Como abrir conta em corretora de valores: passo a passo
Como abrir conta em corretora de valores: passo a passoData de publicação 28 de setembro de 20269 minutos de leitura
Publicado em: 28 de setembro de 2026
Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 12 minutosTexto de: Time Serasa
Toda empresa que busca capital de investidores enfrenta uma pergunta simples na aparência, mas difícil de responder. Quanto de retorno é justo prometer a quem topa investir? Essa dúvida aparece tanto numa negociação com um fundo de investimento quanto no planejamento de um pequeno negócio que avalia trazer um sócio. O custo de capital próprio traduz essa expectativa de retorno em um número concreto.
O custo de capital próprio (Ke) é o retorno mínimo exigido pelos sócios ou acionistas para manter o dinheiro investido no negócio. É o retorno esperado em vez de aplicar esse dinheiro em outra alternativa de risco parecido. Diferentemente de um empréstimo bancário, não existe um contrato fixando parcela e juros. O retorno do acionista vem de dividendos e da valorização das ações ou cotas da empresa.
Esse retorno esperado está ligado diretamente ao capital social que os sócios colocaram no negócio. Quanto maior o risco percebido do investimento, maior a taxa de retorno exigida para compensá-lo. É por isso que o custo de capital próprio costuma superar o custo de outras formas de financiamento, como um empréstimo bancário.
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O capital de terceiros vem de fontes externas à empresa, como bancos, debêntures e outras formas de financiamento. Um exemplo é o capital de giro, usado para cobrir despesas do dia a dia. Quem empresta dinheiro tem prioridade de recebimento em caso de dificuldade financeira da empresa. Isso reduz o risco assumido e, consequentemente, a taxa de retorno exigida.
Quando uma empresa financia suas operações combinando capital próprio e de terceiros, existe um indicador que pondera os dois custos. É o custo médio ponderado de capital, mais conhecido pela sigla em inglês WACC (weighted average cost of capital). O Ke mede só o retorno exigido pelos sócios. Já o WACC mede o custo total de capital da empresa, considerando o peso de cada fonte de financiamento.
| Critério | Custo de capital próprio (Ke) | Custo de capital de terceiros |
|---|---|---|
| Origem dos recursos | Sócios e acionistas | Bancos, debêntures e outros credores |
| Prioridade de recebimento | Recebe depois dos credores | Tem prioridade de pagamento |
| Custo fiscal | Não gera benefício fiscal | Juros costumam ser dedutíveis do imposto de renda |
| Retorno exigido | Tende a ser mais alto | Tende a ser mais baixo |
*Os valores de referência variam conforme o setor, o porte da empresa e as condições de mercado no momento da avaliação.
O modelo mais usado para calcular o custo de capital próprio é o CAPM (Capital Asset Pricing Model). A fórmula relaciona três variáveis: a taxa livre de risco, o beta da empresa e o prêmio de risco de mercado.
Ke = Rf + β × (Rm − Rf)
Defina a taxa livre de risco (Rf) de referência, geralmente a Selic ou outro título público de baixo risco.
Identifique o beta (β) da empresa ou de um setor comparável.
Estime o prêmio de risco de mercado, ou seja, quanto o mercado de ações costuma render acima da taxa livre de risco.
Aplique a fórmula do CAPM para chegar ao valor do Ke.
Um exemplo prático ajuda a visualizar o cálculo. Considere uma taxa Selic de 14% ao ano, beta de 1,2 para o setor e prêmio de risco de mercado de 6% ao ano. O cálculo fica: Ke = 14% + (1,2 × 6%) = 14% + 7,2% = 21,2% ao ano. Esse valor representa o retorno mínimo que a empresa precisaria oferecer aos acionistas para justificar o investimento, considerando o nível de risco do negócio.
O beta mede o quanto o retorno de uma ação varia em relação ao mercado todo. Um beta igual a um indica que a ação costuma acompanhar o mercado. Acima de um, a ação tende a ser mais volátil; abaixo de um, menos volátil.
Empresas de capital aberto têm o beta calculado a partir do histórico de preços das ações na bolsa. Empresas fechadas, sem ações negociadas, costumam usar o beta de empresas comparáveis do mesmo setor como referência. O valor é ajustado para refletir a própria estrutura de capital.
A Selic funciona como referência prática de taxa livre de risco para avaliações feitas em reais. Metodologias mais rigorosas de avaliação de empresas preferem compor essa taxa a partir de títulos internacionais somados a um prêmio de risco específico do Brasil. Em setembro de 2026, a taxa Selic está em 14% ao ano, valor atualizado na última reunião do Copom, em 5 de agosto de 2026.
Quando a Selic sobe, o custo de capital próprio tende a subir junto, porque a taxa livre de risco usada na fórmula do CAPM aumenta. O efeito é o oposto quando a Selic cai: o retorno mínimo exigido pelos investidores tende a diminuir. Isso também reduz o retorno mínimo esperado de novos projetos de investimento. Como o valor da Selic muda a cada reunião do Copom, é recomendável reconfirmar a taxa vigente antes de fechar qualquer cálculo.
Estruturar o cálculo do Ke numa planilha ajuda a atualizar o valor sempre que a Selic ou o beta mudarem, sem refazer a conta manualmente.
Com a Selic em 14%, beta em 1,2 e prêmio de risco em 6%, a célula B5 retorna 21,2% ao ano automaticamente. Esse resultado é atualizado sempre que qualquer uma das três variáveis for alterada.
O Ke funciona como taxa mínima de atratividade para avaliar se um projeto de investimento compensa o risco assumido pelos sócios. Um projeto só costuma fazer sentido financeiro quando o retorno esperado supera o custo de capital próprio calculado para aquele negócio.
Esse indicador também ajuda a comparar diferentes fontes de financiamento antes de uma decisão de captação de recursos. Um exemplo é escolher entre abrir espaço para um novo sócio ou negociar uma linha de crédito. Bem calculado, o custo de capital próprio evita decisões baseadas só na intuição ou na disponibilidade imediata de dinheiro. O retorno que os acionistas recebem inclui tanto dividendos quanto o eventual ganho de capital na venda das ações ou cotas da empresa.
Antes de calcular o custo de capital próprio de um negócio, reúna as seguintes informações:
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Compreender o custo de capital próprio é um passo importante para quem lida com finanças de um negócio ou avalia oportunidades de investimento. Esse aprendizado costuma render mais quando aprofundado em temas relacionados, como fluxo de caixa e planejamento financeiro. O Serasa Ensina reúne conteúdos em vídeo sobre crédito, investimentos e organização financeira para apoiar esse processo de aprendizado.
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