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Securitização: tudo o que você precisa saber

Entenda o que significa esse termo e como ele impacta o sistema financeiro e o mercado de crédito

Foto Vanessa Conulista
Publicado em: 26 de novembro de 2021.

Provavelmente, você já deve ter ouvido falar na palavra securitização por aí. O nome parece até difícil de falar, não é mesmo?
Mas não se preocupe, a Serasa está aqui para descomplicar o seu conhecimento sobre finanças. A seguir, você vai entender de forma prática como funciona o processo de proteção de uma dívida e por que é vantajoso para empresas, investidores e para quem está inadimplente. Acompanhe.

O que significa securitização?

Antes de tudo, vale uma breve explicação sobre o que é securitização. Trata-se de um termo utilizado no mercado financeiro que nomeia o processo de negociação de dívidas de empréstimo ou contas em atraso, por exemplo, com investidores que aceitam o risco de inadimplência em troca de rendimentos.

Ainda parece confuso? Tudo bem, com o exemplo abaixo vai ficar mais claro.

Imagine uma empresa que tem muitas dívidas a receber de seus clientes e que precisa de capital para financiar seus projetos. Para adiantar a realização desses projetos e não precisar esperar até o recebimento do dinheiro, as empresas transformam essas dívidas em títulos de crédito que, então, são negociados com investidores.

É um processo simples que, mais à frente, você vai entender mais detalhadamente.

O que é uma securitizadora de créditos financeiros?

Para realização desse processo, existe a figura de uma Securitizadora. Ela nada mais é que a instituição financeira responsável em transformar essas contas a receber em títulos negociáveis.

Lembra das dívidas mencionadas ali em cima? Então, é a securitizadora quem compra e, em seguida, vende aos investidores. Dessa forma, ela passa a deter os direitos de recebimento dos títulos e inicia a negociação com os investidores.

O foco da securitizadora é sempre em empresas promissoras, ou seja, aquelas com tendência ao crescimento e geração de lucros. Afinal, a securitizadora também precisa se beneficiar dessa transação, certo?

Em resumo, a securitizadora funciona como intermediadora da operação entre cedente (quem vende a dívida) e investidor (quem compra a dívida).

Como funciona a securitização de crédito?

Para a securitização funcionar, é necessário haver três partes envolvidas. Elas iniciam a negociação de dívidas que podem ser de diversos formatos, como:
  • Duplicatas

  • Cheques

  • Empréstimos

  • Financiamentos

  • Parcelamentos

  • Aluguéis

  • Contratos de empréstimo

  • Outros

Observe que, em todos os casos, o pagamento optado pelo cliente é a prazo. Ou seja, como já dito anteriormente, são valores que as empresas vão demorar um certo tempo para receber, mesmo aquelas que ainda não estão atrasadas.

As três partes envolvidas são conhecidas como:

Passo a passo securitizadora

  • Credor: a empresa que tem contas a receber.

  • Securitizadora: a instituição financeira responsável em transformar essas contas a receber em títulos negociáveis.

  • Investidor: quem comprará essas dívidas em forma de títulos e assumirá os riscos em troca de melhores rendimentos.

Tipos de título de securitização

Para ficar ainda mais claro, agora você vai conhecer os diferentes tipos de título de securitização, que podem ser Certificado de Recebíveis, Debêntures ou Fundos de Investimento em Direitos Creditórios. Entenda cada um deles a seguir:

Certificado de Recebíveis

Aqui, o destaque vai para dois certificados de recebíveis: o imobiliário e o agronegócio. Ambos são ativos de renda fixa.

Também conhecido como CRI, o Certificado de Recebíveis Imobiliários está relacionado a dívidas imobiliárias. Aqui se encaixam os contratos de aluguéis ou as prestações de imóveis, por exemplo.

Imagine uma construtora que vendeu apartamentos na planta, mas precisa desse valor para dar andamento às obras. Com a securitização, ela vai receber o pagamento antecipado, mas com desconto, que será o lucro do investidor.

Já o Certificado de Recebíveis do Agronegócio, chamado de CRA, conta com as dívidas de agentes rurais, como produtores ou cooperativas.

Certificado Debêntures

Para os investidores que querem aplicações de renda fixa com diversificação e maior rentabilidade, as debêntures são as mais indicadas.

Elas são mais vantajosas para o investidor, pois são compostas por títulos de diversas dívidas, e não apenas de uma. Dessa forma, no caso de inadimplência em uma das dívidas, o total de rendimentos não é afetado, pois existem outras contas a serem pagas. Isso se chama pulverização de recebíveis.

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios

Também conhecidos como FIDC, esses fundos são uma opção para empresas que precisam adiantar o pagamento de suas contas a receber. Para os investidores, é interessante pela alta rentabilidade, classificação por agência de risco de crédito e possibilidade de negociação no mercado secundário.

Os benefícios da securitização de crédito

A securitização é uma negociação que visa benefícios para todas as partes envolvidas.

São muitas vantagens que visam fortalecer o negócio de quem precisa de dinheiro para investir e quem precisa de maior rentabilidade do montante disponível para o investimento.

Taxas mais vantajosas

Uma vantagem interessante é a possibilidade de captar recursos sem ter que recorrer ao financiamento bancário. Ou seja, é dinheiro mais fácil e com juros mais baixos do que por meio de outras formas de empréstimo.

Ou seja, o uso estratégico da securitização permite que uma empresa aumente seus negócios e lucros.

Menor risco de inadimplência

Um dos mais beneficiados com a securitização de crédito é o cedente da dívida. Isso porque o risco de perda passa a ser dos investidores e não mais da empresa. Ou seja, caso o cliente não pague a dívida, é o investidor quem terá a perda e isso não afeta o fluxo de caixa do cedente.

Isso precisa ser levado em conta, principalmente no momento da pandemia, por conta do problema econômico que ela colocou o país. Uma pesquisa feita pela Serasa, em parceria com a Opinion Box, sobre o perfil do brasileiro endividado, revelou que 76% dos entrevistados não quitaram a sua principal dívida. Ou seja, o risco se torna ainda maior nas empresas nesta crise que o país enfrenta.

E então, conseguiu entender mais detalhes sobre securitização? Os benefícios são inúmeros para todas as partes, sem contar que o risco de inadimplência deixa de ser da empresa e passa a ser dos investidores, que aceitam correr esse risco para ter uma maior rentabilidade do dinheiro aplicado.

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