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Entenda o ABC das criptomoedas: ativos, bitcoin e chain

O que são criptomoedas, quais os tipos existem e o que você precisa saber para entender o ABC deste universo. Confira no blog da Serasa!

colunista marlise brenol
Publicado em: 14 de junho de 2022.

Este texto é para embarcar você no mundo das criptomoedas. Para entender o que são, quais os tipos e como funciona, a proposta é dar um passo atrás. É o famoso beabá de um termo que, apesar de ter interesse crescente, ainda é restrito à bolha de investidores no Brasil. Para isso, vamos iniciar com a definição de três palavras que sintetizam o conceito: ativos, bitcoin e chain.

As criptomoedas são também conhecidas como criptoativos, porque elas são descentralizadas e circulam sem uma regulamentação de Estado. São, portanto, diferentes das moedas tradicionais, como o real brasileiro emitidas por uma autoridade financeira, o Banco Central do Brasil.
O ativo de cripto mais conhecido é chamado de bitcoin, mas existem outros. O valor do ativo é registrado e validado em uma lógica chamada blockchain, um sistema de banco de dados interligado a uma rede de computadores que garante o acesso dos investidores para produzir segurança mútua em bloco. Para que não haja duas negociações de um mesmo ativo, cada nova transação é verificada via blockchain.

Criptomoedas podem ser roubadas ou perdidas?

Como não há uma regulação central de uma autoridade monetária, não é possível manter garantias para os investidores. Há diversos riscos durante a operação e após a compra dos ativos. Como a moeda é materializada em um arquivo digital, caso ele seja perdido ou apagado, o investimento não é recuperável, é como perder uma nota de dinheiro impresso na rua.

A investidora Patricia Aielo conta que perdeu um arquivo de criptomoedas ao trocar de celular. “Eu salvei no meu celular e quando troquei de aparelho não encontrei mais. Foi bem no começo, eu era inexperiente, mas o risco existe”, conta Patrícia, que trabalha no mercado financeiro há 23 anos e acredita que as negociações de moedas virtuais mais seguras estarão no Metaverso.

Patrícia explica que o Metaverso é uma plataforma que reproduz transações e experiências do mundo físico no ambiente digital, onde já é possível comprar e vender ativos em troca de ingresso para eventos virtuais ou roupas para o seu avatar. Neste caso, o usuário ingressa em um mundo virtual e negocia na moeda própria de cada ambiente.

Portanto, a criptomoeda é um ativo popularizado pela bitcoin, o tipo mais conhecido, negociado em transações registradas e verificadas em um banco de dados descentralizado e interligado por computadores chamado blockchain, sem uma regulação de autoridade monetária. O arquivo precisa ser guardado em segurança pelo investidor, caso a segurança não esteja garantida, pode haver roubo ou perda do ativo.

Leia também | ETF de criptomoedas: entenda o que é e quando investir

Quais são os tipos de criptomoedas?

A rainha das criptomoedas é a bitcoin, mas existem diversos tipos e variações disponíveis no mercado. Conheça alguns destes tipos negociados em maior volume pelos usuários deste mercado.

BTC ou bitcoin

A bitcoin chega a ser usada como sinônimo de criptomoeda por ter sido o primeiro sistema de pagamentos global totalmente descentralizado. O contexto de surgimento do ativo “sem intermediários” foi a crise financeira puxada pela descapitalização dos bancos em 2008, quando ocorreu o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, momento só comparado à Grande Depressão de 1929.

Bitcoin Cash (BCH)

A BCH é uma nova versão da bitcoin criada em 2017. Ela foi desenvolvida para aperfeiçoar o primeiro ativo. As regras de funcionamento das duas também é parecida, inclusive com o mesmo limite de volume de 21 milhões moedas em circulação.

Ethereum

O ativo ETH, a Ethereum, é a variação do predecessor Ether. A moeda original sofreu um ataque hacker que resultou no roubo do equivalente a U$ 50 milhões em ether. A comunidade se uniu para recuperar o valor da moeda e em 2022 o ativo ETH vale mais do que o anterior Ether.

Tether

Lançada em 2014 por uma empresa com o mesmo nome do ativo, a Tether foi lançada como uma “stablecoin” porque se propôs a manter o lastro com a moeda norte americana, então está mais ligada ao mercado tradicional. A paridade com o dólar foi anunciada inicialmente na lógica de haver equivalência em dólar no caixa para cada Tether emitido. A proposta foi questionada porque a empresa não tornou o processo de estabilidade monetária transparente para a comunidade. Diante de críticas, a empresa afirmou que o ativo é 100% garantido por caixa, mas não necessariamente equivalente com o dólar.

