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Deepfake: o que é e como reconhecer uma fraude

Entenda como funciona a deepfake, técnica que cria vídeos e áudios falsos.

Atualizado em: 29 de setembro de 2026

Categoria Premium Tempo de leitura: 18 minutos

Texto de: Time Serasa

Conceito Deepfake, tecnologia de rastreamento facial, detecção e reconhecimento, sistema de segurança. Conceito on-line de login de senha de segurança e segurança cibernética.

Discursos falsos de figuras públicas que nunca aconteceram. Cenas de filmes com atores que nunca participaram das gravações. Vídeos pornográficos que usam o rosto de pessoas que não estiveram ali... A técnica, conhecida como deepfake, é uma das armas usadas por pessoas mal intencionadas para enganar e manipular em troca de vantagens financeiras, políticas e sociais. E com o avanço da inteligência artificial (IA), tem se tornado cada vez mais comum.

Neste artigo, entenda melhor o que são os deepfakes, aprenda a identificar conteúdos falsos e saiba como agir caso seja vítima desse tipo de prática.

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O que é deepfake?

Deepfake é uma técnica que permite criar ou alterar um vídeo, áudio ou foto com ajuda de inteligência artificial. Com isso, o rosto de uma pessoa pode ser trocado pelo de outra, ou aquilo que ela fala pode ser modificado. Na prática, os deepfakes podem colocar pessoas em qualquer situação ou lugar, dizendo frases nunca ditas ou assumindo atitudes jamais tomadas.

O objetivo é distorcer a realidade para confundir a vítima e fazê-la acreditar na mensagem que está sendo passada. São inúmeras as possibilidades: a troca de rostos e a clonagem de voz são as mais comuns. Embora falsos, esses conteúdos são extremamente realistas e, à primeira vista, podem até parecer mesmo autênticos.

Tipos de deepfakes

Os deepfakes se apresentam de diversas formas, feitas com variados tipos de técnicas e truques computacionais. As formas mais comuns costumam ser:

Deepfake de vídeo

É o tipo mais conhecido de deepfake. No caso, o rosto de uma pessoa é substituído pelo de outra, imitando sua aparência e trejeitos. Assim, a pessoa clonada passa a reproduzir todas as falas e movimentos realizados por um ator, criando uma situação ou um discurso que nunca aconteceu.

Deepfake de movimento corporal

Além de trocar rostos, o deepfake também manipula movimentos corporais inteiros, sincronizando expressões faciais e gestos para combinar com a aparência e os movimentos da pessoa falsificada. Isso é usado para criar vídeos altamente realistas, como dublês digitais em filmes ou vídeos falsos em redes sociais.

Deepfake de áudio

Os deepfakes de áudio utilizam IA para replicar a voz de alguém. A tecnologia analisa gravações da voz da pessoa e depois sintetiza falas com o mesmo tom, ritmo e entonação, criando mensagens de voz falsas. Isso pode ser usado até para enganar sistemas de autenticação por voz e cometer fraudes financeiras.

Deepfake de imagem

Esse tipo de deepfake envolve a substituição ou alteração de rostos em imagens estáticas. Existem duas variantes principais:

  • ● face swap, que faz a troca completa de um rosto por outro, muito comum em memes e aplicativos de entretenimento;
  • ● face morphing, que combina características faciais de duas pessoas para criar um rosto híbrido, frequentemente usado para manipulação de fotos em redes sociais.

Deepfake de texto

Embora menos comentados, deepfakes de texto utilizam modelos de linguagem avançados para gerar textos que imitam o estilo de escrita de alguém. Isso pode incluir e-mails falsos, postagens em redes sociais ou até mesmo artigos de opinião, criando falsificações muito convincentes.

Como os deepfakes são criados?

Para serem criados, os deepfakes dependem de materiais verdadeiros da pessoa-alvo da manipulação, sejam suas fotos, vídeos ou áudios. É com base neles que o sistema de IA será alimentado para criar a imagem manipulada, já que a principal característica da inteligência artificial é aprender com o maior número de dados e conteúdos colocados à sua disposição. Esta técnica que envolve aprendizado é chamada de machine learning — que, em português, significa aprendizado de máquina.

Assim, com inúmeros arquivos, a IA consegue reproduzir padrões básicos envolvendo a pessoa, como movimentos, expressões, vozes e outros trejeitos.


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Como os deepfakes podem ser usados?

