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O Procon resolve juros abusivos? Entenda o que pode ser feito

Procon pode ser uma ferramenta contra juros abusivos, mas outras medidas também podem ser tomadas.

Publicado em: 24 de março de 2026

Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 9 minutos

Texto de: Time Serasa

Juros altos

Quando a dívida começa a crescer rápido demais, muita gente desconfia que pode estar pagando juros abusivos. O termo é usado quando a taxa cobrada por um banco ou empresa é considerada excessiva, desproporcional ou muito acima da média de mercado.  

O Procon pode ajudar em situações específicas, principalmente quando existe relação de consumo, falta de clareza nas informações e necessidade de mediação entre consumidor e empresa.  

Ainda assim, há limites de atuação: o Procon não “anula” contratos por conta própria, mas pode orientar, registrar reclamações e buscar solução administrativa.

Como o Procon pode resolver os juros abusivos?

O Procon atua como órgão de defesa do consumidor. Em casos de juros abusivos, costuma ajudar ao: 

● orientar sobre direitos e deveres no contrato; 

● intermediar negociação com a empresa (acordo administrativo); 

● registrar reclamação formal e solicitar resposta do fornecedor; 

● identificar práticas recorrentes e apoiar ações de fiscalização (conforme o caso e a unidade). 

O Procon tende a ser especialmente útil quando há: 

● cobrança de encargos que não foram informados com clareza; 

● divergência entre o prometido e o contratado; 

● dificuldade de obter contrato, planilha de evolução da dívida ou explicação do custo efetivo total (CET); 

● negativa de atendimento ou de canais de renegociação.

Como fazer uma reclamação no Procon?

Caso seja identificada uma possível cobrança de juros abusivos, o consumidor pode registrar uma reclamação no Procon de sua cidade ou estado.  

O atendimento é gratuito e funciona como uma tentativa de acordo antes de levar o caso ao Poder Judiciário. 

Veja como funciona o processo:

1. Reúna os documentos

É importante separar contrato, fatura, comprovantes de pagamento, boletos, extratos e qualquer comunicação feita com a empresa. Quanto mais informações forem apresentadas, maior a chance de uma análise precisa.

2. Procure o Procon estadual ou municipal

O atendimento pode ser realizado presencialmente ou de forma online, conforme a estrutura de cada unidade. Basta procurar pelo site ou unidade do Procon da sua região e conferir como registrar uma reclamação.  

Também é possível fazer uma reivindicação pelo Banco Central (BC). Entretanto, nesse caso, a instituição não se responsabiliza por resolver a situação individualmente, mas apura o montante de registros para supervisionar os credores.

3. Descreva o problema com clareza

Na reclamação, devem ser informados os juros que estão sendo cobrados, por que são considerados abusivos e qual solução é esperada, como a revisão do contrato ou a redução da dívida.

4. Aguardar a resposta da empresa

Após o registro, o Procon notifica a empresa para que apresente uma resposta ou proposta conforme prazo determinado. 

Se houver acordo, o caso será encerrado na esfera administrativa. Caso contrário, o consumidor poderá avaliar a possibilidade de recorrer ao Juizado Especial Cível para solicitar a revisão dos juros.


Leia também I Direito do consumidor: como fazer valer?

Quais taxas de juros são abusivas?

No Brasil, não existe um único limite de juros que valha para todos os tipos de crédito. O que é considerado abusivo depende do tipo de contrato, da instituição e das regras que se aplicam àquela operação.  

Ainda assim, a legislação traz parâmetros importantes para proteger o consumidor. 

Um dos textos mais antigos é o Decreto nº 22.626/1933, conhecido como Lei de Usura. Ela estabelece que, em contratos entre pessoas físicas, os juros não podem ultrapassar o dobro da taxa legal de 1% ao mês (12% ao ano). Porém, essa limitação não se aplica a bancos e instituições financeiras, que seguem regras próprias do sistema financeiro. 

Nas operações com bancos, quem define as normas é o Banco Central (BC) e o Conselho Monetário Nacional. Um exemplo recente é a Lei 14.690/2023, que limitou os juros do rotativo do cartão de crédito a 100% do valor da dívida. Isso significa que, se a dívida começou em R$ 100, o total cobrado não pode ultrapassar R$ 200. 

Além disso, existem alguns sinais de alerta frequentes: 

● CET muito acima de ofertas semelhantes na mesma modalidade; 

● taxas e encargos sem explicação clara no momento da contratação; 

● seguros e tarifas embutidos sem transparência; 

● saldo devedor que não reduz como esperado, mesmo com pagamentos regulares. 

O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que juros altos não são automaticamente ilegais. No entanto, poderão ser considerados abusivos quando estiverem muito acima da média de mercado e não houver justificativa clara.


Leia também I Juros de cartão de crédito: 6 coisas que ninguém te conta

Como saber se a taxa é abusiva?

A principal forma de reconhecer juros abusivos é comparando as taxas do contrato com o que é praticado pelo mercado. Para isso:  

● consulte a média de juros divulgada pelo BC para o mesmo tipo de crédito (cartão, consignado, financiamento, empréstimo pessoal). Se a taxa estiver muito acima do padrão, pode haver indício de abuso;  

● leia o contrato com atenção, observando se a taxa mensal e a anual estão informadas de forma clara, como exige o CDC;  

● observe cobranças adicionais que não estavam claras no momento da contratação. 

Se após essa análise a taxa estiver muito acima da média e não houver justificativa transparente, é possível questionar a cobrança com a instituição financeira e posteriormente acionar o Procon, caso não haja resposta.

Como a Serasa pode ajudar você?

Além do suporte de órgãos de defesa do consumidor, informação confiável ajuda a entender o custo real do crédito, comparar alternativas e evitar decisões que aumentem a dívida ao longo do tempo. 

Serasa Ensina reúne conteúdos gratuitos de educação financeira e direitos do consumidor, com explicações simples sobre: 

● como identificar e calcular juros e o CET no contrato; 

● quais cuidados tomar antes de contratar empréstimos, financiamentos e parcelamentos; 

● como organizar orçamento, priorizar dívidas e planejar pagamentos; 

● como agir diante de cobranças indevidas e onde buscar ajuda em canais oficiais.

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Perguntas frequentes sobre Procon e juros abusivos

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