Cobrança abusiva: o que diz o CDC e como se proteger
Cobrança abusiva: o que diz o CDC e como se protegerData de publicação 13 de outubro de 202611 minutos de leitura
Publicado em: 13 de outubro de 2026
Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 12 minutosTexto de: Time Serasa
Quem tem criptoativos parados na carteira às vezes se pergunta se dá para fazer esse dinheiro render sem vender nada. O staking é uma das respostas do mercado a essa pergunta, e entender como ele funciona evita decisões precipitadas.
O staking consiste em comprometer criptoativos com a validação de uma blockchain de prova de participação. Em algumas redes, esses ativos ficam bloqueados por um período.
O processo lembra, guardadas as diferenças, uma aplicação financeira de renda variável. O retorno depende do desempenho da rede e do preço do ativo, não de uma taxa fixa contratada de antemão. Para quem já tem criptoativos, o staking é uma forma de colocá-los para render, com uma lógica de risco diferente da renda fixa e de outras aplicações financeiras tradicionais.
Existem três caminhos principais para fazer staking. O primeiro é rodar um validador próprio, mais técnico e caro. O segundo é delegar os ativos a um validador de terceiros pela própria carteira. O terceiro é usar o staking oferecido por uma corretora, que costuma ser o mais simples para quem está começando.
Staking e mineração resolvem o mesmo problema (validar transações sem depender de um intermediário central) por caminhos diferentes. A mineração usa a prova de trabalho (proof of work, PoW), sistema em que computadores competem para resolver cálculos complexos e gastam energia elétrica proporcional a essa disputa. É o modelo do Bitcoin.
O staking usa a prova de participação (proof of stake, PoS). Em vez de poder computacional, o que garante o direito de validar transações é a quantidade de criptoativos bloqueada na rede. Isso reduz drasticamente o consumo de energia e elimina a necessidade de hardware especializado, o que explica por que redes como Ethereum, Solana e Cardano adotaram esse modelo.
A escolha depende do quanto o investidor quer abrir mão de simplicidade em troca de mais controle sobre os próprios ativos.
Na corretora, o staking costuma ser feito com poucos cliques. O ativo fica sob custódia da plataforma, que cuida da parte técnica e desconta uma taxa de administração sobre as recompensas. É o caminho mais simples para quem está começando ou não quer lidar com carteiras próprias. A contrapartida é depender da corretora para acessar os ativos. Se ela quebrar ou bloquear saques, o investidor pode perder o acesso ao que estava custodiado, como aconteceu no caso da FTX, em 2022.
Na carteira própria (autocustódia), o investidor mantém a posse direta dos ativos e delega o staking a um validador de sua escolha, geralmente com taxas menores. Em compensação, exige mais familiaridade com carteiras digitais, chaves privadas e os riscos específicos de cada protocolo.
Em muitas redes, o principal risco técnico do staking é o slashing, penalidade aplicada pela própria rede quando o validador (ou o validador escolhido pelo participante) age de forma incorreta ou fica indisponível por tempo demais. Nesses casos, uma parte dos ativos bloqueados pode ser confiscada automaticamente pelo protocolo. Nem todas as redes aplicam essa penalidade. A Cardano, por exemplo, não tem slashing.
Esse risco existe mesmo para quem delega os ativos a terceiros. A escolha de um validador confiável e com bom histórico reduz a chance de sofrer slashing, mas não afasta o risco por completo.
Há também o risco de mercado, que é o mesmo de qualquer aplicação de renda variável. O preço do ativo pode cair mais do que a recompensa recebida em staking consegue compensar. Além disso, muitos protocolos exigem um período de carência (unbonding) para resgatar o valor bloqueado, o que reduz a liquidez durante esse intervalo.
O liquid staking nasceu justamente para contornar essa falta de liquidez. Ao fazer staking por meio de um protocolo de liquid staking, o participante recebe um token equivalente (como o stETH, referente ao ETH em staking) que representa o valor bloqueado e continua acumulando as recompensas do staking, descontada a taxa cobrada pelo protocolo.
Esse token pode ser negociado, usado como garantia em outros protocolos ou vendido sem precisar esperar o período de carência da rede original, desde que haja compradores para ele. A contrapartida são riscos adicionais. O preço desse token pode se descolar do preço do ativo original em momentos de estresse do mercado, movimento chamado de depeg. E, como o liquid staking funciona por meio de contratos inteligentes, falhas ou ataques ao protocolo podem causar perdas.
A rentabilidade do staking varia conforme a rede, a quantidade total de ativos já em staking e as condições de mercado, e não é garantida por nenhum protocolo. Os números abaixo são faixas aproximadas observadas em 2026 e mudam com frequência.
| Rede | Faixa de rentabilidade anual (APY) | Característica principal |
|---|---|---|
| Ethereum | de 2,8% a 3,5% | rentabilidade mais baixa, mas rede mais consolidada |
| Solana | de 5,5% a 8% | rentabilidade mais alta, ligada à inflação própria da rede |
| Cardano | de 3% a 6% | staking simples, sem exigência de valor mínimo |
Faixas de rentabilidade sujeitas a mudança conforme o número de validadores ativos e as condições de cada rede; não representam garantia de retorno futuro. Os percentuais indicam o aumento na quantidade de tokens, não o rendimento em reais, que depende do preço do ativo. Em redes com inflação alta, como a Solana, parte da recompensa apenas compensa a emissão de novos tokens.
Para quem já monta uma carteira de investimentos diversificada, o staking tende a ocupar a fatia de maior risco e maior potencial de oscilação, ao lado de outros ativos de renda variável.
A Receita Federal ainda não tem uma regra específica para recompensas de staking. Uma interpretação comum no mercado é declarar os criptoativos recebidos na ficha Bens e Direitos, no Grupo 08 (Criptoativos), com custo de aquisição zero, e apurar o imposto só na venda. Como existem entendimentos diferentes, é recomendável confirmar o tratamento com um contador.
Na venda, a regra depende de onde os criptoativos estão custodiados. Em plataformas no Brasil, vendas de até R$ 35.000 no mês são isentas, e o ganho acima desse limite é tributado com alíquotas de 15% a 22,5%. Em plataformas no exterior, vale a Lei 14.754/2023, com alíquota de 15% sobre o ganho e sem a isenção mensal.
Além disso, quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda e possui, em 31 de dezembro, criptoativos com custo de aquisição igual ou superior a R$ 5.000 por tipo de ativo precisa informá-los na declaração anual, mesmo sem ter vendido nada. As orientações atualizadas estão na página da Receita Federal sobre criptoativos.
Escolha uma corretora regulamentada ou uma carteira própria compatível com a rede desejada.
Verifique se o ativo que já está na carteira aceita staking direto ou exige conversão para outro token.
Compare a taxa de administração cobrada pela plataforma e o histórico do validador, quando houver escolha de validador.
Confirme o período de carência para resgate antes de bloquear o valor.
Ative o staking na plataforma escolhida e acompanhe as recompensas recebidas para fins de declaração futura.
Pronto! A partir daí, é possível acompanhar periodicamente as recompensas e o desempenho do validador até o momento de resgatar ou vender os ativos.
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Data de publicação 13 de outubro de 202611 minutos de leitura
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