Como ensinar idosos a usar app de bancos: passo a passo
Como ensinar idosos a usar app de bancos: passo a passoData de publicação 23 de outubro de 202611 minutos de leitura
Publicado em: 23 de outubro de 2026
Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 13 minutosTexto de: Time Serasa
A mensagem que diz que um banco convoca idosos para resgatar dinheiro, com prazo curto e link para liberar um suposto saque extra, é golpe. Os valores esquecidos em bancos e outras instituições são consultados só no Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central, que não envia links nem entra em contato para tratar desse assunto.
A dúvida faz sentido. Notícias verdadeiras sobre dinheiro esquecido circulam ao lado de mensagens falsas, e as duas usam palavras parecidas, como “resgate”, “valores a receber” e “aposentados”. Para pessoas idosas e para as famílias que acompanham a rotina financeira delas, o cuidado é conferir a informação no canal oficial e conversar com alguém de confiança antes de qualquer clique.
Existe dinheiro esquecido em bancos, consórcios e outras instituições financeiras, mas a devolução não depende de convocação nem tem regra especial para pessoas idosas. Qualquer pessoa física ou jurídica pode consultar de graça, com o número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), se tem valores no sistema do Banco Central, que também indica a instituição responsável pela devolução.
Esses valores podem vir de contas encerradas com saldo, tarifas cobradas de forma indevida ou consórcios encerrados, e a consulta de dinheiro a receber é feita pela internet, sem intermediários.
Outra notícia verdadeira entre aposentados e pensionistas é o ressarcimento de descontos de entidades associativas não autorizados nos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Esse processo é conduzido pelo próprio instituto, e não pelos bancos, e o Ministério da Previdência Social informa que a comunicação sobre ele acontece só pelos canais oficiais, como o aplicativo Meu INSS, a Central 135 e as agências dos Correios. Mensagens que usam esse assunto para pedir dados fazem parte dos golpes contra aposentados do INSS.
A mensagem de golpe, por outro lado, se apresenta como uma convocação com prazo para acabar, traz um link e pede dados ou pagamento para liberar o valor. A tabela mostra três diferenças entre a comunicação oficial e a fraude.
| O que observar | Comunicação oficial | Mensagem de golpe |
|---|---|---|
| Link | O Banco Central não envia links nem entra em contato para tratar de valores a receber | Chega por WhatsApp, SMS ou e-mail com link para “liberar o saque” |
| Senha e códigos | A instituição indicada no sistema pode entrar em contato para confirmar a identidade, mas não pede senha | Pede senha, código recebido por SMS ou dados do cartão |
| Custo | A consulta e o pedido de devolução são gratuitos | Cobra uma “taxa de liberação” antes do suposto saque |
Fonte: orientações do Banco Central para o serviço Valores a Receber.
O golpe do saque extra imita uma comunicação de banco ou do governo para levar a pessoa idosa a clicar em um link, informar dados ou fazer um pagamento. Com essas informações, o golpista pode tentar acessar contas, fazer transferências ou usar os dados em nome da vítima.
A abordagem pode seguir a sequência abaixo.
A mensagem cita um banco conhecido ou um órgão do governo e fala em saque extra, devolução ou benefício para aposentados.
O texto cria urgência, com prazo de poucas horas ou o aviso de que o valor será perdido.
Um link leva a uma página que copia cores e logotipos de sites oficiais e pede CPF, senha ou código recebido por SMS.
Em algumas versões, a página cobra uma taxa por Pix antes de liberar o dinheiro.
Ter o nome completo ou o CPF citado na mensagem não torna o contato legítimo. Golpistas usam dados que já têm para parecer confiáveis, e esse detalhe deve ser tratado como sinal de alerta, não como prova de que a mensagem é verdadeira. Bancos não pedem senha nem código de segurança, e outros sinais de golpe também ajudam a identificar a fraude, como erros de português na mensagem e a cobrança de um pequeno pagamento para liberar o valor.
Filhos, netos e outros familiares podem combinar regras claras com a pessoa idosa, como não clicar em links de mensagens sobre dinheiro e telefonar para alguém de confiança antes de qualquer pagamento. Na dúvida sobre um contato, a ligação para o banco é feita pelo número oficial impresso no verso do cartão, e não pelo telefone que aparece na mensagem.
No celular, algumas configurações dificultam o acesso de golpistas às contas e aos contatos da pessoa idosa, como:
ativar a confirmação em duas etapas no WhatsApp;
deixar a foto do perfil visível só para os contatos salvos;
ajustar os limites de Pix no aplicativo do banco;
habilitar a verificação em duas etapas na conta gov.br.
Essas configurações podem ser feitas junto com a pessoa idosa, que continua com as próprias senhas, e entram em uma rotina de segurança de pessoas idosas na internet.
Para acompanhar o que acontece com o próprio CPF, a pessoa idosa pode usar o monitoramento do CPF do Serasa Premium, que envia alertas por e-mail e SMS sobre consultas e movimentações no nome do assinante. O serviço não substitui os cuidados contra golpes, e o acesso à conta continua com o titular, no aplicativo da Serasa.
Quando o link já foi aberto ou algum dado foi informado, as medidas abaixo limitam o uso das informações pelo golpista e deixam o caso registrado.
Ligue para o banco pelo número oficial e peça o bloqueio de cartões, senhas e acessos.
Troque as senhas do aplicativo do banco, do e-mail e da conta gov.br.
Registre um boletim de ocorrência, com capturas de tela das mensagens e os comprovantes.
Se a pessoa idosa fez um Pix direto para o golpista ou para uma conta usada por ele, peça ao banco a contestação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED).
As mesmas medidas se aplicam a outros golpes contra pessoas idosas, como a falsa central de atendimento de banco.
O Sistema de Valores a Receber, do Banco Central, é o único canal oficial para consultar e pedir a devolução de dinheiro esquecido no sistema financeiro. A consulta é gratuita e mostra se há valor disponível e qual instituição deve devolvê-lo.
O pedido de devolução exige conta gov.br nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas habilitada, além de uma chave Pix. Quem não tem chave Pix combina a devolução direto com a instituição indicada no sistema, que nesse caso não é obrigada a cumprir o prazo de 12 dias úteis.
O passo a passo abaixo segue as orientações do serviço Valores a Receber no portal gov.br.
Acesse a página do Sistema de Valores a Receber pelo site do Banco Central, sem usar links recebidos por mensagem.
Informe o CPF e a data de nascimento para fazer a consulta, que não exige login.
Se houver valor, clique em “Acessar o SVR” e entre com a conta gov.br.
Escolha uma chave Pix, informe os dados pedidos e guarde o número de protocolo.
Pronto! Agora é possível aguardar a devolução na conta ligada à chave Pix, em até 12 dias úteis, segundo o Banco Central.
A família pode acompanhar a consulta ao lado da pessoa idosa, mas o acesso à conta gov.br e a digitação da senha cabem ao próprio titular. A instituição que aparece no sistema pode telefonar ou mandar e-mail para confirmar a identidade, e mesmo nesse contato ela não pede senha.
Quando chega uma mensagem dizendo que um banco convoca idosos para resgatar dinheiro, a decisão mais segura é não clicar e conferir a informação no canal oficial do Banco Central. O Serasa Ensina publica conteúdos gratuitos sobre golpes e segurança dos dados, que a família pode ler e compartilhar com a pessoa idosa.
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