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Pagar o mínimo ou atrasar a fatura: qual o menor prejuízo?

Um guia definitivo que analisa os impactos financeiros de cada escolha e apresenta as melhores alternativas para momentos de aperto.

Atualizado em: 4 de maio de 2026

Categoria CréditoTempo de leitura: 12 minutos

Texto de: Time Serasa

pagando o minimo para tentar nao atrasar

Diante da impossibilidade de quitar o valor total da fatura do cartão de crédito, muitos consumidores se perguntam se é melhor pagar o mínimo ou atrasar a fatura. Ambas as opções representam um desvio do ideal, que é o pagamento integral, e levam à cobrança de juros, multas e impactos na pontuação de crédito. 

A decisão, embora difícil, deve ser tomada de forma racional. Entender o que acontece em cada cenário é fundamental para escolher o caminho que causa o menor prejuízo possível ao orçamento e à saúde financeira a longo prazo. Mais importante ainda é saber que muitas vezes existe uma terceira via: a renegociação da dívida antes que ela se transforme em acúmulo de dívidas.

Assista |Por que pagamos juros?

Cenário 1: o que acontece ao pagar o valor mínimo da fatura

Pagar o valor mínimo da fatura é uma opção oferecida pelo banco para evitar a inadimplência total. Ao fazer isso, o consumidor sinaliza que reconhece a dívida e tem a intenção de pagar, mas não tem recursos para quitá-la integralmente naquele momento. Contudo, essa conveniência tem um custo muito alto. 

Ao pagar qualquer valor entre o mínimo e o total, o saldo devedor restante entra automaticamente no crédito rotativo, uma das linhas de crédito mais caras do mercado. 

Como funciona o crédito rotativo: 

  • ● Juros elevados: sobre o valor que não foi pago, incidem juros altíssimos, que são calculados diariamente e somados à fatura do mês seguinte. 
  • ● Bola de neve: se no mês seguinte o pagamento integral não for realizado novamente, a dívida cresce de forma exponencial, somando o saldo devedor, os juros do primeiro mês e os novos gastos. 
  • ● Teto de 100%: é importante notar que, desde 2024, vigora uma regra que limita os juros do rotativo. A dívida total (valor original + juros) não pode ultrapassar o dobro do valor original do débito. Ou seja, uma dívida de R$ 1.000 no rotativo não pode se tornar maior que R$ 2.000. Apesar desse teto, as taxas ainda são extremamente altas. 


Exemplo prático: 

  • ● Valor da fatura: R$ 2.000 
  • ● Pagamento mínimo (15%): R$ 300 
  • ● Saldo devedor no rotativo: R$ 1.700 
  • ● Taxa de juros do rotativo (hipotética): 14% ao mês 
  • ● Custo no próximo mês: R$ 1.700 (saldo devedor) + R$ 238 (juros de 14%) + IOF. A dívida já saltou para quase R$ 1.950, sem contar os novos gastos.

Cenário 2: o que acontece ao atrasar o pagamento da fatura

Atrasar o pagamento significa não pagar nem mesmo o valor mínimo até a data de vencimento. Essa opção também acarreta custos, mas de natureza diferente. A partir do primeiro dia de atraso, duas penalidades principais são aplicadas: 

1 - Multa por atraso: é um valor fixo, estipulado por lei em 2% sobre o valor total da dívida. Essa multa é cobrada uma única vez, já no primeiro dia de atraso, e representa o maior impacto inicial. 

2 - Juros de mora: são juros cobrados pelo período em que a conta permaneceu em atraso. A taxa é limitada por lei a 1% ao mês, calculada de forma pro rata die, ou seja, proporcionalmente aos dias de atraso. 

Além disso, após alguns dias de atraso, a instituição financeira pode começar a cobrar juros remuneratórios, que são taxas similares às do crédito rotativo, aplicadas sobre o saldo devedor. 

Exemplo prático: 

  • ● Valor da fatura: R$ 2.000 
  • ● Atraso de 10 dias 
  • ● Multa (2%): R$ 40,00 (cobrada no primeiro dia) 
  • Juros de mora (1% ao mês / 30 dias): (1% / 30) * 10 dias = 0,33%. 
  • ● Cálculo: R$ 2.000 * 0,33% = R$ 6,60 
  • ● Custo total do atraso (após 10 dias): R$ 40,00 (multa) + R$ 6,60 (mora) = R$ 46,60 (sem contar os juros remuneratórios que podem ser adicionados).

