Empréstimo para viagens: saiba como planejar sem se endividar
Empréstimo para viagens: saiba como planejar sem se endividarData de publicação 9 de outubro de 202611 minutos de leitura
Atualizado em: 20 de outubro de 2026
Categoria CréditoTempo de leitura: 17 minutosTexto de: Time Serasa
Renovar consignado significa quitar o contrato atual com um novo empréstimo, em geral mais longo, que pode liberar um valor extra na conta. A operação pode aliviar o orçamento ou encarecer a dívida, conforme a taxa, o prazo e o cuidado com golpes durante a negociação.
O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito com parcelas descontadas diretamente do salário ou do benefício. Como o desconto é automático, o risco para a instituição financeira é menor, e os juros costumam ser mais baixos.
Podem contratar a modalidade aposentados e pensionistas do INSS, beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), servidores públicos, militares e trabalhadores com carteira assinada, pelo consignado CLT.
A renovação, chamada de refinanciamento ou "refin", troca o contrato em andamento por um novo, sempre na mesma instituição financeira. O banco usa parte do valor do novo empréstimo para quitar o saldo devedor do contrato atual, que deixa de existir.
O novo contrato traz condições próprias de prazo, taxa de juros e valor. Em geral, a renovação segue um de dois caminhos. No primeiro, a parcela é mantida e a diferença entre o novo valor e a dívida antiga é liberada como troco. No segundo, o prazo é alongado para reduzir a parcela. Em ambos os casos, a operação depende da aprovação do banco e começa uma nova contagem de parcelas.
No refinanciamento, o contrato é renegociado com o mesmo banco. Na portabilidade, o saldo devedor é transferido para outra instituição, em busca de uma taxa de juros menor. Só o refinanciamento libera troco. Na portabilidade, o novo contrato fica limitado ao saldo devedor e ao prazo restante do contrato original, conforme as regras do Conselho Monetário Nacional (CMN).
| Refinanciamento | Portabilidade | |
|---|---|---|
| Onde acontece | Na mesma instituição do contrato atual | Em outra instituição, que quita o contrato anterior |
| Objetivo mais comum | Liberar troco ou reduzir a parcela com prazo maior | Reduzir a taxa de juros |
| Troco | Possível, se o novo valor superar o saldo devedor | Não libera troco. A chamada “portabilidade com troco” são duas operações: a portabilidade e, depois, um refinanciamento no novo banco, que pode alongar a dívida |
| Contrato | Um novo contrato substitui o anterior | A nova instituição quita o contrato anterior, sem aumentar o saldo devedor nem o prazo restante |
As condições variam conforme a instituição, o perfil de quem contrata e a margem disponível.
Leia também | Como funciona a portabilidade de consignado
O banco calcula o saldo devedor do contrato atual e oferece um novo empréstimo de valor maior. Parte do dinheiro quita a dívida antiga, e a diferença, o troco, é depositada na conta do titular. Pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 52), essa quitação antecipada tem redução proporcional dos juros.
Um exemplo ilustrativo mostra o efeito. Imagine um contrato de 84 parcelas de R$ 300, com juros de 1,8% ao mês, em que 30 parcelas já foram pagas.
| Situação | Antes da renovação | Depois da renovação |
|---|---|---|
| Parcela mensal | R$ 300 | R$ 300 |
| Parcelas a pagar | 54 | 96 |
| Total ainda a pagar | R$ 16.200 | R$ 28.800 |
| Valor recebido | Nenhum | Cerca de R$ 3.350 de troco |
Simulação ilustrativa, com taxa de 1,8% ao mês nos dois contratos, sem considerar IOF e tarifas.
O novo contrato, de cerca de R$ 13.660, quita o saldo devedor de aproximadamente R$ 10.300 e libera o troco. Em compensação, o desconto de R$ 300 segue por 96 meses, e não mais por 54. No fim, o titular paga 42 parcelas a mais, R$ 12.600 no total, para receber cerca de R$3.350 agora.
A margem consignável é o limite da renda que pode ser comprometido com descontos de consignado, previsto na Lei 10.820/2003. Para aposentados e pensionistas do INSS, o total voltou a ser de 45% em setembro de 2026. A alta ocorreu depois que a medida provisória que o reduzia a 40% perdeu a validade.
Desse total, 35% ficam para o empréstimo, 5% para o cartão de crédito consignado e 5% para o cartão consignado de benefício. As novas operações desses dois cartões estão suspensas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). No BPC, a margem é de 35%, sendo 30% para empréstimo.
Com um benefício de R$ 2.000, a parcela de empréstimo pode chegar a R$ 700. Se o novo contrato mantém a mesma parcela, a renovação usa a margem já ocupada. Com margem livre, o banco pode propor parcela maior, o que aumenta o troco e reduz o dinheiro disponível todo mês.
Depende dos números da proposta. A renovação tende a ser vantajosa quando reduz a taxa de juros ou substitui uma dívida mais cara, sem esticar demais o prazo. Quando o único atrativo é o troco, o custo total costuma subir.
Com prazo maior, o valor mensal pode diminuir e liberar espaço no orçamento. Em contrapartida, a soma final tende a crescer.
