Telegram fraudes: como funcionam os golpes no aplicativo
Telegram fraudes: como funcionam os golpes no aplicativoData de publicação 23 de outubro de 202612 minutos de leitura
Atualizado em: 21 de outubro de 2026
Categoria Premium Tempo de leitura: 25 minutosTexto de: Time Serasa
O golpe do leilão usa sites e anúncios que copiam leiloeiros oficiais para oferecer veículos por valores bem abaixo do mercado. Após o arremate, o dinheiro vai para a conta do criminoso e o bem nunca é entregue. Algumas checagens antes do lance ajudam a identificar a fraude.
O golpe do leilão falso é uma fraude online em que criminosos criam sites ou anúncios que simulam leilões legítimos. As páginas destacam produtos, como veículos e eletrônicos, a preços abaixo do mercado para atrair as vítimas.
Os sites fraudulentos imitam páginas de empresas e instituições reconhecidas, além de utilizar endereços de web semelhantes aos originais.
O golpe do leilão falso é uma fraude online em que criminosos criam sites ou anúncios que simulam leilões legítimos. As páginas exibem veículos, máquinas e eletrônicos a preços abaixo do mercado para atrair compradores.
Os sites fraudulentos imitam o visual de empresas e instituições conhecidas e usam endereços muito parecidos com os originais. Segundo a Polícia Civil do Paraná, a fraude costuma envolver leilões de automóveis e outros veículos, além de máquinas agrícolas.
O golpe segue uma sequência parecida na maioria dos casos:
Site falso: as páginas fraudulentas se parecem com os sites oficiais de leiloeiros e têm visual e conteúdo convincentes.
Ofertas muito atrativas: os bens aparecem com preços bem abaixo do valor de mercado para despertar o interesse de compradores.
Contato direto: quando alguém demonstra interesse, os golpistas entram em contato e enviam informações sobre o bem.
Pagamento antecipado: depois do suposto arremate, os golpistas pedem o pagamento por transferência, depósito ou Pix, com a justificativa de garantir a compra.
Sumiço: com o pagamento feito, o contato é cortado e o bem não é entregue. Com frequência, o site sai do ar pouco tempo depois.
As vítimas do golpe podem ser afetadas de diferentes formas:
Perda financeira: o valor pago por um bem que não existe pode ser perdido, com impacto direto no orçamento.
Uso indevido de dados pessoais: documento de identidade, dados bancários e do cartão de crédito informados no cadastro podem ser usados em outras fraudes.
Danos emocionais: frustração, vergonha e desconfiança são sentimentos comuns depois do golpe.
Mesmo imitando páginas autênticas, o golpe deixa pistas. A tabela a seguir reúne os principais sinais e o motivo de cada um merecer atenção.
| Sinal | Por que ficar alerta? |
|---|---|
| Preços muito abaixo do mercado | Segundo o Leilão Seguro, diferenças acima de 50% em relação ao valor de mercado são incomuns mesmo em leilões. |
| Falta de informações do bem | Leilões legítimos detalham marca, modelo, ano de fabricação e estado de conservação. |
| Pressa para fechar o negócio | Os golpistas alegam oferta por tempo limitado ou outros interessados para apressar o pagamento. |
| Pagamento fora das regras do edital | Cobrança do valor integral antes do encerramento do leilão, ou em condições que o edital não prevê, merece desconfiança. |
| Domínio suspeito | Endereços com letras trocadas, pequenas variações do nome ou terminados em .org e .net são indícios de fraude, de acordo com a Polícia Civil do Paraná. |
| Falta de informações de contato | Sites fraudulentos raramente informam endereço físico, telefone e e-mail que possam ser checados. |
| Favorecido diferente da leiloeira | Conta de pessoa física ou de empresa que não aparece no edital é um dos sinais mais citados pela polícia. |
| Venda por intermediários | Leilões oficiais concentram as transações no processo oficial, sem "corretores" oferecendo lotes por fora. |
| Redes sociais recentes | Perfis criados há pouco tempo e com pouco histórico de publicações são comuns em sites falsos. |
A identificação passa por cinco checagens, que envolvem o site, o registro do leiloeiro, o edital, a reputação e as listas de sites falsos. Cada uma leva poucos minutos e pode ser feita antes de qualquer cadastro na plataforma. As mesmas checagens servem para quem pretende vender bens em leilão online, pois a plataforma escolhida também precisa ser oficial.
O endereço é o primeiro filtro. A maioria dos leiloeiros brasileiros usa domínio terminado em .br, e extensões incomuns ou erros de ortografia no nome indicam risco.
Sites legítimos também usam o protocolo HTTPS, indicado por um cadeado na barra de endereços do navegador. A ausência do cadeado é um sinal de alerta. A presença dele, porém, não comprova sozinha que a página é confiável, pois sites falsos também conseguem esse certificado.
