O Open Banking é o novo sistema financeiro que promete dar mais autonomia para o usuário e mais oferta de produtos e serviços. Conheça as funcionalidades do modelo e como ele pode modificar sua vida financeira.

O que é Open Banking?

Em tradução literal, Open Banking significa banco aberto ou sistema financeiro aberto. Isso quer dizer que o cliente terá maior controle de seus dados e poderá levá-los ou compartilhá-los com a instituição financeira que oferecer melhores opções e pacotes de serviços ou produtos.

Todas as instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central terão uma espécie de camada de tecnologia padronizada, facilitando e simplificando a comunicação entre as diferentes instituições.

Essa tecnologia é conhecida como API (Application Programming Interface) que em português significa Interface de Programação de Aplicativos. APIs são os padrões de programação de aplicativos, sites ou qualquer outra plataforma na internet. Dessa forma, quando o cliente quiser, ele poderá pedir que o banco compartilhe informações com outras instituições.

Mas e na prática, como funciona?

Imagine que durante 20 anos você manteve uma conta bancária no banco A, onde fazia todas as movimentações financeiras, pagava contas, fazia investimentos e obtinha crédito, sem nunca atrasar um único pagamento. Um cliente e tanto, certo? Certo dia, você precisa trocar de instituição financeira, mas ao migrar para o banco B não há histórico das suas movimentações e todas as vantagens e benefícios que você conquistou ao longo de duas décadas simplesmente não existiam mais.

Com o Open Banking esse tipo de situação está prestes a acabar. Esse sistema tem como uma de suas grandes vantagens, a facilidade de portabilidade entre as instituições participantes.

Assim, ao mudar de banco, o relacionamento que você tinha anteriormente é levado com você. A nova instituição poderá, com isso, oferecer serviços e produtos que mais se adequam ao seu perfil de forma simples e sem burocracia.

Alguns países, como Austrália e Índia também estão implantando o sistema, quase que simultaneamente ao Brasil. Já o Reino Unido foi o pioneiro e utiliza o programa desde 2018. Estados Unidos, Rússia e Canadá estão analisando formas de implantar o Open Banking em seus sistemas financeiros.

Consentimento no compartilhamento de dados

Cada país que implantar o Open Banking seguirá suas próprias regras para o compartilhamento de dados dos usuários, mas de modo geral, o objetivo é oferecer maior concorrência, transparência e eficiência para oferecer serviços e produtos financeiros aos clientes.

Os dados só poderão ser compartilhados se e quando o cliente autorizar e isso será feito por meio das APIs, que serão comuns às instituições participantes.

Com isso, a política de oferta de crédito e outros serviços será mais adequada ao perfil e segmento de usuário. Também será mais fácil comparar as opções desses serviços e produtos, por exemplo.

Veja abaixo alguns tipos de dados que poderão ser compartilhados por aqui, sempre com o consentimento do usuário:

• Dados pessoais: nome, CPF, CNPJ, telefone, endereço, etc;

• Dados transacionais: informações sobre renda, faturamento (no caso de empresas), perfil de consumo, capacidade de compra, conta corrente, etc;

• Dados sobre produtos e serviços utilizados: empréstimo pessoal, financiamento, etc.

Quais as vantagens do Open Banking?

O princípio básico do Open Banking é que os dados do consumidor são de sua propriedade e não do banco em que ele tem uma conta. Isso facilitaria e muito nossa vida enquanto cliente.

Retomando o exemplo inicial, na sua conta do banco A estão todas as suas informações financeiras, histórico de transações e, claro, se você é ou não um bom pagador.

Se você quiser pedir um empréstimo no banco B, onde você ainda não tem ou abriu recentemente uma conta, será burocrático e pode ser que você não consiga, pois o banco B não detém seu histórico e não sabe como eram suas transações financeiras.

Nessa situação, você acabará refém da instituição que tem acesso aos seus dados, sujeito a juros e outras taxas que estão disponíveis no banco em que você tem uma conta.
A grande vantagem do Open Banking está justamente aí: como o cliente será o detentor de suas informações e decidirá com quais instituições quer compartilhá-las, será mais fácil e simples saber qual delas oferecem o melhor serviço ou produto que procura. Isso vale não só para empréstimos, mas para diversas funções que bancos, fintechs e outras instituições de pagamento podem oferecer.