Se as taxas oferecidas hoje forem menores que as do contrato original, a renovação pode reduzir a taxa de juros da operação. Taxa menor, porém, não garante custo menor: se o prazo for alongado, o total pago pode aumentar mesmo com uma taxa mais baixa. Por isso, a comparação deve considerar também o número de parcelas, o Custo Efetivo Total (CET) e o valor total a pagar. No consignado do INSS, também é importante verificar se a taxa proposta está dentro do teto de juros vigente definido pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS).
Sem margem livre, um novo consignado fica fora de alcance, mas o contrato existente pode ser refinanciado com a mesma parcela. A operação não reduz o endividamento, só troca a dívida atual por outra maior e mais longa.
O troco pode quitar uma dívida com juros mais altos, como o rotativo do cartão ou o cheque especial. Esse uso tende a ser mais vantajoso que o consumo, pois o desconto no benefício seguirá por anos.
Por envolver dinheiro liberado e contato com intermediários, a renovação atrai tentativas de fraude e ofertas pouco transparentes.
A Lei 15.327/2026 proíbe a contratação de consignado do INSS por central telefônica ou por procuração. As regras operacionais valem desde maio de 2026. O titular recebe a proposta no aplicativo Meu INSS e tem cinco dias corridos para confirmá-la por reconhecimento facial. Quem não tem biometria nas bases do governo pode confirmar com a conta Gov.br e os dados bancários. Sem confirmação, o contrato é cancelado.
O INSS não entra em contato para oferecer empréstimo, e nenhuma instituição séria pede Pix, depósito ou taxa antecipada para liberar o troco. Ligação oferecendo "atualização de contrato", pressão para fechar no mesmo dia e pedido de senha ou código por SMS são sinais de golpe.
Leia também | Como funciona o golpe do empréstimo consignado
O Custo Efetivo Total (CET) reúne juros, tarifas, impostos e seguros do contrato. Duas ofertas com a mesma taxa de juros podem ter CET diferentes. A carência de até 90 dias para o primeiro desconto, permitida desde maio de 2026 pela Instrução Normativa PRES/INSS nº 204, também tem custo. Os juros correm nesse período e se somam à dívida, o que aumenta o valor total pago, ainda que o CET fique praticamente igual.
Esta lista de verificação ajuda a revisar a proposta antes de confirmar o refinanciamento:
A taxa de juros do novo contrato é menor que a do contrato atual?
O CET foi informado por escrito?
Quantas parcelas estão sendo adicionadas ao prazo original?
A negociação partiu do titular, em um canal oficial do banco?
Alguém pediu depósito antecipado para liberar o troco?
Uma resposta "sim" à última pergunta basta para interromper a negociação.
Os critérios variam entre as instituições financeiras. Em geral, o banco exige contrato ativo com parte das parcelas paga e nova parcela dentro da margem. A aprovação depende da análise de crédito da própria instituição.
Não há prazo mínimo fixado em lei. Cada banco define a própria regra, em geral com base em um número mínimo de parcelas já pagas. Vale consultar a exigência diretamente na instituição do contrato.
Quanto mais parcelas pagas, menor o saldo devedor e maior o troco possível com a mesma parcela. O novo contrato, porém, recomeça a contagem e respeita o prazo máximo da modalidade. No INSS, esse limite passou a ser de 108 parcelas em maio de 2026, conforme a Instrução Normativa PRES/INSS nº 204.
Consulte o extrato de empréstimos no aplicativo ou site Meu INSS, ou no contracheque, para conferir saldo, parcelas pagas e margem.
Procure o banco por conta própria, pelo aplicativo, site oficial ou agência. Peça a proposta por escrito, com taxa, prazo, troco e CET.
Compare com outras ofertas. Entre com seu CPF e senha no site ou aplicativo da Serasa. Acesse o menu "Serviços" > seção "Crédito" > botão "Simular empréstimo".
Avalie a portabilidade se outra instituição apresentar taxa menor. No extrato de empréstimos do Meu INSS, a opção "Instituições e taxas" mostra os juros praticados pelos bancos.
Confirme a proposta no Meu INSS, por reconhecimento facial ou validação bancária, só depois de conferir que os valores correspondem ao combinado.
O contrato de consignado é firmado entre o beneficiário e a instituição financeira. Por isso, o INSS orienta registrar reclamações no Consumidor.gov.br, no Procon, no SAC ou na ouvidoria do banco.
Confira o extrato de empréstimos no Meu INSS e anote banco, número do contrato e datas do desconto suspeito.
Conteste a operação no SAC e na ouvidoria da instituição e guarde os protocolos.
Abra uma reclamação no Consumidor.gov.br, na área de serviços financeiros.
Bloqueie o benefício para novos empréstimos no Meu INSS, pelo serviço "Bloquear ou Desbloquear Benefício para Empréstimo", ou pela Central 135.
Registre um boletim de ocorrência se houver uso indevido de dados pessoais.
Pela mesma Lei 15.327/2026, depois que a irregularidade é notificada ou reconhecida em decisão administrativa definitiva, a instituição tem até 30 dias para devolver o valor descontado, com atualização. Por isso, contestar a operação nos canais acima é o primeiro passo.
Antes de renovar consignado, comparar a proposta do banco com outras ofertas ajuda a enxergar se o troco compensa o prazo extra. O Serasa Crédito é um marketplace de ofertas de crédito de mais de 40 empresas parceiras. A simulação é gratuita, sem compromisso, não afeta o Serasa Score e mostra taxa, parcelas, IOF e CET antes da solicitação. A análise de crédito é feita pelas parceiras, conforme o perfil de cada CPF.
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