Volta às aulas 2026: guia de planejamento para a família

Confira dicas de economia, negociação e reaproveitamento de materiais para reduzir o impacto financeiro.

Quem tem filhos na escola não tem dúvidas: o começo do ano exige muito do orçamento familiar. Para crianças e adolescentes, a compra do material escolar é um momento de diversão, mas para os adultos é um gasto considerável, que se soma à temporada de pagamento de impostos como o IPVA e o IPTU

Quando se trata de escola particular, a conta é ainda mais alta: é preciso considerar também matrícula, livros didáticos e uniforme.  

A solução é buscar todas as oportunidades possíveis para economizar e envolver a criança no planejamento, de acordo com a maturidade dela para compreender. Apesar do desafio, é uma oportunidade importante para ensinar o conceito de orçamento e alertar os pequenos sobre o consumismo. 

Confira, neste guia, dicas de economia e reaproveitamento para a volta às aulas 2026. 

Seis motivos para planejar a volta às aulas no final do ano

A retomada do ano letivo é um evento previsível – não dá para dizer que você foi pego de surpresa. Quem começa a se planejar antes mesmo de o ano terminar tem muito mais chance de manter o orçamento equilibrado. 


Confira boas razões para começar a se organizar o mais cedo possível: 

  1. O planejamento permite diluir os gastos ao longo dos meses. 

  2. Você pode aproveitar ofertas como a da Black Friday, em novembro, para começar a comprar o material escolar. 

  3. Fica mais fácil saber qual será o orçamento disponível para o Natal e para as férias.  

  4. Se não houver dinheiro sobrando, é possível direcionar o valor do 13º salário ou das férias. 

  5. Oportunidade de comprar o uniforme escolar antes de o preço ser atualizado. 

  6. Ajuda também a projetar o pagamento dos compromissos no começo do ano, como IPVA e IPTU

Para a as famílias que não se planejaram, usar o décimo terceiro é uma boa opção, mas o ideal seria colocar as despesas com a volta às aulas no orçamento mensal da família, de forma que de janeiro a dezembro fosse criada uma poupança que suportaria os gastos com tranquilidade. 

Assista | Os gastos típicos do começo de ano

O panorama dos gastos do ano letivo

Os gastos com a educação se concentram no começo do ano letivo. Mas é importante lembrar que a escola é um custo mensal para quem escolhe a rede particular, e precisa ser prevista no planejamento financeiro da família

Gastos como transporte escolar e mensalidade de escolas particulares fazem parte das contas fixas essenciais, assim como moradia e supermercado. De acordo com o método 50-30-20, que sugere como dividir o dinheiro do mês para o equilíbrio financeiro, o total das despesas básicas deve corresponder a 50% da renda familiar.  

Portanto, se os seus custos fixos estiverem ultrapassando 50% dos ganhos, é importante rever o orçamento e encontrar oportunidades de economia para evitar o endividamento e a inadimplência com a própria escola. 

O raio-X das despesas

De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva e QuestionPro em 2024, as compras para o ano letivo impactam o orçamento de 85% das famílias brasileiras. E os gastos com material escolar aumentaram consideravelmente: cerca de 43,7% ao longo de quatro anos. 

Dados da Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE) confirmam que o aumento médio do material escolar em 2025 (de 7% a 9%) foi superior ao índice de inflação do ano anterior (que ficou em 4,68%). 

Estratégias de economia: gastando menos e melhor

A lista parece infinita: de cola a uniforme, de livro didático a várias unidades de cadernos. Mas, com criatividade e dedicação, é possível reduzir o investimento com os materiais para o início do ano letivo. 

Para economizar, há duas estratégias principais: pesquisa e reaproveitamento

Como reaproveitar o material do ano anterior

A gente sabe que não é preciso comprar tudo de novo a cada ano – por mais que esse seja o desejo das crianças. Reaproveitar o que ainda pode ser utilizado do ano anterior é uma forma de ensinar na prática conceitos de educação financeira e consumo consciente para os pequenos. 

Para isso, faça uma limpeza com a ajuda das crianças e ensine-as a reduzir o desperdício.

  • Aponte todos os lápis, revise as canetas que têm tinta e limpe tudo com álcool e flanela. 

  • Canetinhas e marcadores secos podem voltar a funcionar ao receber gotas de álcool ou água. 

  • Giz de cera quebrado pode ser remoldado. Basta juntar pedaços da mesma cor em um molde de silicone e levar por poucos minutos ao forno, ao micro-ondas ou aquecer na air fryer. Depois de esfriar, é só desenformar. 