Todo leiloeiro oficial precisa ter matrícula na Junta Comercial do estado onde atua. A exigência está no Decreto nº 21.981/1932 e nas normas do Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI). As Juntas Comerciais publicam a lista de leiloeiros matriculados, com nome, número de matrícula, contatos, site e situação funcional. Os cinco passos abaixo validam esse registro antes de qualquer lance:
Anote o nome completo e o número de matrícula do leiloeiro, que devem aparecer no site e no edital do leilão. A ausência desses dados já é motivo para desconfiar.
Acesse o site oficial da Junta Comercial do estado indicado, cujo endereço normalmente termina em .gov.br, e procure a lista de leiloeiros oficiais.
Confira se o nome e a matrícula aparecem na lista e se a situação funcional consta como regular.
Compare o site, o e-mail e o telefone cadastrados na Junta com os dados da página do leilão. Qualquer diferença no endereço do site indica possível clone.
Confirme o favorecido antes de pagar. O nome exibido na tela do Pix ou no boleto precisa ser o do leiloeiro ou da empresa do edital.
Pronto! Agora é possível dar o lance com mais segurança sobre quem organiza o leilão.
Um edital legítimo traz detalhes sobre:
A ausência ou a superficialidade dessas informações indica possível fraude.
Plataformas de reclamação de consumidores, redes sociais e fóruns especializados ajudam a conferir a reputação do leiloeiro ou da empresa organizadora. Relatos negativos de outros compradores servem de alerta, assim como perfis recentes e com poucas publicações.
A Associação da Leiloaria Oficial do Brasil (ALEIBRAS) mantém o Leilão Seguro. A iniciativa reúne sites de leilão já identificados como falsos, a partir de buscas próprias e de denúncias. Antes de qualquer cadastro, é recomendável conferir se o endereço aparece nessa relação.
A extensão do domínio é o final do nome do site, logo antes da barra (/) que vem depois dele. O “https://” do início não conta.
Golpistas costumam montar endereços como "leilaoexemplo.com/br", que parecem nacionais, mas terminam em .com. O "/br", nesse caso, é só uma pasta dentro do site. O passo a passo abaixo ajuda na checagem:
Copie o endereço completo da barra do navegador, sem abrir o site por anúncios ou links recebidos por mensagem.
Identifique a extensão. Em "leilaoexemplo.com.br/veiculos", a extensão é .com.br. Em "leilaoexemplo.com/br", a extensão é .com.
Consulte o domínio no serviço de diretório Whois do Registro.br, que mostra dados de domínios terminados em .br. Para extensões como .com e .net, consulte o ICANN Lookup (lookup.icann.org).
Confira o titular e a data de criação do domínio. Titular diferente da empresa do edital, ou domínio criado há poucos dias ou semanas, é sinal de alerta.
Compare o endereço com o site cadastrado na Junta Comercial, conforme o passo a passo de validação do leiloeiro.
Com o titular e a data de criação em mãos, fica mais fácil decidir se o site merece confiança.
Terminar em .br não é garantia de legitimidade, pois qualquer pessoa com CPF ou CNPJ pode registrar um domínio nacional. Por isso, a checagem do domínio funciona melhor combinada com a consulta à Junta Comercial.
Porque o pagamento de um leilão oficial vai para a empresa leiloeira ou para o leiloeiro identificado no edital, e não para terceiros. Segundo a Polícia Civil do Paraná, a chance de golpe é alta quando o favorecido é uma pessoa física sem relação com o leilão. O alerta se repete quando a conta não está em nome da empresa leiloeira.
A tela de confirmação do Pix mostra o nome do recebedor e a instituição financeira antes do envio. Esse é o momento de comparar o nome com o que consta no edital e na Junta Comercial. Com boleto, a checagem é a mesma, pois o nome do beneficiário aparece antes da confirmação do pagamento.
O cuidado é maior no Pix porque a transferência é instantânea. Depois de concluída, a recuperação depende de o dinheiro ainda estar na conta de destino. Por isso, fazer transferências para desconhecidos exige atenção redobrada, sobretudo quando o pedido chega com pressa.
Os criminosos combinam diferentes métodos para enganar as vítimas. Entre os mais comuns estão:
Esses métodos se repetem em outras fraudes. Conhecer os sinais de golpe digital ajuda a reconhecer o mesmo padrão em situações diferentes.
Os primeiros resultados de uma busca na internet costumam ser anúncios pagos. A Polícia Civil do Paraná alerta que golpistas usam esse recurso para aparecer no topo da página. Um site falso pode surgir acima do leiloeiro verdadeiro ao pesquisar o nome dele.
Nas redes sociais, perfis falsos copiam nome, logotipo e fotos de leiloeiros conhecidos e oferecem lotes por mensagem direta. Muitos foram criados há pouco tempo e têm poucas publicações, o que ajuda a diferenciá-los dos perfis oficiais.
