Selic e inflação: entenda a relação entre as taxas
Selic e inflação: entenda a relação entre as taxasData de publicação 21 de julho de 20266 minutos de leitura
Publicado em: 21 de julho de 2026
Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 5 minutosTexto de: Time Serasa
A inflação reduz o poder de compra do dinheiro parado, por isso entender quais investimentos rendem acima da inflação é o primeiro passo para manter o valor real do patrimônio ao longo do tempo. Quando os preços sobem mais rápido do que o rendimento de uma aplicação, o saldo guardado passa a comprar menos coisas do que antes, mesmo que o número na conta continue o mesmo.
Conhecer a diferença entre rentabilidade nominal e rentabilidade real, e escolher opções atreladas à inflação, ajuda a proteger o dinheiro de quem já organizou as finanças e quer avançar para metas maiores, como comprar um imóvel ou formar uma reserva de longo prazo.
A inflação é o aumento generalizado dos preços de bens e serviços ao longo do tempo, medido oficialmente pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Quando a inflação sobe, o mesmo valor em dinheiro passa a comprar menos itens do carrinho de compras, menos combustível ou menos metros quadrados de aluguel.
Isso significa que deixar o dinheiro parado em investimentos, ou aplicá-lo em produtos que rendem menos do que a inflação do período, resulta em perda de poder de compra: o mesmo valor passa a comprar menos coisas com o passar do tempo, mesmo que o número guardado continue igual. Esse efeito pesa de forma diferente em cada orçamento, e entender como a inflação chega até o dia a dia das contas ajuda a enxergar por que faz diferença buscar um rendimento pelo menos igual à alta de preços.
No Brasil, esse acompanhamento é feito principalmente pelo IPCA e pelos outros índices de inflação usados no país, que servem de referência para investimentos indexados, como o Tesouro IPCA+.
A rentabilidade nominal é o percentual de retorno anunciado por um investimento, sem descontar a inflação do período. Já a rentabilidade real desconta a inflação e mostra o ganho de poder de compra.
Um exemplo simples: uma aplicação que rende 10% ao ano parece atrativa, mas se a inflação do mesmo período for 8%, a rentabilidade real fica próxima de 2%. Se a inflação subir para 12%, o resultado é negativo, mesmo com o retorno nominal positivo. Por isso os investimentos atrelados à inflação, que somam uma taxa fixa à variação do IPCA, tendem a manter o poder de compra do investidor em diferentes cenários de preços.
Existem duas famílias de investimentos que acompanham diretamente a inflação: os títulos públicos indexados ao IPCA e os títulos privados com a mesma referência. Ambos pagam uma taxa fixa somada à variação do índice, o que garante rentabilidade real positiva se o título for mantido até o vencimento. A diferença entre eles está em fatores como prazo, garantia (o Tesouro tem risco soberano, enquanto os títulos privados contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito até o limite vigente) e tributação, e comparar esses critérios lado a lado, e não só a taxa anunciada, é o que costuma indicar qual opção é melhor de acordo com o perfil de cada investidor.
O Tesouro IPCA+ é um título público federal que paga uma taxa prefixada somada à variação do IPCA no período. Na prática, o valor investido acompanha pelo menos a inflação, além do ganho fixo contratado no momento da compra.
Esse título costuma ser indicado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou compra de um imóvel, porque a rentabilidade real fica mais previsível quando mantido até o vencimento. Vender antes do prazo expõe o investidor à variação do preço de mercado, que pode gerar perdas mesmo em um título indexado à inflação.
Bancos e outras instituições financeiras também oferecem CDBs, LCIs e LCAs com rentabilidade atrelada ao IPCA. Esses papéis seguem a mesma lógica do Tesouro IPCA+, uma taxa fixa mais a variação da inflação, mas com prazos, garantias e tributação que variam de acordo com o emissor.
LCIs e LCAs são isentas de Imposto de Renda para pessoa física, o que pode compensar uma taxa nominal um pouco menor. Taxa nominal é o rendimento bruto do investimento exibido no momento da contratação, sem descontar a inflação ou taxas.
CDBs, por outro lado, têm tributação regressiva conforme o prazo de aplicação. Comparar a taxa líquida, e não só o número anunciado, é o que orienta a escolha mais alinhada ao objetivo do investidor.
A rentabilidade total do Tesouro IPCA+ soma dois componentes: a variação do IPCA no período, que preserva o poder de compra, e a taxa fixa contratada no momento da compra, que é o ganho real garantido caso o título seja levado até o vencimento.
Em uma simulação com taxa fixa de 6% ao ano somada a uma inflação hipotética de 4% no mesmo período, a rentabilidade nominal total fica próxima de 10,2% ao ano, resultando em cerca de 6% de ganho real. Esses números mudam diariamente conforme o mercado, então o caminho mais confiável para simular quanto rende um valor específico é usar a calculadora oficial do Tesouro Direto antes de investir.
Antes de escolher entre Tesouro IPCA+ e títulos privados, o primeiro passo é definir um valor mensal possível de guardar e um prazo realista para a meta. Reservas de emergência costumam pedir liquidez diária, enquanto objetivos de longo prazo, como um imóvel daqui a alguns anos, combinam melhor com títulos que rendem mais, mas exigem carência maior.
Organizar o orçamento antes de investir evita que o dinheiro guardado precise ser resgatado antes do prazo ideal, o que reduz o ganho real e pode até gerar perda em títulos indexados à inflação vendidos no momento errado. Definir metas menores e mensuráveis, como juntar as primeiras centenas de reais em poucos meses, ajuda a criar o hábito antes de migrar para aplicações de prazo mais longo.
Leia também | Como escolher os melhores investimentos
Continuar aprendendo sobre inflação, rentabilidade e planejamento financeiro ajuda a tomar decisões mais seguras sobre o próprio dinheiro.
O Serasa Ensina é o canal da Serasa no YouTube, criado para descomplicar a educação financeira por meio de conteúdos atualizados toda semana. Os vídeos te ajudam a cuidar do seu dinheiro, negociar dívidas, proteger-se contra fraudes, aumentar seu Serasa Score, economizar na rotina, organizar as finanças e muito mais!
Data de publicação 21 de julho de 20266 minutos de leitura
Data de publicação 20 de julho de 202610 minutos de leitura
Data de publicação 20 de julho de 20269 minutos de leitura