Debêntures conversíveis em ações: como funciona esse ativo híb...
Debêntures conversíveis em ações: como funciona esse ativo híbrido?Data de publicação 14 de agosto de 202611 minutos de leitura
Atualizado em: 7 de agosto de 2026
Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 15 minutosTexto de: Time Serasa
Quando a inflação está em alta, todo mundo percebe. Os preços aumentam a cada dia, pesando no bolso na hora de ir às compras. Quando o contrário começa a acontecer, e os preços passam a cair, um novo fenômeno entra em evidência: a deflação.
Inflação e deflação são fenômenos econômicos que envolvem a variação de preços de produtos e serviços. Mas a queda no preço das mercadorias, que à primeira vista parece positiva e traz alívio ao orçamento, costuma indicar desaceleração econômica, menor consumo e riscos para empresas, empregos e renda.
A deflação ocorre quando os preços de bens e serviços passam a cair ao invés de subir. Nesse caso, a princípio, o dinheiro fica mais valorizado, o poder de compra melhora e o consumo é estimulado. Depois de longos períodos de inflação, essa queda nos preços costuma representar um alívio para o bolso dos consumidores.
Para ser considerada deflação, no entanto, a queda de preços precisa ser registrada por indicadores oficiais de inflação, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), e cumprir dois requisitos:
Esse movimento, que no início significa alívio para o bolso do consumidor, a depender da duração, pode ser prejudicial para o bom funcionamento da economia. Especialmente porque pode criar um círculo vicioso.
A queda generalizada de preços por tempo indeterminado contribui para que as pessoas adiem suas decisões de compra na esperança de conseguir valores ainda mais baixos no futuro. Esse comportamento alimenta a deflação, pois pressiona o comércio e a indústria. Sem perspectivas de vendas, elas deixam de investir.
O comerciante que faz estoque hoje, por exemplo, pode se ver obrigado a vendê-lo amanhã por um valor menor. Para não ter prejuízo, ele pode reduzir ou suspender suas encomendas em razão da baixa procura. A indústria, por sua vez, tende a cortar ou parar a produção. Esse cenário pode levar a demissões e até a falências dos setores mais vulneráveis, o que pode gerar desemprego. É um efeito dominó.
Assim, se durar por muito tempo, a deflação causa recessão econômica e as consequências para a economia podem ser piores do que as causadas pela inflação.
Para entender a deflação e seus efeitos, é importante saber que ela não tem nada a ver com descontos e liquidações. O fato de existirem campanhas de promoção em supermercados e outros comércios não significa que há deflação.
A deflação ocorre quando há queda generalizada dos preços de diferentes produtos e serviços na economia, medida por indicadores oficiais. Já uma promoção afeta apenas um produto, uma loja ou um período específico.
A deflação caminha no sentido oposto da inflação. O que os dois conceitos têm em comum é a mudança generalizada de preços: para baixo (deflação) ou para cima (inflação). Para ser caracterizado assim, o movimento deve ser contínuo e duradouro.
Há, além disso, um terceiro conceito que fica no meio do caminho: a desinflação. Na prática, a desinflação ocorre quando os preços continuam subindo, mas num percentual menor que o registrado no mês anterior.
A tabela ajuda a mostrar a diferença entre os conceitos:
| Aspecto | Deflação | Inflação | Desinflação |
|---|---|---|---|
| Definição | Queda generalizada e contínua dos preços de produtos e serviços. | Aumento generalizado e contínuo dos preços de produtos e serviços. | Aumento contínuo dos preços, mas em ritmo mais lento. |
| Impacto no poder de compra | Aumenta o poder de compra: o dinheiro vale mais com o tempo. | Reduz o poder de compra: o dinheiro perde valor com o tempo. | Ainda há perda de poder de compra, mas de forma mais suave. |
| Causas principais | Baixa demanda, excesso de oferta, políticas monetárias restritivas. | Alta demanda, aumento de custos, excesso de dinheiro circulando. | Políticas de controle bem-sucedidas, como alta de juros e ajuste fiscal. |
| Efeitos na economia | Pode levar à recessão, ao desemprego e à queda da produção. | Pode gerar instabilidade e corroer salários e poupanças. | Pode sinalizar que a economia está se ajustando para um cenário mais estável. |
| Relação com o consumo | As pessoas adiam compras esperando preços ainda menores. | As pessoas antecipam compras com medo de pagar mais no futuro. | As pessoas seguem comprando, mas com mais cautela. |
| Consequências para empresas | Queda nas receitas, prejuízos e risco de demissões e falências. | Custos sobem, mas receitas também podem subir; margens apertadas. | Receita cresce em ritmo mais lento, exigindo gestão mais cuidadosa. |
| Resposta do governo | Redução dos juros, estímulos fiscais e investimento público. | Aumento dos juros e controle dos gastos para conter os preços. | Manutenção ou ajuste moderado dos juros para manter equilíbrio. |
A deflação é considerada um fenômeno raro na economia. Isso porque a tendência dos preços é aumentar ao longo do tempo, acompanhando o crescimento econômico e o aumento da demanda por bens e serviços.