Não existe um modelo único de Open Banking e cada país montam o sistema da forma que mais corresponde à sua realidade. Mas algumas vantagens são unanimes e estão presentes em todos os modelos do sistema de banco aberto.

Liberdade autonomia e transparência: como a premissa do Open Banking é o compartilhamento de informações, ao mudar de banco ou buscar um serviço em outra instituição financeira, o cliente poderá compartilhar dados. Com isso, as informações não se perdem e pelo menos parte do seu histórico vai com você. Isso diminui a burocracia e a fidelização a uma única instituição.

Diminuição de custos: outro ponto chave do Open Banking é a API aberta, que possibilita a redução de custos e intermediários nas operações, tornando os processos mais ágeis e baratos.

Maior competividade: o consumidor terá mais opções de produtos e serviços, uma vez que as barreiras entre instituições que participam do sistema serão menores, o que aumentará a competividade entre elas para conquistar o cliente.

Proteção de dados: as regras para impedir o mau uso das informações dos clientes é uma das principais características do Open Banking, que deve ter regras e leis claras para proteger o sistema. Além disso, a possibilidade de cortar o acesso aos dados também deve ser simples para o cliente quando ele não quiser mais compartilhar informações para utilizar os serviços de uma instituição.

Monte seu próprio banco

Como falamos, com o Open Banking você terá o controle das suas informações bancárias e poderá decidir quando e com qual instituição quer compartilhá-las. O cliente não ficará preso a um único banco, quase como se pudesse montar “seu próprio banco”.

Você pode fazer um empréstimo no banco A, que tem taxas menores, investimentos na instituição B, que tem melhores condições, ter um cartão de crédito na Fintech C, que não cobra anuidade, e por aí vai. Isso, de acordo com o BC, vai priorizar a experiência do usuário e aumentar a concorrência entre as instituições participantes.

Como vai funcionar o Open Banking no Brasil?

O Banco Central dividiu a implantação do Open Banking no Brasil em quatro etapas. A primeira já começou e não envolve o compartilhamento de nenhum dado dos clientes.

Etapa 1: a primeira fase de implantação do Open Banking começou no dia 1/02. Ela inclui a abertura de dados das instituições participantes, serviços que serão oferecidos, como depósito, poupança, pagamento e operações de credito.

Etapa 2: Essa etapa começará no dia 15/07 e será quando o cliente poderá compartilhar seus dados pessoais de cadastro, como nome completo, CPF, CNPJ, telefone, endereço e os dados da sua conta referentes aos produtos e serviços. Lembrando que isso só acontecerá com a permissão do cliente.

Etapa 3: Com previsão de início para 30/08, nessa fase será possível fazer um pagamento fora do ambiente bancário. Os clientes também poderão compartilhar o histórico de informações e já terão acesso a alguns serviços, como pagamento e propostas de crédito.

Etapa 4: A última fase de implantação do Open Banking começará no dia 15/12 e é quando o compartilhamento de outras informações de produtos e serviços, como informações relacionadas a operação de câmbio, investimentos, seguros e previdência.

Quais instituições vão participar?

Uma das características mais importantes do Open Banking é a reciprocidade no compartilhamento de dados. Ou seja, as empresas que aderirem terão direito a receber dados dos concorrentes, mas também devem compartilha-los, quando os clientes permitirem.

De acordo com o Banco Central, apenas instituições regulamentadas pelo órgão poderão participar, mas algumas serão obrigadas a aderir ao Open Banking.

As instituições que tem porte acima de 1% do PIB ou que tem relevância internacional devem aderir ao modelo. Entre elas estão: Banco do Brasil, BNDES, Bradesco, Caixa Econômica, Citibank, Credit Suisse, Itaú e Santander.

Instituições de pagamentos e fintechs, como Mercado Pago, Nubank e Pic Pay, por exemplo, podem escolher se querem ou não participar do sistema.

Com a possibilidade de mais empresas participando do ecossistema financeiro, a tendência é que novas oportunidades de negócios sejam criados e que a concorrência entre as instituições fique maior. Assim, o cliente terá mais opções de produtos e serviços, provavelmente, mais baratos.

Consulte grátis o seu Serasa Score!

VEJA AGORA SUA PONTUAÇÃO.

Consulte grátis seu CPF e seu SCORE Comece agora uma nova vida financeira.

Consultar agora