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Investir em títulos públicos: como começar pelo Tesouro Direto

Com uma conta gov.br e pouco dinheiro, é possível emprestar ao governo, receber o valor de volta com juros e escolher o título pelo objetivo.

Publicado em: 29 de outubro de 2026

Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 15 minutos

Texto de: Time Serasa

close-up de homem de negócios  vestindo terno azul, sentado atrás da mesa, empilhando moedas, calculadora, cofrinho e cubos de madeira

Investir em títulos públicos significa emprestar dinheiro ao governo federal e receber o valor de volta com juros. O Tesouro Direto permite comprar esses títulos pela internet, com aplicações a partir de valores baixos. Há opções para diferentes objetivos, da reserva de emergência à aposentadoria.

O que são títulos públicos e como eles funcionam

Título público é um papel de dívida emitido pelo Tesouro Nacional para financiar as despesas do governo federal. O dinheiro volta no vencimento, com os juros contratados, ou antes, se o investidor vender o título pelo preço de mercado do dia.

O Tesouro Direto é o programa do Tesouro Nacional que permite a pessoas físicas comprar esses papéis pela internet. A operação é feita em parceria com a B3, a bolsa de valores brasileira. Todos os títulos têm a garantia do Tesouro Nacional e, por isso, são considerados de baixo risco de crédito.

Cada título reúne três informações. O indexador define como o rendimento é calculado, a taxa mostra quanto o papel paga e o vencimento indica a data de devolução do dinheiro.


Tesouro Selic, IPCA+ e Prefixado: qual escolher?

A escolha depende do prazo. O Tesouro Selic serve para o dinheiro que pode ser usado a qualquer momento. O IPCA+ protege metas longas contra a inflação, e o Prefixado mostra, já na compra, quanto será pago no vencimento.

  • ● O Tesouro Selic acompanha a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. O nome vem do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, em que os títulos públicos são registrados. O preço oscila pouco, por isso o título costuma ser usado na reserva de emergência.

  • ● O Tesouro IPCA+ paga uma taxa fixa mais a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Há também uma versão que paga juros a cada seis meses.

  • ● O Tesouro Prefixado tem a taxa definida no momento da compra, com versão que também paga juros semestrais.


TítuloPerfil indicadoLiquidezRisco no resgate antecipadoObjetivo recomendado
Tesouro SelicQuem está começando ou precisa de acesso rápido ao dinheiroDiáriaBaixo, com pequena oscilação de preçoReserva de emergência e metas de curto prazo
Tesouro IPCA+Quem pode manter o dinheiro aplicado por muitos anosDiária, pelo preço de mercadoMaior em vencimentos longos, com possibilidade de perdaAposentadoria e metas de longo prazo
Tesouro PrefixadoQuem quer saber, na compra, quanto vai receberDiária, pelo preço de mercadoModerado, maior em vencimentos longosMetas de médio prazo com data certa, como a entrada de um imóvel

As características do Tesouro Selic e do Tesouro Prefixado ajudam a decidir qual opção atende a cada meta. O programa também oferece títulos com finalidades específicas, como o Tesouro RendA+ (voltado à aposentadoria), o Tesouro Educa+ (para custeio de estudos) e o Tesouro Reserva.


Como investir no Tesouro Direto pelo celular

O cadastro e a compra podem ser feitos no navegador do celular, com login da conta gov.br e pagamento por Pix. É preciso ter conta gov.br nível prata ou ouro e uma conta bancária para a transferência.

  1. Acesse a página de abertura de conta do Tesouro Direto pelo navegador do celular.

  2. Faça login com a conta gov.br e confirme os dados pedidos no cadastro.

  3. Escolha uma das instituições financeiras habilitadas, banco ou corretora, para vincular à conta. Confira se a instituição cobra taxa de administração.

  4. Simule o investimento na calculadora do Tesouro Direto para comparar títulos, prazos e valores.

  5. Escolha o título, informe o valor e confirme a compra.

  6. Toque no botão "Pagar com Pix" e conclua o pagamento pelo aplicativo do banco.

  7. Pronto! Agora é possível acompanhar o saldo, os rendimentos e os resgates pelo Portal do Investidor do Tesouro Direto.

Quem já tem conta em banco ou corretora habilitada também pode comprar os títulos pelo aplicativo da própria instituição, na área de investimentos.

Assista | Como investir no Tesouro Direto - Serasa Ensina

Quanto rende investir em títulos públicos com pouco dinheiro

O rendimento depende do título, da taxa do momento e do prazo. Começar com pouco é possível, pois desde novembro de 2024 não existe mais o valor mínimo fixo de R$ 30.

A compra é feita em frações de 1% do preço do título, e por isso o valor de entrada muda conforme o papel. Títulos com preço unitário mais alto, como o Tesouro Selic, pedem uma aplicação inicial maior. No Tesouro Reserva, o mínimo é de R$ 1.