Historicamente, o Brasil é um país que sofre com inflação alta e os casos de deflação costumam ser isolados e restritos a índices mensais. As três últimas vezes em que o país registrou queda no IPCA foram as seguintes:
Em 2025, a queda no IPCA de agosto foi promovida principalmente pela baixa nos preços de:
Ainda em 2025, houve também um cenário com deflação de três meses em alimentos:
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A deflação é calculada pelos índices oficiais de preços, que acompanham a variação dos valores pagos pelos consumidores ao longo do tempo.
No Brasil, o principal indicador de desinflação e inflação é o IPCA, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que considera o custo de uma cesta de mais de 370 itens distribuídos em nove grupos: alimentação e bebidas, habitação, transportes, educação, saúde e cuidados pessoais, vestuário, artigos de residência, comunicação e despesas pessoais.
Outro indicador que pode ser usado é o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O IGP-M acompanha valores de itens de bens industriais e matérias-primas e costuma ser utilizado no reajuste dos aluguéis.
Independentemente do índice utilizado, a deflação é identificada a partir da comparação de preços de cada item entre um período e outro – normalmente um mês ou um ano. Se a variação for negativa, então os preços tiveram queda e o país pode estar passando por um processo deflacionário.
Os preços dos itens considerados pelo IPCA são coletados periodicamente em diversas cidades brasileiras. De forma simplificada, o cálculo da variação de preços é feita assim:
Variação (%) = (Preço atual − Preço anterior) ÷ Preço anterior × 100
A deflação costuma surgir quando a demanda por produtos e serviços diminui de forma significativa ou quando a economia enfrenta um período prolongado de desaceleração. Com menos consumo, empresas passam a reduzir preços para atrair clientes, o que pode iniciar um ciclo de retração econômica.
Quando famílias e empresas reduzem seus gastos, o volume de vendas cai. Se a oferta de produtos continua elevada, os comerciantes tendem a diminuir os preços para estimular as compras.
À primeira vista, isso parece vantajoso para o consumidor. No entanto, se muitas pessoas adiam compras esperando preços ainda menores, o consumo desacelera ainda mais, dificultando a recuperação da economia.
Períodos de recessão, aumento do desemprego, redução da renda e maior dificuldade para conseguir crédito também podem favorecer a deflação.
Com menos dinheiro circulando e menor confiança na economia, famílias priorizam apenas despesas essenciais. Como resultado, empresas vendem menos, reduzem investimentos e diminuem a produção.
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O senso comum dita que preços menores sempre beneficiam o consumidor, mas, na prática, uma queda prolongada dos preços pode trazer efeitos negativos para toda a economia, e afetar empresas, trabalhadores, famílias e até o governo. Por isso, economistas acompanham indicadores de deflação com atenção.
Com menos vendas, muitas empresas precisam reduzir custos. Isso pode significar:
Mesmo que alguns produtos fiquem mais baratos, a perda de renda pode comprometer o orçamento das famílias e reduzir ainda mais o consumo.
Outro efeito importante da deflação é o aumento do peso das dívidas no orçamento. Quando salários e receitas diminuem, parcelas de financiamentos e empréstimos com valores fixos passam a representar uma parte maior da renda mensal.
Por exemplo, imagine uma família que tem uma casa financiada e cuja renda caiu devido à redução da jornada de trabalho. Embora alguns preços estejam menores, a prestação do financiamento imobiliário continua a mesma. Assim, sobra menos dinheiro para alimentação, transporte e outras despesas essenciais.
O mesmo acontece com empresas que têm financiamentos: receitas menores dificultam o pagamento das obrigações financeiras e podem aumentar o risco de inadimplência.
Quando a economia apresenta sinais persistentes de deflação, autoridades econômicas podem adotar medidas para estimular o consumo, os investimentos e a geração de empregos. Estratégias que ajudam a combater a deflação incluem:
Todas essas medidas contribuem para reverter o ciclo negativo da deflação, fazendo com que a economia volte a crescer de forma mais saudável e equilibrada.
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Data de publicação 14 de agosto de 202614 minutos de leitura
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