CDB ou Tesouro Selic: qual rende mais e qual o melhor para cad...
CDB ou Tesouro Selic: qual rende mais e qual o melhor para cada perfil?Data de publicação 5 de junho de 202611 minutos de leitura
Publicado em: 8 de junho de 2026
Categoria Educação financeiraTempo de leitura: 13 minutosTexto de: Time Serasa
Falar sobre planejamento financeiro muitas vezes evoca imagens de planilhas complexas, investimentos na Bolsa de Valores e metas de acúmulo de riqueza. No entanto, para a grande maioria dos brasileiros, o desafio da organização financeira é imediato e pragmático: garantir que o dinheiro recebido no início do mês seja suficiente para cobrir os custos de sobrevivência até o próximo pagamento, sem a necessidade de recorrer a empréstimos.
Viver e sustentar uma família com uma renda de até dois salários-mínimos é um exercício contínuo de matemática, disciplina e renúncia. A inflação, que encarece o preço dos alimentos e serviços básicos, atinge com mais força as camadas da população em que a margem de manobra do orçamento é nula. Nesse cenário, o planejamento deixa de ser uma ferramenta para o enriquecimento futuro e passa a ser o escudo contra o superendividamento no presente.
O primeiro erro na gestão de uma renda apertada é administrar o dinheiro apenas "de cabeça". Quando os recursos são escassos, cada centavo tem um peso significativo e não pode haver "furos" não identificados no orçamento. O primeiro passo da organização financeira é o registro meticuloso.
É imperativo anotar tudo o que entra e o que sai durante um mês inteiro. Isso pode ser feito em um caderno, em aplicativos gratuitos de celular ou em uma planilha.
Ao colocar os números no papel, a família adquire clareza visual sobre para onde o suor do trabalho está indo. Frequentemente, descobre-se que uma parcela considerável da renda é consumida por pequenos gastos diários que, somados, comprometem o pagamento de contas importantes.
A literatura clássica de finanças sugere a regra "50/30/20" (50% para necessidades, 30% para desejos e 20% para poupança). Para quem ganha até dois salários-mínimos, essa regra é, na maioria das vezes, inatingível, pois os gastos essenciais com moradia e alimentação costumam consumir 80% ou até 90% da receita.
A organização financeira realista exige uma adaptação dessa proporção. A meta inicial deve ser estabelecer a regra da “sobrevivência sustentável”:
Reduzir despesas quando já se gasta o mínimo possível é o maior dos desafios. Contudo, existem táticas de otimização que podem trazer fôlego ao mês a mês.
1. Acesso a benefícios e tarifas sociais
Muitas famílias de baixa renda têm direito a benefícios governamentais e não os utilizam por falta de informação.
2. Otimização do supermercado
A alimentação é um dos maiores ralos do orçamento. A estratégia exige método:
A falha na organização financeira frequentemente empurra o trabalhador para o uso do cartão de crédito como uma "extensão do salário". Isso é um erro fatal. O limite do cartão é um empréstimo, não é dinheiro do usuário.
Quando a fatura do cartão é utilizada para cobrir compras de supermercado porque o salário acabou no dia 15, a família entra em um ciclo de endividamento. No mês seguinte, o salário precisará pagar os gastos do mês atual somados à fatura do mês passado.
O grande perigo ocorre quando o valor total da fatura não pode ser pago.
Quando todos os cortes possíveis já foram realizados nas despesas essenciais e, ainda assim, as contas superam o valor dos dois salários-mínimos, a única saída matemática é aumentar a receita (o dinheiro que entra).
A busca por renda extra torna-se uma medida de sobrevivência. Algumas alternativas que exigem baixo investimento inicial incluem:
O dinheiro proveniente da renda extra não deve ser incorporado ao padrão de vida (usado para comprar roupas ou lazer), mas direcionado apenas para a quitação de dívidas atrasadas ou para a formação de uma pequena reserva de emergência.
Construir uma reserva financeira ganhando pouco parece um mito, mas é a principal ferramenta de proteção. Se a geladeira quebrar ou ocorrer uma emergência médica, a falta de uma pequena reserva forçará a contratação de empréstimos com juros abusivos.
A estratégia é começar pequeno, de forma microscópica, se necessário. Poupar R$ 20 ou R$ 50 por mês em uma aplicação segura com liquidez diária (como o Tesouro Selic ou contas remuneradas que rendem 100% do CDI) inicia o processo. O acúmulo contínuo cria um escudo. O objetivo inicial deve ser juntar o equivalente a um mês de despesas básicas, avançando gradativamente para a meta de três meses de custo de vida.
A organização financeira para famílias com renda de até dois salários-mínimos é uma jornada de resiliência. O controle rigoroso do custo de vida, a fuga consciente das armadilhas do limite do cheque especial e do cartão de crédito, e a busca pelo acesso a todos os direitos e tarifas sociais disponíveis são atitudes que garantem a dignidade no dia a dia.
A prioridade é evitar o superendividamento. Administrar a escassez exige inteligência e método. A constatação de que o planejamento orçamentário traz noites de sono mais tranquilas comprova que o controle sobre o próprio dinheiro, independentemente da quantia, é uma forma de poder.
Esse poder é construído através do conhecimento. Compreender os juros de uma dívida, saber ler as entrelinhas de um contrato bancário e buscar formas de otimizar a renda são habilidades aprendidas.
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