Os deepfakes foram criados para uso criativo no entretenimento e na publicidade. Porém, também se tornaram uma poderosa ferramenta de manipulação. A tecnologia tem sido empregada em diversas fraudes e contextos com intenções maliciosas, representando séria ameaça à privacidade, à segurança financeira e à reputação das vítimas.

São exemplos de uso malicioso dos deepfakes:

Fraudes financeiras

Os deepfakes têm se tornado uma ferramenta cada vez mais comum em fraudes financeiras No mundo corporativo, uma das práticas mais comuns é conhecida como "golpe do CEO". Nesse tipo de fraude, criminosos usam a tecnologia para imitar a comunicação de um executivo de alto escalão e solicitar aos colaboradores uma transferência bancária urgente.

Em alguns casos, o deepfake de vídeo chega até a criar um cenário em que o executivo parece estar participando de uma reunião virtual, aprovando e validando a transação em tempo real.

Desinformação política

Deepfakes também têm um enorme potencial de interferir no cenário político ao criar narrativas falsas para influenciar eleições no mundo todo. Vídeos manipulados de figuras públicas fazendo declarações polêmicas que nunca ocorreram podem manipular campanhas eleitorais, espalhar desinformação e induzir a opinião pública.

Isso não só aumenta a polarização política, como também desestabiliza processos democráticos e fomenta desconfiança generalizada nas instituições públicas.

Extorsão e chantagem

Criminosos têm usado deepfakes também em esquemas de extorsão e chantagem. Um dos métodos envolve criar áudios ou vídeos falsos simulando sequestros, nos quais a vítima aparece pedindo ajuda em situações de pânico. Esses arquivos são enviados aos familiares junto com exigências de resgate ou ajuda financeira urgente, explorando o realismo da manipulação para causar desespero.

Ataques à reputação e difamação

A IA também é usada para fazer ataques diretos à reputação das vítimas. Um exemplo são os vídeos adulterados que as colocam em contextos comprometedores com o objetivo de difamar e humilhar, como pornografia ou declarações que distorcem o que foi dito.


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Como identificar um deepfake?

Os deepfakes estão cada vez mais sofisticados, o que torna distinguir o que é real do que é manipulado um desafio cada vez maior. Mas reconhecer conteúdos falsos não é impossível. Desconfie da autenticidade do material sempre que a situação representada parecer exagerada e absurda ou uma pessoa aparecer dizendo algo que contradiz seu comportamento usual.

Além disso, alguns outros sinais podem ajudar a identificar deepfakes, por exemplo:

Em deepfakes de vídeo

  • ●        ausência de movimentos faciais que deveriam ser naturais, como o piscar dos olhos;
  • ●        movimentos corporais rígidos;
  • ●        ausência de uma marca conhecida da pessoa, como uma pinta, tatuagem ou sinal;
  • ●        alterações no sotaque ou na entonação da voz;
  • ●        falta de sincronia entre o áudio e o movimento dos lábios;
  • ●        olhos com brilho artificial;
  • ●        dentes borrados;
  • ●        diferenças no tom da pele do corpo e do rosto;
  • ●        iluminação no rosto inconsistente com o cenário ao redor, como sombras que não correspondem à luz ambiente.

Em deepfake de movimento corporal

  • ●        movimentos corporais rígidos e que aparentam ser mecânicos ou desconectados da expressão facial;
  • ●        desalinhamento com o cenário, incluindo sombras e objetos posicionados ao redor;
  • ●        proporções corporais irregulares, como o tamanho da cabeça em relação ao corpo.

Em deepfake de áudio

  • ●        entonação inadequada na voz;
  • ●        tom monótono ou ligeiramente robótico;
  • ●        ruídos de fundo suspeitos;
  • ●        ausência de sotaque, entonação ou vocabulário que é próprio da pessoa;
  • ●        interrupções abruptas de palavras, frases ou ideias.

Em deepfake de imagem

  • ●        bordas mal ajustadas no rosto, especialmente perto do cabelo e do pescoço;
  • ●        texturas faciais que não combinam com o resto da pele, como manchas ou brilho fora do lugar;
  • ●        reflexos mal posicionados ou ausentes nos olhos;
  • ●        fundo ou paisagem que não condiz com o local dos fatos;
  • ●        roupas incompatíveis com as características do lugar e das demais pessoas que aparecem no registro;
  • ●        assimetria visível, como ausência de brinco em uma das orelhas;
  • ●        encaixe imperfeito entre a cabeça e o pescoço;
  • ●        algo estranho no interior da boca (considerando que a IA ainda não é tão boa em reproduzir os movimentos da língua).
  • ●        partes do corpo desproporcionais, como rosto, pernas e braços.

