Planejamento tributário de pessoa física: como reduzir o IR le...
Planejamento tributário de pessoa física: como reduzir o IR legalmenteData de publicação 29 de outubro de 202619 minutos de leitura
Publicado em: 13 de outubro de 2026
Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 11 minutosTexto de: Time Serasa
A forma de investir já passou por várias transformações. Os títulos em papel deram lugar ao registro eletrônico, e as ordens por telefone, ao home broker e aos aplicativos. A tokenização de ativos é o passo mais recente dessa digitalização.
Segundo levantamento do RWA Monitor, o mercado brasileiro de ativos tokenizados movimentou mais de R$ 4,8 bilhões em emissões no primeiro semestre de 2026. O crescimento foi superior a 122% frente ao mesmo período do ano anterior.
O termo ainda soa distante do dia a dia de boa parte dos investidores, mas o conceito por trás dele é simples. Entenda o que é tokenizar ativos, como funciona a precificação de um token e quais critérios ajudam a avaliar se uma plataforma de tokenização é confiável.
Tokenizar um ativo é registrar, em uma rede blockchain, direitos associados a ele por meio de tokens. O bem em si continua existindo como antes. O que passa a ser registrado em tokens são os direitos financeiros ligados a ele, como a participação em uma receita ou em um crédito a receber, conforme a estrutura de cada oferta. A rede blockchain funciona como um livro de registros distribuído entre vários computadores. Isso permite registrar e rastrear as transações de forma compartilhada e dificulta alterações indevidas nos registros já confirmados.
Os direitos associados a um imóvel, a um lote de recebíveis ou a uma participação societária podem ser divididos em centenas ou milhares de tokens. Cada token corresponde a uma fração desses direitos, o que permite negociar partes menores do que o valor total do ativo.
Por isso, a tokenização não é um tipo de investimento, e sim uma forma de emitir e registrar ativos. Os tipos de investimentos financeiros continuam os mesmos. O que muda é a infraestrutura usada para emitir, registrar e negociar esses ativos, que se aproxima do ritmo das transações digitais.
A tokenização de ativos reais é conhecida pela sigla em inglês RWA (Real World Assets). Ela registra em blockchain direitos associados a bens ou ativos financeiros do mundo real, como um imóvel, um recebível ou uma participação em empresa. Isso é diferente de uma criptomoeda como o bitcoin, que não está associada a nenhum bem.
Alguns exemplos ajudam a entender.
A regulação também depende do direito registrado, e não da tecnologia. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) supervisiona a oferta quando o token é classificado como valor mobiliário e distribuído ao público. Nem todo token de RWA se enquadra nessa categoria, o que reforça a importância de checar a natureza jurídica de cada oferta.
Registrar direitos sobre ativos em blockchain não muda o bem que está por trás do token, mas pode trazer ganhos para quem investe. A tokenização pode ampliar a liquidez, porque permite dividir esses direitos em frações negociáveis em plataformas digitais, desde que exista mercado para esses tokens. Muitas vezes, isso ocorre com menos burocracia do que uma venda tradicional. A eficiência também pode melhorar, pois o registro em blockchain reduz etapas manuais e intermediários na compra e na venda.
Outro ganho está na transparência das operações. Cada movimentação fica registrada de forma difícil de alterar, o que facilita a auditoria e a rastreabilidade do histórico daquele token. Soma-se a isso a possibilidade de negociação fora do horário comercial tradicional.
Para quem já conhece investimentos em ativos mais tradicionais, a diferença está no formato de emissão e registro. São o ativo por trás do token e as condições da oferta que definem os riscos e o potencial de retorno.
Não existe uma cotação fixa e universal para um token. O valor de cada fração digital depende do valor total do ativo que serve de lastro. Depende também da quantidade de partes em que esses direitos foram divididos.
Se os direitos associados a um imóvel avaliado em R$ 1 milhão forem divididos em 10 mil tokens, cada fração sai por R$ 100 na emissão. Divididos em 100 mil tokens, cada fração sai por R$ 10.
Depois da emissão inicial, o preço de negociação de um token no mercado secundário também pode variar. A oferta e a procura por aquele ativo específico influenciam o preço, de forma parecida com uma cota de fundo imobiliário.
Por isso, comparar o valor de um token isoladamente não ajuda a avaliar se o investimento faz sentido. É preciso considerar o ativo por trás dele e as condições da oferta.
Antes de investir em qualquer oferta de tokenização, alguns critérios ajudam a reduzir o risco de cair em uma oferta fraudulenta ou mal estruturada.
Confirmar o enquadramento regulatório: verificar se a oferta envolve valor mobiliário e se está registrada na CVM ou formalmente dispensada de registro.
Ler os documentos da oferta: analisar o prospecto ou o material de informações da oferta para entender quais direitos o token dá, qual ativo está por trás dele e quais são os riscos declarados.
Desconfiar de promessas de ganhos garantidos: ofertas que prometem rentabilidade fixa muito acima da média do mercado são um sinal frequente de fraude.
Proteger as chaves de acesso: manter senhas e credenciais de custódia em ambiente seguro ajuda a evitar invasões e perdas de ativos.
Esse cuidado vale para qualquer oferta de ativos digitais, tokenizados ou não. A CVM tem ampliado a atenção regulatória sobre o tema. Em julho de 2026, criou a Divisão de Tecnologia Financeira (DITEC), que dá suporte ao projeto de tokenização de valores mobiliários e à próxima rodada do sandbox regulatório, ambiente de testes para novos modelos de oferta.
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Novas formas de emitir e registrar ativos não mudam o ponto de partida de quem quer investir, que é uma base financeira organizada. Entender o próprio orçamento, os hábitos de gasto e o comprometimento da renda com dívidas ajuda a decidir com mais segurança quanto faz sentido investir.
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