A forma mais segura de chegar ao leilão é digitar no navegador o endereço cadastrado na Junta Comercial. Anúncios e links enviados por mensagem devem ficar de fora. Oferta recebida por perfil desconhecido merece a mesma checagem de qualquer outro site.
O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que o fornecedor de serviços responde, independentemente de culpa, por danos causados por defeitos na prestação do serviço.
A Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) segue a mesma linha. Pelo enunciado, os bancos respondem, sem necessidade de prova de culpa, por danos de fraudes de terceiros ligadas a operações bancárias.
Já a Resolução nº 4.753/2019 do Conselho Monetário Nacional (CMN) exige que os bancos verifiquem e validem a identidade dos titulares na abertura de contas. Quando há falha nesse dever, o banco pode ser responsabilizado por prejuízos sofridos por terceiros.
Essas normas servem de base para pedidos de responsabilização dos bancos. Na análise de casos de leilão falso, porém, a Justiça brasileira chega a entendimentos diferentes:
Como o resultado depende das provas de cada caso, a orientação de um advogado ajuda a avaliar se há base para pedir reparação ao banco.
Além de reconhecer os sinais de alerta, alguns hábitos reduzem o risco de cair em um leilão falso:
Quem cai em qualquer golpe ou fraude com Pix precisa agir rápido para reduzir o prejuízo e aumentar as chances de recuperar o dinheiro. A primeira providência é reunir comprovantes de pagamento, e-mails, mensagens, links e capturas de tela do site falso. Com as provas em mãos, as frentes mais urgentes são o banco e a polícia.
O Mecanismo Especial de Devolução do Pix (MED) é acionado pelo banco de quem fez o Pix, a partir da contestação da vítima. O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transferência. Quanto antes o pedido, maior a chance de ainda haver saldo para bloqueio na conta de destino.
Abra o aplicativo ou o site do banco usado no Pix e procure a opção de contestação da transação na área do Pix. Os bancos que atendem pessoas físicas são obrigados a oferecer esse autoatendimento.
Informe que o Pix foi feito por causa de um golpe e descreva o ocorrido, com data, valor e nome do recebedor.
Anexe as provas reunidas, como comprovante, conversas e o endereço do site falso.
Use a central de atendimento do banco caso a opção de contestação não apareça no aplicativo, e peça a abertura do MED.
Acompanhe o pedido. As instituições envolvidas têm até sete dias para analisar a notificação. Se a fraude for confirmada e houver saldo, o valor volta para a conta de origem.
Pronto! Agora é possível acompanhar a análise pelos canais do banco.
O MED depende de haver recursos nas contas rastreadas. Se o dinheiro já tiver sido sacado, a devolução pode ser parcial ou não acontecer. O mecanismo também não se aplica a desacordo comercial, por isso o pedido deve deixar claro que se trata de golpe. Para pagamentos por boleto ou transferência comum, o caminho é o mesmo contato com o banco, com pedido de contestação e tentativa de bloqueio.
O boletim de ocorrência online formaliza a denúncia e reforça a contestação feita no banco. Para registrar:
Acesse a delegacia eletrônica da Polícia Civil do estado onde mora, ou procure a delegacia mais próxima, e registre a ocorrência como estelionato.
Descreva o golpe com datas, valores, endereço do site, nome do favorecido e chave Pix ou dados da conta de destino.
Guarde o número do boletim e os comprovantes anexados.
Envie o número do boletim ao banco para complementar a contestação da transação.
Com o número do boletim, o caso pode ser acompanhado junto à polícia e ao banco.
A polícia não bloqueia nem estorna valores. O papel dela é registrar a ocorrência e, se houver inquérito, investigar a autoria. Além do boletim, outras medidas complementam a denúncia:
Depois de um golpe do leilão, os dados informados no cadastro falso podem ser usados em outras fraudes, como compras ou pedidos de crédito. Entender por que o monitoramento de CPF ajuda a identificar golpes faz parte da proteção de dados no dia a dia.
O Serasa Premium é a assinatura de monitoramento de CPF e CNPJ da Serasa. O serviço não impede que um golpe aconteça, mas envia alertas que aumentam a segurança e dão tempo de agir diante de movimentações suspeitas. Entre os recursos estão:
Os recursos do plano ficam no menu "Meu CPF" do site ou do aplicativo da Serasa.
O Serasa Premium é o serviço de assinatura da Serasa que monitora o CPF e o CNPJ do assinante 24 horas por dia e envia alertas em tempo real sobre consultas ao score de crédito, vazamento de dados na dark web, variação do Serasa Score e muito mais. Além disso:
Importante: a Serasa comunica previamente todos os consumidores sobre negativações em seu CPF, sem qualquer custo. O alerta de pré-negativação do Serasa Premium é apenas uma funcionalidade adicional desse serviço, e não substitui o comunicado oficial.
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