A simulação abaixo considera R$ 5.000 aplicados por 12 meses no Tesouro Selic. O cálculo utiliza como referência a Selic de 13,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em setembro de 2026, mantida constante no período estipulado.

ItemValor estimado
Valor aplicadoR$ 5.000
Rendimento bruto em 12 mesesR$ 687,50
Imposto de Renda (17,5%, pois o prazo passa de 360 dias)R$ 120,31
Taxa de custódiaIsenta (Tesouro Selic até R$ 10.000)
Valor final líquidoR$ 5.567,19

Os valores são uma estimativa simplificada. O resultado muda conforme a Selic ao longo do período e o preço do título no dia da compra. Outra simulação, com R$ 1.000 aplicados no Tesouro Direto, mostra como o tipo de título altera o resultado.

Antes de começar, convém olhar para as dívidas em aberto. Os juros do rotativo do cartão e do cheque especial costumam superar o rendimento de qualquer título público. Nesses casos, organizar o pagamento das dívidas tende a trazer mais vantagem do que investir.


Imposto de Renda e taxas: o que é descontado do rendimento

Sobre os títulos públicos incidem o Imposto de Renda (IR), retido na fonte, e a taxa de custódia da B3. Em resgates feitos em menos de 30 dias, também há Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Os impostos incidem apenas sobre o rendimento.

O IR segue uma tabela regressiva, ou seja, a alíquota diminui conforme o dinheiro fica mais tempo aplicado. O prazo é contado a partir da data de liquidação da compra.

Prazo da aplicaçãoAlíquota de Imposto de Renda (IR)
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

O que acontece ao resgatar um título antes do vencimento

O Tesouro Nacional recompra os títulos diariamente, mas pelo preço de mercado do dia. Assim, quem vende antes do vencimento pode receber mais ou menos do que a rentabilidade contratada.

Essa variação diária no preço se chama marcação a mercado. Quando as taxas de juros sobem depois da compra, os títulos prefixados e atrelados ao IPCA perdem valor. Quando as taxas caem, esses papéis se valorizam. No Tesouro Selic, a oscilação costuma ser pequena.

Um Tesouro IPCA+ de longo prazo vendido em um período de alta dos juros pode render menos do que o previsto. Em alguns casos, pode até devolver menos do que o valor aplicado. Já quem mantém o título até o vencimento recebe a rentabilidade acordada na compra.

A venda antecipada também pesa nos custos. O IR segue a alíquota do prazo aplicado, e o IOF entra em resgates com menos de 30 dias. Por isso, a recomendação é escolher um vencimento próximo da data em que o dinheiro será usado.

Diferença entre títulos públicos e poupança

Com a Selic acima de 8,5% ao ano, os títulos atrelados à taxa básica tendem a render mais que a poupança, mesmo com o IR. Em compensação, a poupança é isenta de imposto para pessoa física.

Nesse patamar de juros, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Se a Selic cair para 8,5% ao ano ou menos, o rendimento passa a ser de 70% da Selic mais a TR. O crédito acontece a cada 30 dias, na data de aniversário do depósito.

No mesmo exemplo de R$ 5.000 por 12 meses, a poupança chegaria a cerca de R$ 5.417. O cálculo considera a TR perto de 0,17% ao mês, patamar dos últimos meses. O Tesouro Selic, já descontado o IR, chegaria a cerca de R$ 5.567.

CaracterísticaTítulos públicosPoupança
RendimentoDepende do título (Selic, IPCA ou taxa fixa)0,5% ao mês + TR, com a Selic acima de 8,5% ao ano
Imposto de RendaTabela regressiva, de 22,5% a 15%Isenta para pessoa física
GarantiaTesouro NacionalFundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro dos limites do fundo
Crédito do rendimentoAcumulado a cada dia útilA cada 30 dias, no aniversário
Valor mínimoFração de 1% do título (R$ 1 no Tesouro Reserva)Sem valor mínimo

Tesouro IPCA+ é uma boa opção para a aposentadoria?

Pode ser, para quem consegue deixar o dinheiro aplicado até o vencimento. O título acompanha a inflação, o que preserva o poder de compra, e ainda soma uma taxa fixa contratada na compra.

Para esse objetivo, o indicado é escolher um vencimento próximo da data planejada para a aposentadoria. Assim, a marcação a mercado deixa de pesar, e o IR fica na menor alíquota, de 15%.

A versão com juros semestrais paga parte do rendimento a cada seis meses. Ela atende quem busca uma renda periódica, mas antecipa a cobrança de IR sobre esses juros.

Quem planeja receber uma renda mensal no futuro pode considerar o Tesouro RendA+, título voltado para a aposentadoria. Após a fase de acúmulo do dinheiro, o valor investido é devolvido em 240 parcelas mensais (20 anos) com correção da inflação pelo IPCA.


Organize suas finanças para começar a investir

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Perguntas frequentes sobre investir em títulos públicos

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