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Entenda a divisão de herança entre viúva e filhos

Saiba como o Código Civil define a partilha de bens entre cônjuges e descendentes, a importância do regime de casamento e como ocorre o processo de inventário.

Atualizado em: 18 de junho de 2026

Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 9 minutos

Texto de: Time Serasa

Advogado, consultor jurídico, empresário explicando detalhes do acordo Contratos comerciais

A partilha de bens após o falecimento de um ente querido é um momento de transição patrimonial que exige atenção às regras previstas em lei. Entre as situações mais comuns e que mais geram dúvidas está a divisão de herança quando há a presença de cônjuge sobrevivente e filhos. Para garantir que as regras da partilha de bens sejam respeitadas de forma justa e legal, é fundamental compreender as diretrizes estabelecidas pelo Código Civil brasileiro. 

A lei define não apenas quem tem direito ao patrimônio, mas a ordem de sucessão e a proporção de cada herdeiro. A seguir, entenda como funciona a ordem de sucessão, o impacto dos regimes de bens e o processo para legalizar a transferência do patrimônio.

O que é divisão de herança e como funciona a partilha de bens

A divisão de herança é o procedimento legal de transferência do patrimônio (bens, direitos e deveres) de uma pessoa falecida para os herdeiros legítimos. Com o falecimento, esse conjunto de bens passa a ser chamado legalmente de espólio. O processo funciona por meio da apuração do montante total deixado e do pagamento de eventuais dívidas, resultando no saldo líquido que será partilhado. 

A formalização da partilha de bens exige a abertura do inventário em até 60 dias correntes a partir da data do falecimento. Esse procedimento é o único instrumento jurídico capaz de transferir a titularidade de imóveis, veículos, ativos financeiros e outros bens registrados do falecido para o nome dos herdeiros. 

O descumprimento desse prazo legal acarreta a aplicação de multa sobre o ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação), com percentuais de penalidade que variam conforme a Secretaria da Fazenda (Sefaz) de cada estado, elevando substancialmente o custo total da sucessão patrimonial.

Quem tem direito à herança segundo a lei brasileira

A legislação organiza o direito à herança em uma fila de prioridade, conhecida como ordem de vocação hereditária.  

  • Herdeiros necessários: são os primeiros da fila, englobando descendentes (filhos, netos), ascendentes (pais, avós) e o cônjuge sobrevivente. A lei garante a eles a "legítima", que corresponde a 50% do patrimônio inegociável. 
  • Herdeiros facultativos (colaterais): englobam irmãos, sobrinhos, tios e primos. Eles participam da divisão de herança apenas se não houver herdeiros necessários. 
  • Herdeiros testamentários: são pessoas ou instituições designadas em testamento para receber a parte disponível do patrimônio (os outros 50%). Caso não existam herdeiros em nenhuma categoria e não haja testamento, os bens passam para o Estado.

Assista | Dívidas de falecido: o herdeiro tem que pagar? - Serasa Ensina

Qual a diferença entre herdeiros necessários e meeiro

O conceito de meeiro difere fundamentalmente do conceito de herdeiro, e essa distinção é o pilar da divisão de herança. 

  • Meeiro: é o cônjuge sobrevivente que, dependendo do regime de casamento, tem direito a 50% do patrimônio construído pelo casal. Essa metade não é herança, é a meação, pertencendo ao viúvo(a) por direito matrimonial. 
  • Herdeiro: é quem tem o direito de receber os bens que efetivamente compõem o patrimônio do falecido após a separação da meação e o pagamento de dívidas. 


A forma como a viúva atua na partilha depende do regime de bens: 

  • Comunhão parcial de bens: a viúva é meeira dos bens comuns e herdeira dos bens particulares (que o falecido tinha antes do casamento), e participa da divisão de herança desses bens particulares em partes iguais com os filhos. 
  • Comunhão universal de bens: a viúva é meeira de todo o patrimônio, e a herança é dividida apenas entre os filhos, se houver bens particulares. 
  • Separação total de bens: a viúva não é meeira (não há bens comuns), mas participa integralmente como herdeira, dividindo todo o patrimônio em igualdade com os filhos.

Exemplo prático de divisão de herança

Considere um casal (comunhão parcial de bens) com 2 filhos. O falecido deixou: 

  • ● Bens do casamento (comuns): R$ 600.000 
  • ● Bens anteriores (particulares): R$ 300.000 


A divisão de herança ocorre em duas etapas, respeitando a separação legal entre o que é meação (a metade dos bens comuns que já pertence à viúva por direito matrimonial) e o que compõe a herança propriamente dita (a metade restante dos bens comuns somada aos bens particulares do falecido). A distribuição fica da seguinte forma: 

  1. 1 - Bens comuns: a viúva retém R$ 300.000 (referentes à meação). Os outros R$ 300.000 formam a herança e são divididos entre os 2 filhos (R$ 150.000 para cada). 
  2. 2 - Bens particulares: os R$ 300.000 compõem integralmente a herança e são divididos igualmente entre a viúva e os 2 filhos (R$ 100.000 para cada participante na partilha). 


Leia também | Como declarar herança no Imposto de Renda

Inventário judicial ou extrajudicial: qual é a diferença

A transferência do patrimônio exige o inventário, que pode ser feito de duas formas: 

  • Inventário extrajudicial: realizado em cartório de notas, de forma mais ágil. Exige que todos os herdeiros sejam maiores de 18 anos e com plena capacidade civil, e que haja consenso total sobre a divisão de herança. 
  • Inventário judicial: obrigatório quando há herdeiros menores de idade, incapazes, quando o falecido deixou testamento ou quando há conflito entre os herdeiros sobre a partilha. É um processo que corre na Justiça e costuma ser mais demorado. 


A presença de um advogado ou defensor público é obrigatória em ambas as modalidades para garantir a validade jurídica de todo o procedimento.

A importância do planejamento para lidar com os custos da herança

O processo de divisão de herança envolve custos significativos, como o imposto estadual ITCMD, taxas de cartório e honorários advocatícios. A falta de preparo financeiro para arcar com essas despesas pode paralisar o inventário. A educação financeira ajuda a família a lidar com o processo burocrático sem comprometer o patrimônio.

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Perguntas frequentes sobre divisão de herança

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