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Economia Comportamental: somos mesmo seres racionais?

A economia comportamental vem para confrontar a ideia de que nós somos completamente racionais na hora da tomada de uma decisão

colunista Fabiana Ramos
Publicado em: 28 de março de 2022.

A economia comportamental, também conhecida como psiconomia, é um ramo da economia que mistura diversas ciências sociais, entre elas a psicologia e a neurociência, e que estuda o fator da tomada de decisão pelo ser humano, dito um ser racional.

Mas será mesmo que existe toda essa racionalidade quando alguém toma uma decisão? A teoria econômica tradicional, durante muito tempo, dizia que o ser humano tomava suas decisões de forma racional, sempre pesando os prós e contras de cada possibilidade até perceber qual decisão maximizaria os seus ganhos.

Porém, no campo da psicologia, chegou-se à conclusão de que a racionalidade das decisões humanas é restringida por muitos fatores, dentre eles sociais, cognitivos, emocionais e também econômicos.

Quer saber mais sobre o que a economia comportamental tem a nos ensinar acerca das nossas decisões? Então continue acompanhando o artigo e conheça os chamados “atalhos mentais” relacionados ao tema.

Como funciona a economia comportamental?

A economia comportamental, como já dito, vem promovendo uma série de estudos que comprovam que nem sempre tomamos as melhores decisões que trariam, para nós, os melhores resultados.

Ela pretende entender como e porque as pessoas se comportam como se comportam no mundo real, examinando as diferenças entre o que as pessoas “deveriam” fazer e o que realmente fazem e as consequências dessas ações.

Por exemplo, por que as pessoas muitas vezes evitam ou demoram para pensar em um plano para aposentadoria, ou não fazem exercícios regulares, mesmo sabendo que essas coisas as beneficiaria no longo prazo? Por que algumas pessoas gastam mais do que têm mesmo sabendo que vão se complicar mais pra frente?

Apesar de sermos racionais, as nossas decisões são tomadas, na maioria das vezes, de forma automática, o que chamamos de heurística, ou permeada por vieses comportamentais (atalhos) que podem nos prejudicar ou nos afastar do objetivo que gostaríamos de alcançar.

E, em razão disso, o campo da economia comportamental considera as pessoas como seres humanos sujeitos à emoção e à impulsividade, sendo amplamente influenciados por seus ambientes e circunstâncias, diferente da visão clássica da economia tradicional, que trata as pessoas como se tivessem um perfeito controle, não perdendo nunca de vista seus objetivos a longo prazo.

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Vamos ver alguns vieses comportamentais abordados pela psicoeconomia:

Heurística da disponibilidade

Nesses casos, a decisão é feita baseada em experiências pessoais de uma pessoa ou em acontecimentos recentes, tomando por base a probabilidade daquele evento novamente acontecer.

Por exemplo, podemos citar o caso da tragédia de 11 de setembro de 2001. Os americanos são mais propensos a temer um sequestro de avião por causa dos ataques terroristas, embora este seja um evento altamente improvável.

Viés da confirmação

Viés da confirmação é a tendência de buscar evidências consistentes com uma crença anterior, ou seja, nós temos uma tendência a buscar informações que comprovem nossos pontos de vista já preestabelecidos.

Na polarização política, por exemplo, isso é muito comum de acontecer. Pessoas que gostam de políticos ou partidos de esquerda buscam confirmar seus pontos de vista baseados em artigos e ideias mais “esquerdistas”, ao mesmo tempo que pessoas que se alinham mais a políticos ou partidos de direita se apoiam em posições e perspectivas dos “direitistas” que confirmam suas próprias convicções.

Excesso de confiança

O excesso de confiança é a tendência de ser excessivamente otimista, superestimar as próprias habilidades ou acreditar que suas informações são mais precisas do que realmente são. Provoca um comportamento bastante arriscado.

Para citarmos um exemplo: você acredita que será um ótimo investidor da Bolsa de Valores porque seus testes no simulador foram excelentes.

Aversão a perdas

Essa tendência nos mostra que a dor associada a uma possível perda é muito maior do que o prazer associado a um ganho da mesma magnitude.

Vamos a um exemplo: perder uma nota de R$ 100 é mais doloroso do que achar uma nota de R$ 100.

