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Taxa referencial: o que é e como funciona

Entenda o que é a taxa referencial, como ela é determinada, sua utilidade e seu impacto no mercado.

Publicado em: 20 de maio de 2024

Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 10 minutos

Texto de: Time Serasa

Tiro de um atraente jovem agente de call center sentado sozinho no escritório e usando seu computador

A taxa referencial (TR) é uma taxa de juros utilizada como referência para diversos tipos de operações e aplicações financeiras. Ao longo dos anos, sua relevância tem diminuído, mas ainda segue ajudando no cálculo da remuneração de alguns investimentos no país.

O que é taxa referencial

A TR foi criada em 1991 para tentar conter a alta inflação. Nesse cenário, a TR funcionava como taxa de referência para os juros praticados na época, o que ajudava a conter os reajustes automáticos de preços e salários, muito comuns nesse período.

Atualmente, a TR é usada como indicador para atualizar e corrigir valores de alguns investimentos e financiamentos.

Assista | Taxa Selic: o que é e como funciona

Como a taxa referencial é calculada

Até 2018, os valores da TR e da Taxa Básica Financeira (TBF) eram definidos pela média das taxas dos certificados de depósito bancário (CDB) e dos recibos de depósitos bancários (RDB) prefixados nos últimos 30 dias.

Com o passar dos anos, os CDBs e os RDBs prefixados perderam sua popularidade. Diante dessa mudança, foi preciso encontrar uma nova forma de calcular a TR e a TBF que refletisse a realidade do mercado.

A partir de 2018, a TBF passou a ser calculada com base nas taxas das Letras do Tesouro Nacional (LTN), que são títulos públicos do Governo Federal. O Banco Central do Brasil calcula a média das taxas de juros das LTNs negociadas no mercado secundário — ambiente em que investidores compram e vendem títulos.

Depois de a TBF ser calculada, o Banco Central aplica seu valor em uma fórmula para obter a TR. A fórmula garante que a TR seja sempre um pouco menor que a TBF.

Taxa referencial diária e mensal

Como a TR é calculada diariamente pelo Banco Central usando a TBF do dia, temos a TR de valor diário e mensal.

  • A TR diária é a variação da taxa referencial a cada dia, sendo utilizada principalmente para:
  •  
  • ●     Cálculo de resgates em investimentos de curto prazo: no resgate de um investimento antes de completar 30 dias, a TR diária é que determina o rendimento do dinheiro proporcionalmente aos dias em que ficou aplicado.
  • ●     Projeções econômicas: analistas e economistas a usam para realizar projeções de curto prazo sobre o comportamento da economia.

 

  • Por sua vez, a TR mensal se concentra no desempenho acumulado ao longo de um mês. Seu valor é obtido ao somar todas as variações diárias da TR e dividir o resultado pelo número de dias do mês. Essa taxa é mais usada para:
  •  
  • ●     Correção de investimentos de longo prazo: como a poupança e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
  • ●     Acompanhamento da rentabilidade mensal: acompanhar a evolução dos investimentos de renda fixa ao longo dos meses.

 

O valor diário da TR pode ser consultado na Calculadora do Cidadão, disponível no site do Banco Central.

Taxa referencial zerada

Quando a TR foi criada, o Banco Central decidiu que ela nunca poderia ser negativa. Portanto, se ela cai muito e chega perto de zero, é automaticamente zerada. A regra foi criada para que os rendimentos que usam a TR como referência não percam valor caso a taxa fique negativa.

Quando a TR está zerada, os investimentos passam a ser corrigidos por outros índices, como a taxa Selic, por exemplo.

Dados históricos

  • Nos primeiros anos após sua criação, a TR acumulada alcançou números altíssimos:
  •  
  • ●     1991: 335%;
  • ●     1992: 1.156%;
  • ●     1993: 2.474%;
  • ●     1994: 951%.

 

Após a consolidação do Plano Real, lançado em 1994, a economia se estabilizou, o que fez a TR diminuir gradativamente seu valor. Em 2023, o acumulado de janeiro a dezembro foi de 1,76%.

A importância da taxa referencial

A TR ditava as atualizações monetárias em investimentos e contratos. Praticamente todos os financiamentos imobiliários, por exemplo, tinham seus valores indexados à taxa.

Com o passar do tempo, novos indicadores — como o Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) — ganharam destaque e assumiram o papel principal na atualização monetária. No entanto, a taxa ainda atua como referência para aplicações financeiras populares.

Como a taxa referencial funciona

Por ser uma taxa de juros de referência, a TR influencia o rendimento de algumas aplicações, como:

Poupança

Desde maio de 2012, o rendimento da poupança é definido pela TR e pela taxa Selic. Como a rentabilidade da TR muda todo mês, ela tem menos impacto no quadro geral no rendimento desse investimento.

  • Em relação à Selic, existem alguns cenários:
  •  
  • ●     Se está entre 0% e 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic + TR.
  • ●     Acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + TR.
  • ●     Se a Selic está em baixa, a poupança rende menos.

 

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) divulgou, no dia 8 de maio de 2024, que a taxa Selic está em 10,50%. Por esse motivo, a poupança está rendendo 0,5% ao mês + TR do dia de aniversário da conta.

FGTS

Criado em 1960, o FGTS garante que os trabalhadores de carteira assinada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) tenham uma reserva financeira.

Todo mês o empregador realiza o depósito de 8% do valor do salário do empregado na conta do FGTS. Esse dinheiro rende 3% ao ano + TR.

Títulos de capitalização

Um título de capitalização é como uma mistura de poupança e loteria, em que, ao depositar um valor, a pessoa participa de sorteios de prêmios. Mas ele não é considerado um investimento.

Por considerar o valor da TR, é comum que as pessoas pensem que o título de capitalização rende como a poupança. Mas ele pode render menos, pois não oferece juros. Seu rendimento depende totalmente da taxa.

Financiamento imobiliário

Em contratos que utilizam a TR para atualizar o saldo devedor, o valor devido ao banco aumenta de acordo com a variação da taxa. Isso significa que, mesmo pagando as parcelas do financiamento imobiliário em dia, deve-se pagar um valor maior ao final dele.

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