Grupo de compras no WhatsApp: como usar com segurança
Grupo de compras no WhatsApp: como usar com segurançaData de publicação 29 de setembro de 20267 minutos de leitura
Publicado em: 29 de setembro de 2026
Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 14 minutosTexto de: Time Serasa
É comum ouvir, nos noticiários de economia, que o Banco Central fez um leilão de swap cambial para conter a alta do dólar, mas nem sempre fica claro, de forma simples, o que é swap cambial e por que ele importa.
O mecanismo, porém, é mais simples do que parece: o Banco Central e as instituições financeiras que participam do leilão trocam apenas resultados financeiros relacionados à variação do dólar e de uma taxa de juros, sem que nenhuma moeda estrangeira mude fisicamente de mãos. Uma decisão tomada pelo Banco Central pode repercutir na cotação do dólar e afetar quem acompanha o câmbio para viajar, comprar produtos importados ou entender por que a moeda sobe ou cai.
A palavra swap vem do inglês e significa troca. No mercado financeiro, um contrato de swap é um acordo para trocar a rentabilidade de dois indicadores durante determinado período.
No swap cambial do Banco Central, uma das pontas está ligada à variação do dólar, enquanto a outra considera uma taxa de juros em reais. O Banco Central se compromete a pagar ao detentor do contrato a variação do dólar acrescida do cupom cambial (uma taxa de juros em dólar, que remunera aplicações atreladas à moeda americana) e recebe a variação da taxa de juros doméstica, como a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Não há compra ou venda física de dólares na operação.
O objetivo é reduzir oscilações excessivas do dólar e garantir que haja proteção cambial disponível para quem precisa negociar. Empresas e instituições financeiras também podem usar swaps para fazer hedge cambial, ou seja, se proteger contra perdas causadas pela variação do dólar. Uma empresa com dívida em dólar, por exemplo, pode contratar um swap para receber a variação da moeda caso ela suba. Assim, o valor recebido compensa o aumento da dívida em reais.
O funcionamento pode ser entendido com um exemplo fictício. Suponha um contrato de swap cambial tradicional com vencimento em 90 dias, no qual o dólar esteja cotado a R$ 5 no início da operação.
Se, ao final do contrato, o dólar estiver cotado a R$ 5,50, a instituição financeira que comprou o contrato no leilão recebe do Banco Central um valor correspondente à alta do dólar no período (10%, neste exemplo), acrescida do cupom cambial. Em contrapartida, essa instituição paga ao Banco Central o valor correspondente à variação da taxa de juros em reais no mesmo período. Na liquidação, as duas pontas são comparadas, e apenas a diferença é paga, em reais.
Não há troca física de dólares em nenhum momento. A operação é liquidada financeiramente, em reais. Os contratos são registrados na B3, a bolsa de valores brasileira, e o valor de cada posição é recalculado diariamente conforme o dólar e os juros, processo chamado de marcação a mercado. Nos contratos com ajuste diário, os ganhos e as perdas desse recálculo são pagos em reais a cada dia, em vez de se acumularem até o vencimento.
O Banco Central também pode realizar leilões de swap cambial para rolar contratos próximos do vencimento, ou seja, substituí-los por novos contratos em vez de encerrar a operação. A frequência e o volume dessas operações variam de acordo com as condições do mercado e os objetivos da autoridade monetária.
O Brasil adota, desde 1999, o regime de câmbio flutuante, no qual o preço do dólar é definido principalmente pela oferta e demanda do mercado. Ainda assim, oscilações bruscas na cotação podem gerar instabilidade e pressionar a inflação, já que produtos e insumos cotados em dólar ficam mais caros quando a moeda sobe.
Nesses momentos, o Banco Central pode intervir por meio do swap cambial para sinalizar ao mercado que está disposto a atuar sobre o câmbio, sem precisar vender dólares físicos das reservas internacionais. A simples sinalização de que haverá leilão já costuma ajudar a reduzir a volatilidade, ou seja, a intensidade das oscilações da cotação.
