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Emprestar dinheiro para família: como fazer com segurança

Utilizar um contrato de empréstimo garante a segurança jurídica e separa a relação familiar da dívida.

Publicado em: 28 de agosto de 2026

Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 19 minutos

Texto de: Time Serasa

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Emprestar dinheiro para família pode parecer uma forma simples de ajudar alguém próximo em um momento de necessidade. Porém, relações familiares e amizades podem ser afetadas por falta de pagamento ou atraso na devolução do valor.

Segundo uma pesquisa realizada pela Serasa em 2025, 82% dos brasileiros já emprestaram dinheiro a um amigo, 61% já se arrependeram disso e 37% estão dispostos a emprestar até R$ 100 sem esperar retorno.

Neste artigo, entenda os riscos de emprestar dinheiro para a família, como negar um pedido educadamente, como formalizar o empréstimo, como cobrar a dívida e o que a lei diz sobre empréstimos entre pessoas físicas.

Assista | A VERDADE sobre EMPRÉSTIMO PESSOAL: quando vale a pena?

Quais são os riscos de emprestar dinheiro para a família?

Emprestar dinheiro para um familiar pode ser uma forma de cuidado, mas também pode gerar conflitos e problemas financeiros para quem empresta. Os principais riscos dessa prática envolvem:

  • ● Não receber o dinheiro de volta: diferentemente de uma instituição financeira, que possui mecanismos de cobrança, cobrar um familiar é desconfortável, o que faz com que a pessoa que emprestou o valor fique no prejuízo.
  • ● Prejudicar o relacionamento familiar: cobranças frequentes, justificativas para o atraso e discussões sobre dinheiro podem gerar ressentimentos e afastamento.
  • ● Criar expectativas diferentes sobre o acordo: quem empresta pode esperar o pagamento em determinada data, enquanto quem recebeu pode acreditar que poderá pagar quando tiver condições.
  • ● Impactos financeiros: ao tirar uma quantia do próprio orçamento para ajudar um parente, quem empresta o dinheiro se expõe a riscos e pode ter dificuldades para lidar com uma despesa essencial ou emergência.
  • ● Comprometimento do score e do nome: caso o valor emprestado cause o não pagamento de uma conta ou boleto, a inadimplência pode gerar uma dívida que afeta a pontuação de crédito e, com o tempo, causar a negativação do nome de quem emprestou o dinheiro.
  • ● Precedente para novos pedidos: quando o empréstimo é concedido, a mesma pessoa pode vir a pedir mais vezes ou outros membros da família podem passar a pedir ajuda.
  • ● Sensação de obrigação e perda de autonomia: quem empresta pode se sentir no direito de opinar sobre como o dinheiro está sendo gasto, enquanto quem tomou emprestado pode sentir uma cobrança moral excessiva.


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O maior risco: emprestar seu nome ou cartão de crédito para parentes

Segundo uma pesquisa da Serasa divulgada em abril de 2026, seis em cada 10 brasileiros já cederam o CPF para outra pessoa conseguir crédito. Entre quem emprestou o nome:

  • ● 34% acabaram endividados;
  • ● 29% se arrependeram da decisão;
  • ● Em 60% dos casos, os familiares foram os principais beneficiados.

Ao permitir que um parente faça um empréstimo, financiamento, compra parcelada ou outra operação usando seu CPF ou cartão, é você quem assume a obrigação perante a instituição financeira ou o estabelecimento comercial.

Portanto, mesmo que exista um acordo informal de que o familiar será responsável pelos pagamentos, esse combinado não transfere a dívida automaticamente para ele.

Se a pessoa deixar de pagar, você terá que arcar com as parcelas para evitar que a situação prejudique suas finanças com o acúmulo de juros, seu histórico de crédito e seu CPF com a inadimplência.

Como negar um pedido de empréstimo para familiar educadamente

Dizer “não” para um familiar que pede dinheiro pode ser desconfortável, principalmente quando existe proximidade ou uma situação de necessidade envolvida. Para fazer uma recusa bem-sucedida e educada, é importante ter empatia e firmeza.

Não é necessário dar uma justificativa complexa ou inventar mentiras. Quanto mais simples e direta for a resposta baseada na sua realidade financeira, menor será o espaço para insistência ou julgamento. Algumas frases que podem ser usadas são:

  • ● “Eu entendo que você está precisando, mas, neste momento, não consigo emprestar esse valor sem comprometer meu orçamento.”
  • ● “Eu gostaria de ajudar, mas não tenho condições financeiras de fazer esse empréstimo agora.”
  • ● “Eu não consigo emprestar o dinheiro, mas posso tentar pensar com você em outra solução.”
  • ● “Preciso priorizar minhas próprias despesas, então não vou conseguir ajudar.”
  • ● “Eu prefiro não emprestar meu nome/cartão. Mesmo sendo família, não posso assumir uma dívida que ficará no meu CPF.”
  • ● “Não vou conseguir colocar essa compra no meu cartão, mas posso te ajudar a encontrar outra alternativa.”

