a frequência, a data e a quantia combinadas, para que a criança possa planejar seus gastos, se organizar e ter controle do seu orçamento.

Cabe à cada família determinar o montante ideal que se adeque à sua realidade e orçamento, sem excessos e observando as necessidades de cada idade.

Quando a criança é ensinada desde pequena a ter um bom relacionamento com o dinheiro, ela terá grandes chances de se tornar um adulto financeiramente responsável com seu salário, sua vida financeira e seus investimentos.