Além do swap, o Banco Central também pode recorrer ao leilão de dólar à vista, que envolve a venda direta da moeda estrangeira. A escolha entre os dois instrumentos depende do objetivo da intervenção e do tamanho do impacto pretendido.
No swap cambial tradicional, o Banco Central paga a variação cambial do período e recebe a taxa de juros combinada. Na prática, o efeito é parecido com o de vender dólares para entrega em uma data futura: o Banco Central assume o risco de alta da moeda no lugar do mercado. Essa modalidade é utilizada quando a autoridade monetária quer conter a alta do dólar e oferecer proteção cambial ao mercado.
Já no swap cambial reverso, a lógica se inverte: o Banco Central passa a receber a variação cambial e a pagar a taxa de juros. Na prática, o efeito é parecido com o de comprar dólares para entrega em uma data futura: o Banco Central assume o risco de queda da moeda. Essa modalidade é usada quando a moeda americana apresenta quedas acentuadas ou quando o Banco Central deseja reduzir o estoque de contratos de swaps tradicionais em circulação.
Os dois formatos funcionam como ferramentas complementares para atuar em direções opostas do câmbio, conforme as necessidades da economia.
Em um contrato de swap cambial tradicional, a instituição financeira ou empresa que compra a proteção contra a alta do dólar ganha quando a moeda sobe mais que a taxa de juros combinada. Se o dólar subir menos que essa taxa, ou cair, quem sai ganhando é o Banco Central, que vendeu a proteção.
Retomando o exemplo anterior: o dólar subiu de R$ 5 para R$ 5,50 durante o contrato. A instituição que comprou o contrato no leilão ganhou a diferença entre a alta do dólar e a taxa de juros do período, e o Banco Central, nesse caso específico, foi quem pagou.
Isso significa que o Banco Central pode registrar um resultado financeiro negativo em um contrato específico de swap. Esse é o preço para atuar como estabilizador do câmbio, e o resultado de cada operação costuma ser avaliado no conjunto das intervenções, não contrato a contrato.
O volume de contratos oferecido em um leilão costuma influenciar a cotação do dólar no mesmo dia, principalmente pelo efeito de sinalização. Quando o mercado entende que o Banco Central está disposto a atuar com força, a pressão de alta sobre a moeda tende a diminuir.
Esse movimento se reflete na cotação do dólar comercial, usada como referência para operações entre empresas e para o cálculo de outras cotações do dia a dia, como o dólar turismo.
O swap cambial é apenas um entre vários fatores que movem o câmbio, ao lado de decisões de juros nos Estados Unidos, fluxo de capital estrangeiro e notícias sobre a economia brasileira. Por isso, o efeito de um leilão específico pode ser temporário se outros fatores pressionarem o dólar na direção oposta.
Não. Diferentemente do leilão de dólar à vista, em que o Banco Central vende moeda estrangeira das reservas internacionais, o swap cambial é liquidado apenas financeiramente, em reais, na data de vencimento do contrato.
Como não há entrega física de dólares em nenhum momento, o volume das reservas internacionais do país permanece intacto após uma operação de swap. É essa característica que permite ao Banco Central atuar em grande volume no câmbio sem reduzir o colchão de segurança formado pelas reservas.
Essa distinção costuma gerar confusão porque as duas ferramentas aparecem juntas nas notícias sobre intervenção cambial, mas seus efeitos sobre o caixa em moeda estrangeira do país são bem diferentes.
Fundos de investimento com parte da carteira em ativos ou dívidas atreladas ao dólar também usam contratos de swap para reduzir o risco de oscilações bruscas na cotação. A lógica é semelhante à do Banco Central: trocar a exposição à variação cambial por um indicador mais previsível.
Fundos multimercado e fundos que mantêm parte do patrimônio em moedas estrangeiras para proteger a carteira costumam recorrer a esse tipo de operação. O objetivo não é especular sobre a alta ou a baixa do dólar, mas reduzir a volatilidade do resultado final da carteira.
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