O “contrato de mútuo”: como formalizar um empréstimo entre familiares

Se, após refletir sobre todos os riscos, você decidir emprestar o dinheiro, faça um contrato para evitar dúvidas e problemas no futuro. Mesmo que exista confiança entre as partes, um documento ajuda a deixar claro:

  • quanto foi emprestado;
  • quando o dinheiro deverá ser devolvido;
  • quais condições foram combinadas;
  • se haverá cobrança de juros.

No direito brasileiro (artigo 586 do Código Civil), o empréstimo de coisas fungíveis (como o dinheiro) é chamado de “mútuo”. O documento que formaliza o empréstimo é chamado de “contrato de mútuo" e ele pode formalizar um acordo entre pessoas físicas ou empresas.

As principais características desse tipo de contrato são:

  • ● Unilateralidade: apenas uma das partes (o mutuário) assume as obrigações.
  • ● Gratuidade: a maior parte dos contratos de mútuo são gratuitos, exceto quando tratam de empréstimo de dinheiro.
  • ● Temporariedade: quando as partes não estipulam um prazo, aplica-se um dos prazos definidos pelo artigo 592 do Código Civil.

A elaboração do contrato de mútuo costuma seguir os seguintes passos, podendo variar de acordo com o caso:

Cláusulas Dados que devem ser incluídos
Apresentação das partes Nome completo, RG, CPF e endereço completo.
Objeto do contrato Valor do empréstimo e como ele será efetivado (transferência bancária, Pix ou outro meio).
Prazo Data-limite para que o valor emprestado seja devolvido.
Juros Definição se haverá cobrança de juros, como eles serão calculados e se serão baseados em alguma taxa fixa (opcional).
Garantias Quais garantias o mutuante (quem pegou emprestado) apresentou.
Inadimplência e multa Definição de juros e multa se o pagamento atrasar (opcional).
Restituição Por qual meio de pagamento acontecerá a devolução do dinheiro.
Assinaturas Ambas as partes assinam o documento.

Exemplo de contrato de mútuo entre pessoas físicas

Pelo presente instrumento particular de contrato de mútuo, de um lado, [Nome do Mutuante], [nacionalidade], [estado civil], [profissão], portador(a) do CPF nº ….. e RG nº …..., residente e domiciliado(a) na [endereço do Mutuante], doravante denominado(a) “Mutuante”, e de outro lado, [Nome do Mutuário], [nacionalidade], [estado civil], [profissão], portador(a) do CPF nº …. e RG nº …., residente e domiciliado(a) na [endereço do Mutuário], doravante denominado(a) “Mutuário”, têm entre si, justos e acordados, o presente contrato de mútuo, regido pelo Código Civil de 2002 nos termos e condições abaixo:

Cláusula primeira – Objeto do Contrato

1.1 O Mutuante concede ao Mutuário um empréstimo no valor de …., representado por [moeda], a título de mútuo, para utilização exclusiva [descrição do objetivo do empréstimo], conforme acordado entre as partes.

Cláusula segunda – Condições do Empréstimo

2.1 O empréstimo objeto deste contrato será concedido pelo Mutuante ao Mutuário sem a incidência de juros remuneratórios.

2.2 O prazo para a devolução do empréstimo será de [dias ou meses] contados a partir da assinatura deste contrato, devendo o Mutuário efetuar o pagamento integral do valor emprestado até a data estipulada.

2.3 O pagamento deverá ser realizado por meio de [forma de pagamento], na conta bancária indicada pelo Mutuante, em [valor das parcelas, caso haja], sendo a primeira parcela devida em [data] e as demais parcelas mensalmente até a quitação total da dívida.

2.4 Caso haja atraso no pagamento de qualquer parcela, será devido pelo Mutuário multa de [percentual] sobre o valor em atraso, acrescida de juros de mora de [percentual ao mês] ao dia, calculados pro rata die, desde a data de vencimento original até o efetivo pagamento.

Cláusula terceira – Garantias

3.1 O Mutuário declara que assume integral responsabilidade pela devolução do valor emprestado, sem a necessidade de apresentação de garantias adicionais.