Litecoin

A LTC ou lite coin foi criado em 2011 por um ex-funcionário da Google e segue a lógica da bitcoin, com a promessa de reduzir o tempo necessário para confirmar as transações feitas com a moeda por meio do blockchain. Ela tem objetivo de ser mais utilizada para operações no dia a dia, enquanto o bitcoin funcionaria mais como um ativo de reserva.

Como investir em criptomoedas no Brasil

Há diferentes formas de iniciar uma transação em criptomoedas, as mais comuns são a compra direta, fundo de investimentos e ETFs. Investir sozinho é possível, mas também demanda muito estudo e dedicação para entender como funciona a dinâmica de valorização e desvalorização do ativo que possui alta volatilidade, ou seja, muita variação de valor em curto espaço de tempo. Por isso, até mesmo atores do mercado financeiro tradicional começam a oferecer modalidades de investimento intermediadas por corretoras.

1. Compra direta

Este tipo de aquisição e negociação é para iniciados. É preciso entender a dinâmica do mercado para observar e compreender a volatilidade dos ativos que tem flutuação bastante acentuada. A variação é ainda maior do que a aplicação em bolsas de valores, por exemplo.

De acordo com um levantamento feito pelo Finder.com feito em abril de 2022, o Bitcoin pode encerrar o ano valendo R$ 65,1 mil – uma previsão otimista. Os investidores podem adquirir frações da moeda por preços menores, a partir de R$ 10, por exemplo, no Brasil na modalidade chamada peer-to-peer, ou seja, um vendedor entra em contato com o comprador e transaciona direto. Este é um caso no qual podem acontecer golpes, pois a negociação é na base da confiança entre as partes e pode acontecer o calote em alguma das pontas.

2. Fundos de investimento.

No Brasil, as corretoras de investimento oferecem opções de fundos com moedas digitais em criptomoedas. A diferença entre os fundos ofertados é a porcentagem de criptomoeda no total de investimento da carteira que compõe o fundo, o que varia de 20 a 100% da oferta.

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão estatal que regula o mercado de capitais no Brasil, há fundos regulados que não podem conter mais de 20% neste tipo de ativo, é o caso dos fundos do varejo. Por outro lado, os fundos que permitem 100% de investimento em cripto são para investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão investidos, além de certificações no mercado financeiro.

3. ETFs

A terceira opção de investimento são as aplicações em Exchange Traded Fund (ETFs), ou fundo de índice, que são basicamente os fundos de investimento negociados na bolsa de valores, como se fosse a compra de uma ação.

O chamado Hashdex Nasdaq Crypto Index (HASH11), gerido pela Hashdex, é negociado na Bolsa de valores brasileira e pode ser acessado por investidores em geral. Hoje já existem pelo menos cinco índices negociados no Brasil. Se o índice valoriza, a ETF também valerá mais. O contrário também é verdadeiro.

É seguro investir em criptomoedas?

O mercado de criptomoedas ainda está em processo de aceitação por parte dos investidores e de tomada de consciência pela população em geral. Então é necessário tomar alguns cuidados para iniciar neste segmento.

O grau de aceitação é um deles, há ainda pouca gente que conhece e utiliza a moeda digital, portanto poucas empresas aceitam as criptomoedas como forma de pagamento para serviços e produtos. Isto significa que a moeda é de difícil liquidez, funcionando mais como investimento de longo prazo.

A segurança das moedas também é um ponto de atenção, pois apesar de funcionar no sistema blockchain não há garantias do sistema financeiro para os casos de fraude e roubos no ambiente digital. A única regulação é feita pela CVM para a gestão dos fundos oferecidos por corretoras brasileiras, mas não diretamente para a emissão das moedas.

A investidora Patrícia acredita que a mudança cultural ainda será longa para que o investimento e as transações em criptomoedas se popularizem no Brasil, “o brasileiro tem um perfil investidor mais conservador, acredita muito nos bancos e precisa dos intermediários para se sentir seguro”, finaliza a administradora que hoje trabalha no banco de investimentos Modal, há 26 anos no mercado.

Portanto, antes de iniciar neste universo, o mais seguro é estudar, conhecer e acompanhar o mercado por um período. A consciência sobre os riscos e vantagens pode ser determinante para a decisão de acordo com o perfil de cada investidor.

Invista na sua segurança digital

As transações on-line, desde o investimento em criptomoedas até as carteiras digitais, exigem um cuidado extra com a segurança e a proteção de dados. O assunto tem sido uma pauta superimportante nos tempos atuais, já que com o aumento desse tipo de operação, os golpes na internet também cresceram.

Por isso, acompanhar o que acontece com os seus dados pode ajudar muito na segurança. Na Serasa, temos um serviço focado nisso: o Premium. Com ele, você consegue monitorar se houve vazamento dos seus dados na Dark Web, quem consultou o seu CPF, além de poder acompanhar variações no Score e bloqueá-lo para consultas.