 

Leia também | Atraso no pagamento da parcela do acordo: como agir

Comparativo direto: pagar o mínimo ou atrasar a fatura?

Para tomar a decisão menos prejudicial, é preciso analisar os impactos de cada cenário em diferentes esferas.

Fator analisado Pagar o mínimo (entrar no rotativo) Atrasar a fatura (inadimplência)
Custo financeiro Extremamente alto. Os juros do rotativo são os mais caros do mercado e se acumulam rapidamente, transformando a dívida em uma bola de neve. Moderado a alto. O impacto inicial da multa de 2% é significativo, mas os juros de mora são baixos (1% a.m.). O custo total aumenta com os juros remuneratórios, mas tende a ser menor que o do rotativo no curto prazo.
Impacto no Serasa Score Negativo. Pagar apenas o mínimo é um sinal de dificuldade financeira e impacta negativamente a pontuação de crédito. O sistema entende que o consumidor está se endividando. Muito negativo. O não pagamento é um registro de inadimplência. Após alguns dias de atraso, o banco pode comunicar a dívida aos birôs de crédito, levando à negativação do CPF ("nome sujo"), o que causa uma queda brusca no Serasa Score.
Relacionamento com o banco Regular. O banco percebe a dificuldade, mas o pagamento mínimo mantém o cliente como "adimplente". O relacionamento não é rompido, mas a oferta de novos produtos de crédito pode ser restringida. Ruim. A inadimplência quebra a relação de confiança. O banco pode bloquear o cartão de crédito, reduzir o limite do cheque especial e dificultar futuras negociações.
Conclusão de curto prazo Financeiramente, é a pior opção devido aos juros. Em termos de juros imediatos, é menos caro, mas o risco de negativação e quebra de relacionamento é altíssimo.

Veredito: do ponto de vista puramente matemático e de curto prazo, pagar o mínimo é financeiramente muito mais caro e prejudicial do que um atraso de poucos dias. No entanto, atrasar a fatura carrega o risco iminente de negativação do CPF. 

Nenhum dos caminhos é bom. A verdadeira solução está fora dessa escolha.

A terceira via: a melhor alternativa para a saúde financeira

Em vez de escolher entre duas opções ruins, o consumidor deve buscar uma terceira alternativa: a negociação da dívida. 

1. Parcelamento da fatura 

Antes de deixar a dívida entrar no rotativo, o consumidor pode entrar em contato com o banco e solicitar o parcelamento do valor total da fatura. As taxas de juros do parcelamento são significativamente mais baixas que as do crédito rotativo. O cliente terá parcelas fixas, o que permite um melhor planejamento financeiro, e evitará a bola de neve dos juros sobre juros. 

2. Empréstimo pessoal ou com garantia 

Outra estratégia é "trocar a dívida cara por uma mais barata". O consumidor pode buscar no mercado uma linha de crédito com juros menores para quitar o valor total do cartão. 

  • Empréstimo pessoal: pode ter juros mais baixos que o parcelamento da fatura. 
  • ● Empréstimo com garantia: se o consumidor possui um veículo ou imóvel, pode usá-lo como garantia para obter um empréstimo com taxas de juros muito reduzidas. 


Plataformas como o Serasa Crédito permitem simular e comparar diversas ofertas de empréstimo de seus parceiros, ajudando o consumidor a encontrar a melhor opção para seu perfil. A análise de crédito e a concessão do empréstimo são feitas pela instituição financeira escolhida.


Leia ainda | Cartão de crédito: como usar de forma inteligente 

Decisão estratégica em um momento de crise

A escolha entre pagar o mínimo e atrasar a fatura é, na verdade, um falso dilema. Ambas as opções levam a prejuízos e devem ser evitadas. A análise mostra que, embora o rotativo seja financeiramente devastador, o atraso carrega o risco de negativação, que fecha as portas do mercado de crédito. 

A melhor atitude é entrar em contato com a instituição financeira para solicitar o parcelamento da fatura ou buscar ativamente uma linha de crédito mais barata para quitar o débito. Essas alternativas demonstram proatividade, protegem o Serasa Score de uma queda brusca e mantêm a saúde financeira em um caminho sustentável, mesmo em momentos de aperto.

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Perguntas frequentes sobre o pagamento da fatura

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