Empréstimo no carnê: como funciona e quando compensa
Empréstimo no carnê: como funciona e quando compensaData de publicação 3 de novembro de 202613 minutos de leitura
Atualizado em: 9 de outubro de 2026
Categoria CréditoTempo de leitura: 13 minutosTexto de: Time Serasa
Esquecer de pagar a fatura do cartão gera um problema financeiro: o custo começa a subir logo no dia seguinte ao vencimento. Multa, juros e IOF passam a incidir sobre o saldo, que cresce a cada dia em aberto. Por isso, quitar cedo e pela opção de menor custo (sem os juros) reduz o total pago.
O valor final da dívida depende da velocidade da resposta e da forma de pagamento escolhida. A sequência abaixo segue a ordem em que cada decisão afeta o custo.
Confira a data de vencimento original. Se ela caiu em dia não útil e o pagamento saiu no dia útil seguinte, não há atraso.
Consulte o valor atualizado. Confira no aplicativo, no site ou na central do emissor o saldo com multa, juros e IOF.
Pague o quanto antes. Cada dia em aberto soma juros e IOF ao saldo, por isso pagar hoje custa menos que pagar amanhã.
Compare o custo das alternativas. Sem o valor total disponível, compare o custo efetivo total (CET) do rotativo com o de um empréstimo pessoal.
Quite o saldo pela opção de menor custo. Liquide a dívida integralmente antes do próximo fechamento da fatura.
Pronto! Agora é possível conter os encargos e evitar que o saldo em atraso passe para o ciclo seguinte.
A Lei nº 7.089/1983 proíbe instituições financeiras de cobrar juros de mora sobre títulos que vencem em sábado, domingo ou feriado. A condição é que o pagamento seja feito no primeiro dia útil seguinte.
Nesse caso, não é preciso pedir segunda via nem pagar taxa de atraso. Quando o pagamento fica para depois desse dia, a regra deixa de se aplicar. Os juros passam a contar desde o vencimento original.
A partir do dia seguinte ao vencimento, o emissor passa a cobrar multa, juros e IOF sobre o valor não pago. Esses encargos costumam aparecer na fatura seguinte. Se o atraso continuar, o cartão pode ser bloqueado até a regularização do pagamento.
Outras penalidades dependem do contrato de cada emissor, que também define a taxa de juros aplicada no período de atraso.
Depois do vencimento, a fatura em aberto passa a receber os seguintes encargos.
Em uma fatura hipotética de R$ 2.000 paga com 5 dias de atraso, a multa soma R$ 40. Os juros de mora ficam perto de R$ 3,30. Com o rotativo a 15% ao mês, os juros remuneratórios chegam a cerca de R$ 47. O IOF acrescenta perto de R$ 8,40. O atraso curto custa aproximadamente R$ 99.
Não existe prazo de tolerância. A cobrança de encargos começa no primeiro dia após o vencimento, sem carência. A única exceção é o vencimento em dia não útil com pagamento no dia útil seguinte ou, quem sabe, alguma oferta do banco.
A multa de 2% é cobrada integralmente mesmo em um atraso de horas, pois não é proporcional ao tempo. Juros e IOF crescem a cada dia em aberto.
A forma de pagamento também pesa. Pagamentos pelo aplicativo do banco tendem a ser reconhecidos mais rápido. Já o boleto pago em lotérica ou caixa eletrônico pode levar até três dias úteis para compensar.
Leia também | Como pagar a fatura do cartão de crédito.
Atraso e rotativo são situações diferentes. No atraso, nenhum valor foi pago até o vencimento. No crédito rotativo, o consumidor paga ao menos o pagamento mínimo da fatura e financia o restante.
Quem entra no rotativo não paga multa nem juros de mora, mas arca com os juros do rotativo e o IOF sobre o saldo financiado. Esse saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o emissor deve oferecer um parcelamento da fatura, com taxa menor que a do rotativo.
Desde janeiro de 2024, a Lei nº 14.690/2023 limita os juros e encargos do rotativo e do parcelamento ao valor original da dívida. Uma dívida de R$ 1.000 pode chegar a, no máximo, R$ 2.000, sem contar o IOF.
Leia também | Pagar o mínimo ou atrasar a fatura? Entenda as consequências
Pagar o mínimo deixa a maior parte possível do saldo na linha de crédito mais cara do cartão. Os juros do rotativo são compostos, ou seja, incidem sobre o saldo já acrescido dos juros anteriores.
Segundo o Banco Central, a taxa média do rotativo ficou em 436,2% ao ano em julho de 2026. O número anualiza a taxa mensal, que fica perto de 15%.
Em uma fatura de R$ 2.000 com pagamento mínimo de R$ 300 (valor definido pelo emissor), sobram R$ 1.700 no rotativo. Em 30 dias, esse saldo gera cerca de R$ 255 de juros e R$ 10,60 de IOF. O custo de um único mês supera 15% do valor financiado.
Leia também | Como sair do crédito rotativo e parar de pagar juros altos
A comparação entre as duas opções é puramente ilustrativa. O que decide é quanto cada modalidade cobra, em reais, para financiar o mesmo valor pelo mesmo período.
| Modalidade | Taxa mensal (exemplo) | Taxa anual equivalente | Juros em 30 dias sobre R$ 2.000 |
|---|---|---|---|
| Rotativo do cartão | 15% | cerca de 435% | R$ 300 |
| Empréstimo pessoal (taxa hipotética) | 6% | cerca de 101% | R$ 120 |
Valores ilustrativos. A taxa do rotativo se baseia na média do Banco Central de julho de 2026; a do empréstimo pessoal é hipotética. Os cálculos não incluem IOF nem tarifas, que entram no CET. As condições de cada oferta variam conforme o perfil e a instituição.
Nesse exemplo, trocar o rotativo por um empréstimo pessoal reduz o custo mensal em R$ 180. O número que deve guiar a decisão é o CET de cada proposta, que soma juros, IOF e tarifas.
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Informe o valor da fatura já atualizado com os encargos do atraso.
Confira o CET, o número de parcelas e o valor de cada parcela das ofertas disponíveis para o CPF.
Compare esses números com o custo do rotativo ou do parcelamento oferecido pelo emissor do cartão.
Pronto! Agora é possível solicitar a oferta de menor custo total, se houver oferta disponível para o CPF.
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A lógica da troca é comparar o custo total de cada caminho no mesmo prazo. Se o CET do empréstimo for menor que o custo do rotativo ou do parcelamento do emissor, a troca reduz o valor pago.
Com o valor do empréstimo em conta, a fatura é quitada à vista e deixa de gerar encargos no cartão. Resta a parcela fixa do empréstimo, com prazo e custo definidos na contratação.
Para que a conta feche, o cartão não deve receber novas compras até o fim do empréstimo. Crédito funciona como ferramenta para uma situação temporária, usado de forma consciente.
Depois de esquecer de pagar a fatura do cartão, a decisão mais econômica depende de números. Comparar o CET de diferentes ofertas antes de quitar o saldo permite trocar os juros do rotativo por uma parcela com custo conhecido.
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