Desta maneira, as pessoas se veem mais dispostas a correr riscos para evitar uma perda do que para obter um ganho.

Efeito manada

Quem nunca agiu baseado na atitude da maioria de um grupo? O efeito manada acontece quando as pessoas agem de forma a imitar ou seguir a decisão de outras pessoas em vez de decidir por si mesmas.

Com certeza você já ouviu a expressão “Maria-vai-com-as-outras”, não é? Pois ela é a própria expressão desse viés do comportamento manada: fazer escolhas seguindo o comportamento de um grupo.

Quer um exemplo do nosso cotidiano? Estamos visitando uma cidade nova, e, ao passear por uma rua cheia de restaurantes, totalmente desconhecidos, normalmente escolhemos o restaurante que está mais cheio, ainda que tenha fila, e não o mais vazio.

Ou seja, quanto mais pessoas tiverem feito uma determinada escolha, mais você se sente impulsionado a seguir o grupo.

Viés do Custo Afundado (Sunk Cost)

O viés do custo afundado ou falácia dos custos irrecuperáveis acontece quando alguém já disponibilizou recursos relativos a dinheiro ou tempo (ou qualquer outro tipo de investimento), e sabe que não vai conseguir o objetivo esperado. Existe então uma tendência de continuar investindo, mesmo tendo consciência de que é uma má decisão, tendo em vista que o investimento já feito não poderá ser recuperado. É como se fosse uma insistência em opções sem perspectivas.

Imagine alguém que ingressa em uma faculdade de medicina, e, no 8º período, descobre que o curso não tem nada a ver com aquilo que realmente gostaria de fazer. Mas, por já ter investido 4 anos da sua vida no curso, fora o tanto de dinheiro que já despendeu, insiste em continuar para terminar o que começou, ainda que saiba que medicina não é a carreira profissional que vai exercer no futuro.

Ainda existem muitos outros vieses que explicam a nossa tomada de decisão e o nosso comportamento diante dela. Perceba que são espécies de atalhos mentais que exigem uma menor quantidade de esforço, pois o nosso cérebro simplifica a avaliação das informações que se têm ao dispor. É o que acontece quando, por exemplo, agimos instintivamente fugindo de um perigo. Tomamos uma decisão rápida que, nesse caso, nos beneficiou naquela situação.

Mas também sabemos que a maioria das nossas decisões precisam ser bem pensadas e avaliadas, e, uma vez conhecendo os vieses, é possível identificar quais são os mais comuns para você, adotando medidas que facilitarão esse processo de escolha.

Outra dica é desenvolver a inteligência emocional e impedir que suas decisões sejam pautadas nas emoções ou impulso, mas sim no maior grau de racionalidade possível.

E aí, você já tinha escutado falar em economia comportamental? Se tiver interesse em se aprofundar mais no assunto, eu trago a indicação de um livro muito bom que trata do assunto: Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman e Amos Tversky, tendo sido publicado no Brasil pela Editora Objetiva.

Fique sempre atento também a outros vieses!

Ainda existem muitos outros vieses que explicam a nossa tomada de decisão e o nosso comportamento diante dela. Perceba que são espécies de atalhos mentais que exigem uma menor quantidade de esforço, pois o nosso cérebro simplifica a avaliação das informações que se têm ao dispor. É o que acontece quando, por exemplo, agimos instintivamente fugindo de um perigo. Tomamos uma decisão rápida que, nesse caso, nos beneficiou naquela situação.

Mas também sabemos que a maioria das nossas decisões precisam ser bem pensadas e avaliadas e, uma vez conhecendo os vieses, é possível identificar quais são os mais comuns para você, adotando medidas que facilitarão esse processo de escolha. Ou seja: também é importante se observar e estar atento aos seus sentimentos quando falamos de finanças.

Outra dica é desenvolver a inteligência emocional e impedir que suas decisões sejam pautadas nas emoções ou impulso, mas sim no maior grau de racionalidade possível. Quando estamos falando de dinheiro, planejamento, organização e racionalidade sempre são essenciais.

E aí, você já tinha escutado falar em economia comportamental? Se tiver interesse em se aprofundar mais no assunto, eu trago a indicação de um livro muito bom que trata do assunto: Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman e Amos Tversky, tendo sido publicado no Brasil pela Editora Objetiva.

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