Cláusula quarta – Rescisão

4.1 Em caso de inadimplência do Mutuário por um período superior a [número de dias/meses], o Mutuante poderá considerar antecipadamente vencida a dívida, exigindo o pagamento integral do valor emprestado, acrescido dos encargos previstos na Cláusula Segunda.

Cláusula quinta – Foro

5.1 Para dirimir quaisquer questões decorrentes do presente contrato, as partes elegem o foro da Comarca de [cidade/estado].

E, por estarem de acordo com todas as disposições deste contrato, as partes firmam-no em duas vias de igual teor e forma, juntamente com duas testemunhas, para que produza os efeitos legais.

[Local], [Data]

Mutuante:

Mutuário:

Testemunhas:

  1. Nome, RG e CPF
  2. Nome, RG e CPF

Observação: o modelo pode ser alterado segundo as condições combinadas pelas partes. Em caso de dúvidas sobre a elaboração do documento, procure a ajuda de um advogado.

Como cobrar dívida de família ou amigo sem gerar conflito

Uma cobrança mal conduzida para um familiar ou amigo pode gerar constrangimento, discussões e até afastamento. Evitar o assunto também não costuma ser uma boa solução.

O ideal é que a cobrança seja feita de maneira respeitosa e com base no acordo feito entre as partes. Confira estratégias que podem ajudar:

Estratégia Exemplo
Evite fazer cobranças na frente de outras pessoas ou expor a situação em grupos de família e redes sociais. Procure a pessoa diretamente. “Queria conversar com você sobre aquele dinheiro que te emprestei. O pagamento estava previsto para este mês e preciso me organizar. Você consegue me dizer quando poderá fazer o pagamento?”
Evite cobranças genéricas e informe exatamente qual é o valor pendente e qual era a data combinada para o pagamento. “Oi, tudo bem? Queria falar sobre aquele valor que combinamos de acertar este mês. Como a gente tinha alinhado que seria pago até dia 10, queria ver como está a sua organização para isso.”
Aborde o tema como um lembrete para tocar no assunto de forma mais leve. “Oi! Passando para te dar um toque sobre aquela parcela do empréstimo que vencia ontem. Imaginei que com a correria você deve ter deixado passar, então achei melhor avisar para não acumular.”
Se o familiar demonstrar que não tem como pagar o valor integral no prazo, avalie a possibilidade renegociar o acordo. “Eu entendo que o mês foi apertado para você. Que tal a gente dividir esse valor de R$... em duas vezes para ficar mais leve no seu orçamento?”
Se a pessoa reagir mal, se vitimizar ou tentar inverter a situação, evite ter uma discussão. Explique como o atraso afeta você e peça uma solução concreta. “Eu entendo que você está passando por uma dificuldade, mas também preciso desse dinheiro para me organizar. Vamos combinar uma forma de pagamento que funcione para nós dois?”

Se as tentativas amigáveis não funcionarem, pode ser necessário considerar uma cobrança formal. Nesse momento, ter um contrato, comprovantes de transferência, mensagens e outros documentos que demonstrem a dívida pode fazer diferença.


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Empréstimo entre pessoas físicas: o que diz a lei

Como dito acima, no Brasil, o empréstimo de dinheiro entre pessoas físicas é conhecido juridicamente como contrato de mútuo (artigo 586 do Código Civil), podendo ser:

  • ● Oneroso ou feneratício: quando há previsão de juros.
  • ● Gratuito: quando envolve apenas a devolução do valor emprestado.


A cobrança de juros também é considerada legal, desde que sejam respeitadas as seguintes regras:

  • ● Não exceder o limite de 1% ao mês (ou 12% ao ano). A cobrança acima desse limite é considerada ilegal pelo Decreto 22.626/1933 e caracteriza crime de usura (agiotagem), conforme a Lei nº 1.521/1951.
  • ● Se não houver um acordo sobre os juros, vale utilizar a taxa legal de juros (Taxa Selic) como referência, como o artigo 406 do Código Civil e o artigo 161 do Código Tributário Nacional determinam.


A lei não exige que o empréstimo entre familiares, com ou sem cobrança de juros, seja feito por meio de um contrato formal, mas é importante que a operação seja documentada para garantir segurança jurídica para o credor (mutuante) e devedor (mutuário).


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Como ajudar um parente endividado sem colocar sua vida financeira em risco

Ver alguém da família enfrentando dificuldades financeiras pode despertar a vontade de ajudar financeiramente. Porém, uma forma mais segura de auxiliar é contribuir com a busca de uma solução através da educação financeira.

O Serasa Ensina no YouTube ajuda a descomplicar a educação financeira por meio de conteúdos gratuitos toda semana.

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Perguntas frequentes sobre emprestar dinheiro para família

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