Consórcio para viagem: entenda como funciona e se vale a pena
Consórcio para viagem: entenda como funciona e se vale a penaData de publicação 17 de março de 20268 minutos de leitura
Atualizado em: 10 de junho de 2026
Categoria CréditoTempo de leitura: 12 minutosTexto de: Time Serasa
O mercado financeiro brasileiro passa por constantes inovações para facilitar o acesso ao consumo. Entre as ferramentas mais populares, o "dinheiro de plástico" sempre reinou absoluto por meio do tradicional parcelamento sem juros. Contudo, nos últimos anos, uma nova modalidade surgiu nas telas das maquininhas de pagamento e nos aplicativos bancários, gerando curiosidade e muita confusão: o crediário no cartão de crédito.
A opção de dividir uma compra em 24, 36 ou até 48 meses pode parecer uma solução prática para adquirir um bem de alto valor. Porém, é importante estar atento à estrutura de cobrança de juros e impostos, que pode transformar a compra em um contrato de financiamento.
O crediário no cartão de crédito é uma linha de financiamento oferecida pelo banco emissor do cartão no exato momento de uma compra. Na prática, ele funciona como um empréstimo pessoal automático, aprovado diretamente na maquininha do lojista ou no ambiente de pagamento de uma loja virtual.
Ao selecionar essa opção, a administradora do cartão assume o pagamento integral do produto à vista para o lojista e passa a cobrar do comprador o valor fracionado em meses ou anos. A grande diferença para as modalidades tradicionais é que, como a administradora está adiantando os recursos em um prazo muito longo, ela embute uma taxa de juros específica para essa operação, que incidirá sobre o valor de cada parcela.
Essa modalidade foi criada para resgatar o antigo conceito do "carnê de loja", mas modernizado e centralizado na fatura do cartão, dispensando análises de crédito demoradas e o preenchimento de cadastros adicionais nas lojas físicas.
O maior risco para a organização financeira reside na confusão entre os diferentes tipos de parcelamento. É vital separar os conceitos.
Quando uma loja anuncia um produto em "10 vezes sem juros no cartão", o custo financeiro dessa operação (a taxa para adiantar o dinheiro) é absorvido pelo próprio lojista. Para o consumidor, o valor final pago na última parcela será exatamente o mesmo preço exibido na etiqueta. Não há acréscimos.
No crediário, a loja vende o produto como se fosse à vista. Quem decide parcelar a compra e cobrar juros é o banco emissor do cartão. Portanto, se um produto custa R$ 2.000 e o pagamento for feito pelo crediário em 24 meses, a soma de todas as faturas resultará em um valor muito superior (podendo chegar a R$ 3.000 ou mais, dependendo da taxa de juros). O custo sai do bolso do consumidor diretamente para o banco.
Outro ponto de forte confusão ocorre com o parcelamento da fatura. Embora ambos envolvam juros, as origens são diferentes.
Uma dúvida frequente diz respeito ao impacto dessas longas prestações no limite de compras disponível. A resposta varia de acordo com a política de cada instituição financeira.
A atratividade das prestações baixas mascara a soma dos encargos embutidos. Ao analisar um crediário no cartão de crédito, é imperativo observar a incidência de dois custos principais:
A união da taxa de juros e do IOF compõe o Custo Efetivo Total (CET). É exclusivamente para o CET que a atenção deve ser voltada na hora de tomar a decisão financeira.
Do ponto de vista da educação financeira, a resposta direta é: quase nunca. A facilidade extrema de contratar um empréstimo diretamente na tela da maquininha tem um preço, e ele costuma ser altíssimo.
O crediário no cartão só deve ser considerado como última alternativa em cenários muito específicos, como uma urgência médica inadiável ou a necessidade imediata de substituir um equipamento de trabalho essencial, situações nas quais não há tempo hábil para buscar crédito mais barato e o parcelamento comum da loja não atende à necessidade de prazo. Fora dos casos de urgência, essa modalidade pode comprometer o orçamento familiar devido aos custos elevados
Leia mais | Como fechar a fatura do cartão de crédito de forma correta
A constatação de que o crediário no cartão cobra taxas altíssimas não anula o fato de que, em muitos momentos, o cidadão precisa de dinheiro para viabilizar um projeto, adquirir um bem ou solucionar um imprevisto.
O crediário no cartão é apenas uma das diversas modalidades de empréstimo pessoal disponíveis na economia. Em vez de aceitar passivamente os juros ofertados no ato da compra, a atitude mais segura é realizar uma cotação ampla no mercado.
Linhas de crédito pessoal com garantia, empréstimos consignados ou até mesmo ofertas de crédito pessoal sem garantia em bancos concorrentes frequentemente apresentam um Custo Efetivo Total (CET) muito inferior ao do crediário da maquininha. Contratar um empréstimo por fora, receber o dinheiro na conta, pagar o lojista à vista (muitas vezes obtendo descontos) e assumir uma parcela menor no banco é o caminho da economia real.
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