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O que é crediário no cartão de crédito? Entenda como funciona a modalidade

Entenda a diferença entre as formas de parcelamento, os custos ocultos nas maquininhas e como comparar taxas para garantir a melhor opção de crédito.

Atualizado em: 10 de junho de 2026

Categoria CréditoTempo de leitura: 12 minutos

Texto de: Time Serasa

Cartão de crédito

O mercado financeiro brasileiro passa por constantes inovações para facilitar o acesso ao consumo. Entre as ferramentas mais populares, o "dinheiro de plástico" sempre reinou absoluto por meio do tradicional parcelamento sem juros. Contudo, nos últimos anos, uma nova modalidade surgiu nas telas das maquininhas de pagamento e nos aplicativos bancários, gerando curiosidade e muita confusão: o crediário no cartão de crédito. 

A opção de dividir uma compra em 24, 36 ou até 48 meses pode parecer uma solução prática para adquirir um bem de alto valor. Porém, é importante estar atento à estrutura de cobrança de juros e impostos, que pode transformar a compra em um contrato de financiamento.

Assista | 5 BENEFÍCIOS DO CARTÃO DE CRÉDITO

Afinal, o que é o crediário no cartão de crédito?

O crediário no cartão de crédito é uma linha de financiamento oferecida pelo banco emissor do cartão no exato momento de uma compra. Na prática, ele funciona como um empréstimo pessoal automático, aprovado diretamente na maquininha do lojista ou no ambiente de pagamento de uma loja virtual. 

Ao selecionar essa opção, a administradora do cartão assume o pagamento integral do produto à vista para o lojista e passa a cobrar do comprador o valor fracionado em meses ou anos. A grande diferença para as modalidades tradicionais é que, como a administradora está adiantando os recursos em um prazo muito longo, ela embute uma taxa de juros específica para essa operação, que incidirá sobre o valor de cada parcela. 

Essa modalidade foi criada para resgatar o antigo conceito do "carnê de loja", mas modernizado e centralizado na fatura do cartão, dispensando análises de crédito demoradas e o preenchimento de cadastros adicionais nas lojas físicas.

Crediário versus parcelamento comum

O maior risco para a organização financeira reside na confusão entre os diferentes tipos de parcelamento. É vital separar os conceitos.

Parcelamento comum (sem juros)

Quando uma loja anuncia um produto em "10 vezes sem juros no cartão", o custo financeiro dessa operação (a taxa para adiantar o dinheiro) é absorvido pelo próprio lojista. Para o consumidor, o valor final pago na última parcela será exatamente o mesmo preço exibido na etiqueta. Não há acréscimos.

Crediário no cartão (com juros)

No crediário, a loja vende o produto como se fosse à vista. Quem decide parcelar a compra e cobrar juros é o banco emissor do cartão. Portanto, se um produto custa R$ 2.000 e o pagamento for feito pelo crediário em 24 meses, a soma de todas as faturas resultará em um valor muito superior (podendo chegar a R$ 3.000 ou mais, dependendo da taxa de juros). O custo sai do bolso do consumidor diretamente para o banco.

Crediário no cartão versus parcelamento da fatura

Outro ponto de forte confusão ocorre com o parcelamento da fatura. Embora ambos envolvam juros, as origens são diferentes. 

  • Crediário no cartão: a negociação dos juros e das parcelas ocorre antes ou durante a compra do produto. É uma ação proativa e planejada. 
  • Parcelamento de fatura: ocorre depois que o ciclo de compras terminou. O consumidor percebe que não conseguirá pagar o valor total da fatura mensal e solicita ao banco a divisão do saldo devedor. Trata-se de uma ação reativa, geralmente com taxas de juros bem maiores que as do crediário da maquininha.

Como a operação afeta o limite de crédito?

Uma dúvida frequente diz respeito ao impacto dessas longas prestações no limite de compras disponível. A resposta varia de acordo com a política de cada instituição financeira. 

  1. 1 - Limite único compartilhado: na maioria dos casos, o valor total da compra financiada pelo crediário é subtraído do limite geral do cartão de crédito. Se o limite total é de R$ 5.000 e a compra no crediário (somando juros) totaliza R$ 3.000, sobrarão apenas R$ 2.000 para gastos cotidianos. O limite vai sendo liberado gradativamente à medida que as parcelas mensais são pagas. 
  2. 2 - Limite específico extra: alguns bancos e fintechs criaram um limite separado, exclusivo para a função de crediário. Nesses casos, o usuário pode manter o limite de compras intacto, utilizando apenas a cota pré-aprovada para o financiamento de longo prazo. Essa informação precisa ser verificada no aplicativo do banco antes da operação.

A matemática por trás: custos e encargos envolvidos

A atratividade das prestações baixas mascara a soma dos encargos embutidos. Ao analisar um crediário no cartão de crédito, é imperativo observar a incidência de dois custos principais:  

  • Taxa de juros: a remuneração cobrada pelo banco emissor. Essas taxas variam expressivamente, podendo oscilar de 2% a 8% ao mês, dependendo do perfil do cliente e da instituição. 
  • IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): por configurar uma operação de crédito, o governo federal exige a cobrança imediata do IOF. O imposto tem alíquota fixa de 0,38% sobre o valor total da operação, acrescida de uma alíquota diária (limitada a 3% ao ano). O IOF é diluído e cobrado dentro das parcelas mensais. 


A união da taxa de juros e do IOF compõe o Custo Efetivo Total (CET). É exclusivamente para o CET que a atenção deve ser voltada na hora de tomar a decisão financeira.

Vale a pena utilizar essa modalidade?

Do ponto de vista da educação financeira, a resposta direta é: quase nunca. A facilidade extrema de contratar um empréstimo diretamente na tela da maquininha tem um preço, e ele costuma ser altíssimo. 

O crediário no cartão só deve ser considerado como última alternativa em cenários muito específicos, como uma urgência médica inadiável ou a necessidade imediata de substituir um equipamento de trabalho essencial, situações nas quais não há tempo hábil para buscar crédito mais barato e o parcelamento comum da loja não atende à necessidade de prazo. Fora dos casos de urgência, essa modalidade pode comprometer o orçamento familiar devido aos custos elevados 


Leia mais | Como fechar a fatura do cartão de crédito de forma correta

A inteligência financeira e a busca por crédito barato

A constatação de que o crediário no cartão cobra taxas altíssimas não anula o fato de que, em muitos momentos, o cidadão precisa de dinheiro para viabilizar um projeto, adquirir um bem ou solucionar um imprevisto.  

O crediário no cartão é apenas uma das diversas modalidades de empréstimo pessoal disponíveis na economia. Em vez de aceitar passivamente os juros ofertados no ato da compra, a atitude mais segura é realizar uma cotação ampla no mercado. 

Linhas de crédito pessoal com garantia, empréstimos consignados ou até mesmo ofertas de crédito pessoal sem garantia em bancos concorrentes frequentemente apresentam um Custo Efetivo Total (CET) muito inferior ao do crediário da maquininha. Contratar um empréstimo por fora, receber o dinheiro na conta, pagar o lojista à vista (muitas vezes obtendo descontos) e assumir uma parcela menor no banco é o caminho da economia real.

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Com essas ferramentas, é possível comparar ofertas e evitar aceitar taxas de juros sem análise prévia. A tecnologia devolve o poder de decisão, assegurando que a obtenção de recursos ocorra por meio de condições mais justas e baratas do mercado, protegendo a integridade da renda e o futuro da família.

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Perguntas frequentes sobre modalidades de parcelamento

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