  • Limpe estojos e mochilas com álcool e avalie se podem ser customizados. Personalize com adesivos, bótons ou até bordados. 

  • Retire as páginas em branco dos cadernos antigos e guarde para servirem como rascunho ou corte as folhas e transforme-as em bloquinhos.  

Pesquise!

De acordo com um levantamento do Procon-SP em janeiro de 2025, a variação de preço para o mesmo produto chegou a 269% entre uma papelaria e outra. 

Por isso, não dá para comprar material escolar com pressa. É provável que a compra precise ser feita em diferentes lojas, físicas e online. Vale lembrar que a escola não pode exigir materiais de marcas específicas. 

Dicas para economizar na compra de livros didáticos e uniformes

Para os pais de alunos matriculados na rede particular de ensino, apostilas, livros e uniforme escolar são itens a mais (e bastante expressivos) na lista de compras. Vale lembrar que a lei proíbe xerocar livro didático, por respeito aos direitos autorais – portanto, essa é uma aquisição obrigatória. 

reaproveitamento do livro didático, uma prática tradicional na rede pública (onde o ciclo do livro é de quatro anos), é a solução ideal também para os alunos da escola particular. Um hábito que economiza dinheiro, recursos naturais e incentiva a economia circular

  1. Se precisar de uniforme novo, busque fazer a compra no segundo semestre do ano. Nos períodos de matrícula e no começo das aulas o preço é atualizado e a procura aumenta. 

  2. Vale a pena comprar um tamanho maior e costurar a barra da calça, para que as crianças possam aproveitar o uniforme por mais tempo.  

  3. Para livros e apostilas, a prioridade deve ser sempre conseguir o material usado de alunos de anos anteriores. Em alguns casos a própria escola organiza o repasse.  

  4. Os livros de literatura, que costumam ser clássicos, podem ser comprados em sebos ou emprestados de bibliotecas públicas

Cuidar bem dos livros: um compromisso dos alunos

Oriente crianças e adolescentes a cuidarem bem dos livros, seja na escola pública ou na particular. Livro didático é um material de valor, e pode ser aproveitado por vários alunos ao longo dos anos. Eles não devem ser rasurados, dobrados ou manuseados com as mãos molhadas. E nada de anotações a caneta! 

Mensalidades e matrículas: como negociar

De acordo com o Censo Escolar divulgado em 2025 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), dois em cada 10 alunos da educação básica no Brasil estão inscritos na rede privada de ensino. 

No caso da educação particular, manter uma boa relação entre a instituição e a família pode ser fundamental para o próprio desenvolvimento da vida escolar do seu filho. Além disso, algumas escolas divulgam um preço cheio já prevendo uma negociação. Portanto, é importante sempre tentar negociar. Os descontos podem ser significativos e representar uma boa economia ao longo do ano. 

Se os pais ou responsáveis estiverem inadimplentes, a instituição tem o direito de recusar a rematrícula no ano seguinte, e o aluno precisará necessariamente estudar em outro lugar. Por isso, o boleto da escola precisa ser uma prioridade no orçamento familiar. 

Se houver qualquer indício de que a mensalidade não será paga, procure o quanto antes ajustar o orçamento para não gerar uma bola de neve. 

Confira oportunidades de conseguir desconto ou negociar valores: 

  • Muitas instituições particulares oferecem redução de valor para famílias com mais de um filho na mesma escola.  

  • Grupos de pais que decidem trocar os filhos de escola juntos podem negociar descontos com a nova instituição. 

  • Se você tiver uma reserva financeira, é possível conseguir um bom desconto ao negociar o pagamento à vista de todo o ano letivo. Pode ser mais vantajoso do que investir o mesmo valor. 

  • Se estiver inadimplente, busque dialogar com a equipe da escola, explique sua situação e negocie novas condições.  

Mensalidades da escola e inadimplência: o que pode e o que não pode


NÃO É PERMITIDO É PERMITIDO
✗ Aplicar penalidades pedagógicas para o aluno inadimplente. ✓ A escola pode negar a rematrícula do aluno que estiver em dívida com a instituição.
✗ Constranger o aluno que estiver com dívidas ou divulgar a situação. ✓ A instituição pode colocar o nome do pai, mãe ou responsável inadimplente na Serasa.
✗ Negar a matrícula de um novo aluno que esteja inadimplente em outra instituição. ✓ A escola pode oferecer negociação ao cliente, mas não é obrigada por lei.

