Exclusão digital: o que é, causas e como proteger sua família
Exclusão digital: o que é, causas e como proteger sua famíliaData de publicação 17 de setembro de 202616 minutos de leitura
Publicado em: 18 de setembro de 2026
Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 11 minutosTexto de: Time Serasa
Quem lê um balanço com atenção já deve ter esbarrado na palavra impairment em alguma nota explicativa. O termo aparece sempre que um ativo passa a valer, na contabilidade, menos que o valor pelo qual está registrado. Isso muda a forma como investidores e estudantes de finanças enxergam a saúde de uma empresa. Entender o que é impairment ajuda a interpretar esses ajustes sem se assustar com o jargão contábil. Também ajuda a enxergar o que está por trás de um prejuízo contábil que aparece do nada em um resultado trimestral.
Impairment é o termo em inglês usado no mercado para o que a norma contábil brasileira chama de redução ao valor recuperável de ativos. A norma é regulada pelo CPC 01. No dia a dia contábil, as duas expressões convivem: "impairment" nas conversas entre analistas e auditores, e "teste de recuperabilidade" nos relatórios formais.
O conceito parte de uma ideia simples: um ativo só faz sentido no balanço pelo valor que consegue gerar no futuro. Esse valor pode vir do uso do ativo ou da venda dele. Quando esse valor futuro cai abaixo do valor contábil registrado, a empresa reconhece uma perda por impairment, ajustando o ativo para refletir a realidade.
Isso vale para máquinas, imóveis, marcas, ágio e recebíveis de clientes, sempre que houver indício concreto de desvalorização. Acompanhar esse tipo de ajuste faz parte de uma boa rotina de contabilidade para qualquer negócio, pequeno ou grande.
A diferença está na origem da perda de valor. A depreciação é um desgaste esperado e previsível. Já o impairment nasce de um evento inesperado, fora do que já estava projetado para o ativo.
A depreciação acompanha o uso normal de um bem. Uma máquina, por exemplo, perde valor ano após ano, seguindo uma taxa definida no momento da aquisição. Já o impairment surge de fatos inesperados: a obsolescência de um equipamento, a queda de demanda por um produto ou um dano físico não previsto.
Outra diferença está no ritmo. A depreciação segue um cronograma fixo, calculado desde a compra do bem. O impairment só é calculado quando surge um indício de perda. Isso pode acontecer em qualquer momento da vida útil do ativo, inclusive logo depois da aquisição.
Por isso, um ativo pode estar sendo depreciado normalmente e, ainda assim, sofrer um impairment adicional se um evento concreto reduzir o valor recuperável dele.
O CPC 01, convergente com a norma internacional IAS 36, exige que as empresas testem os ativos sempre que houver indício de perda de valor. Assim, o balanço não mantém bens registrados por um valor que eles não conseguem mais entregar.
A obrigatoriedade existe porque um balanço com ativos superavaliados distorce indicadores financeiros importantes, como o patrimônio líquido e a rentabilidade da empresa. Para quem analisa demonstrações financeiras antes de investir, um teste de impairment feito com rigor é um bom sinal. Ele mostra que os números refletem a realidade econômica, e não só o custo histórico de aquisição.
Auditores independentes também cobram evidências desse teste durante a auditoria das demonstrações contábeis, e ignorar esses sinais compromete a gestão de riscos financeiros da empresa. A ausência de um teste bem documentado costuma gerar ressalva no parecer.
O impairment não se limita a máquinas e imóveis. Ele também se aplica aos valores a receber de clientes, quando existe expectativa real de que parte desses recebíveis não será paga.
Esse ajuste é parecido com a provisão para devedores duvidosos: reconhece, desde já, uma perda esperada sobre contas a receber com risco de inadimplência. A diferença é que o cálculo segue critérios mais estruturados de risco de crédito, não regras internas simples da empresa.
Para quem lê um balanço, esse impairment aparece como uma conta redutora do ativo circulante. Ela diminui o valor de recebíveis para refletir o que a empresa realmente espera receber, não o valor total das faturas emitidas.
O cálculo segue uma sequência simples de aplicar, mesmo quando o ativo em análise é complexo:
Identifique se existe algum indício de perda de valor.
Calcule o valor recuperável do ativo.
Compare esse valor com o valor contábil registrado.
Reconheça a perda quando o valor recuperável for menor.
As próximas seções detalham a etapa 1 e as etapas 2 a 4 desse processo.
Antes de calcular qualquer número, a empresa precisa observar sinais externos e internos de desvalorização.
A existência de um desses sinais já obriga a empresa a calcular o valor recuperável. Isso vale mesmo que o resultado final aponte que não há perda a reconhecer.
O valor recuperável é o maior valor entre duas referências. A primeira é o valor justo do ativo menos as despesas de venda. A segunda é o valor em uso, calculado pelo fluxo de caixa futuro que o ativo deve gerar, trazido a valor presente. Esse cálculo segue uma lógica parecida com a do ciclo financeiro da empresa, que também depende da capacidade de gerar caixa ao longo do tempo.
Um exemplo simplificado: uma máquina está registrada no balanço por R$500.000 (valor contábil). Depois de um evento de obsolescência tecnológica, o valor de venda estimado do bem cai para R$320.000. O valor em uso, calculado pelos fluxos de caixa futuros, chega a R$380.000. O valor recuperável é o maior entre os dois, R$ 380.000, ainda abaixo do valor contábil. A diferença de R$120.000 é reconhecida como perda por impairment. Ela entra como despesa no resultado do período e como redução do ativo, ou de uma conta redutora associada a ele, no balanço.
Esse ajuste também pode ser revertido em exercícios futuros, exceto no caso do ágio, se as condições que geraram a perda deixarem de existir. Para quem acompanha o ativo circulante e outros indicadores de liquidez de uma empresa, é recomendável observar esses ajustes nas notas explicativas. Isso ajuda a tirar conclusões mais precisas sobre o desempenho do negócio.
Entender conceitos como impairment é um passo para ler balanços com mais segurança, seja para investir, seja para estudar. O Serasa Ensina reúne conteúdos gratuitos sobre contabilidade e finanças empresariais. Eles ajudam a traduzir esses termos técnicos para o dia a dia de quem acompanha o mercado.
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