Direitos do consumidor na escola particular

A prestação de serviços da escola particular é regulada pelo Código de Defesa do Consumidor, e a Lei 9.870/99 também dispõe sobre o valor das anuidades. Confira os principais direitos: 

  • A cobrança de taxa de matrícula, rematrícula ou reserva de vaga é permitida, mas o valor precisa ser abatido posteriormente das mensalidades. As escolas só podem cobrar 12 parcelas por ano.  

  • valor total cobrado no ano ou no semestre deve ser contratado no ato da matrícula ou da renovação.  

  • Se houver reajuste do valor da mensalidade ao longo do ano, a escola precisa apresentar uma planilha justificando o aumento.  

  • Os alunos que já estão matriculados na escola têm direito à rematrícula – exceto em casos de inadimplência. 

  • As escolas particulares são obrigadas a oferecer vagas para alunos com deficiência, sem cobrar nenhuma taxa extra. 

  • As escolas não podem solicitar materiais de uso coletivo, como produtos de limpeza ou itens de escritório. 

Escola particular pode cobrar nas férias?

Sim. A escola particular tem direito a cobrar uma mensalidade integral mesmo nos meses de férias escolares. De acordo com a lei, a cobrança se refere ao valor anual do serviço prestado, que costuma ser dividido em 12 ou 6 parcelas fixas. 

Alternativas de economia: pense fora da caixa

Além de fazer muita pesquisa, é possível partir para estratégias mais especializadas e encontrar novas oportunidades de economia ao longo do ano. 

Organize compras coletivas

A união faz a economia. Quando o grupo de pais e responsáveis se organiza, a chance de gastar menos é maior. Um adulto pode ficar responsável pela compra do material de toda a turma e conseguir descontos ao comprar em lojas de atacado.  

Limite os produtos licenciados e de marca

É importante explicar para o seu filho que nem todo item poderá ter a estampa do super-herói favorito. Os chamados produtos licenciados, que utilizam a imagem oficial de personagens, costumam ser bem mais caros do que os objetos “genéricos”.  

Vale conversar também sobre itens de marca. Muitas vezes, a qualidade deixa a desejar e não compensa o investimento, principalmente no caso das crianças, que têm mais chance de perder materiais ao longo do ano.  

Conheça seus direitos

Quem tem filhos inscritos na escola pública deve conhecer os direitos que o município, o estado ou o governo federal garantem aos alunos. De forma geral, as instituições públicas fornecem o uniforme escolar e os livros didáticos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, em 2025 o programa kit escolar liberou o valor do auxílio por meio de crédito em um aplicativo próprio. 

Pesquise bolsas de estudo em escola particular

Muitas escolas particulares oferecem bolsas de estudo integrais ou parciais para alunos da rede pública. Normalmente, as instituições selecionam os bolsistas conforme o desempenho do aluno e a situação socioeconômica da família. Investigue essa possibilidade nas escolas da sua cidade.  

Declare os gastos no Imposto de Renda

O gasto com educação formal em instituição particular pode ser deduzido do Imposto de Renda dos pais ou responsáveis financeiros. A Receita Federal permite deduzir até R$ 3.561,50 (valor de 2025) para as despesas com mensalidades. Entretanto, custos como livros ou material escolar não entram na declaração.    

Vale a pena parcelar a compra de material escolar?

Para que o aluno comece o ano letivo com todo o material necessário, muitas vezes o parcelamento é a solução. De acordo com a pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva e QuestionPro em 2024, 35% dos entrevistados planejavam parcelar a compra do material escolar.  

Ao escolher o parcelamento ou a compra no cartão de crédito, é importante ter certeza de que as faturas cabem no orçamento dos próximos meses. Caso seja necessário, considere comprar apenas o que é mais urgente e deixar alguns materiais para o segundo semestre. Se a lista pedir duas colas, por exemplo, compre apenas uma por enquanto. 

É importante evitar criar parcelas em quantidade superior ao tempo de uso do material, porque no ano seguinte isso pode acumular com a compra de novos materiais. 

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Conteúdo assinado por: Rafael Recidive

Administrador (UFU) e especialista em negócios financeiros (PUC-Rio). Há 11 anos ajuda pessoas e famílias a viverem em paz com as finanças por meio da educação financeira.

Conteúdo assinado por: Rafael Recidive

Administrador (UFU) e especialista em negócios financeiros (PUC-Rio). Há 11 anos ajuda pessoas e famílias a viverem em paz com as finanças por meio da educação financeira.

Perguntas frequentes sobre volta às aulas 2026