Em deepfake de texto

  • ● erros de contexto e coesão;
  • ● declarações contraditórias no mesmo texto;
  • ● estilo de escrita que não combina com o estilo usual dela;
  • ● uso de linguagem muito formal ou informal, soando artificial.

Quais golpes financeiros usam deepfake?

Criminosos têm usado deepfake em diversos golpes financeiros, os mais comuns são:

  • ● Falsa ligação de um familiar: um áudio com clonagem de voz simula uma emergência (acidente, sequestro, hospital) e pede uma transferência urgente de dinheiro.
  • ● Executivo solicitando transferência (golpe do CEO): criminosos clonam a voz ou o vídeo de um diretor da empresa para autorizar, com urgência, uma transferência bancária ao setor financeiro.
  • ● Celebridade promovendo investimento: um vídeo falso com IA mostra uma pessoa famosa recomendando uma plataforma de investimento fraudulenta, prometendo altos ganhos em pouco tempo.
  • ● Falsa videochamada: golpistas usam manipulação em tempo real, simulando o rosto de um conhecido durante uma chamada de vídeo, para convencer a vítima a fazer um pagamento.


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O que diz a legislação brasileira sobre o deepfake?

Ainda não existe uma lei brasileira específica sobre deepfake — atualmente, o Projeto de Lei 1.884/2025 tramita no Congresso propondo regras próprias para identificação e responsabilização. Mas isso não significa que criar ou divulgar um deepfake seja permitido: várias leis já em vigor podem ser aplicadas.

Na esfera penal, o deepfake pode se enquadrar em crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria, artigos 138 a 140 do Código Penal), falsidade ideológica (artigo 299) e estelionato (artigo 171), quando usado em fraude com inteligência artificial. Desde 2025, o artigo 147-B do Código Penal também prevê aumento de pena quando a IA é usada para distorcer imagem ou voz em casos de violência psicológica. Conteúdo íntimo criado sem consentimento pode se enquadrar na Lei 13.718/2018.

Na esfera civil, quem cria ou divulga o deepfake pode ser responsabilizado a indenizar a vítima por danos morais, com base nos artigos 186, 927 e 20 do Código Civil.


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Como confirmar se um áudio ou vídeo é verdadeiro?

Além de observar os sinais técnicos, como falta de sincronia labial, piscar de olhos artificial ou tom de voz robótico, antes de agir com base em uma mensagem de voz ou vídeo suspeito, siga este protocolo:

  1. Interrompa a interação: desligue a ligação ou pare a conversa, mesmo que pareça urgente.

  2. Não use o contato fornecido na mensagem: golpistas costumam enviar um número "de confirmação" que também é falso.

  3. Confirme a veracidade do conteúdo ou do contato por outro canal: ligue para a pessoa ou empresa usando um número que você já tinha salvado antes.

  4. Faça uma pergunta combinada: tenha uma pergunta-chave combinada previamente com familiares para casos de emergência.

  5. Consulte a fonte original: em caso de vídeos de celebridades ou empresas, procure o conteúdo no canal oficial verificado.

  6. Nunca transfira dinheiro apenas com base em áudio ou vídeo: peça sempre uma confirmação por outro meio antes de qualquer pagamento.

Como se proteger de deepfakes?

Alguns comportamentos simples ajudam a reduzir o risco de cair em golpes com deepfake:

  • ● Desconfie de mensagens urgentes que pedem dinheiro ou dados sigilosos, mesmo vindas de contatos conhecidos;
  • ● Combine uma palavra-chave com familiares para confirmar emergências reais;
  • ● Evite publicar muitos vídeos e áudios pessoais em redes sociais abertas, já que servem de material para deepfakes;
  • ● Ative a autenticação em duas etapas em contas e aplicativos bancários;
  • ● Desconfie de propagandas de investimento com celebridades prometendo lucros fáceis;
  • ● Denuncie e registre boletim de ocorrência caso identifique um deepfake usando sua imagem ou voz;
  • ● Monitore seu CPF para identificar rapidamente qualquer fraude com inteligência artificial cometida em seu nome.


Leia também | Deep Web, Dark Web: o que é? Como se proteger?

A importância do monitoramento de dados em tempo real

Com o aumento das fraudes digitais, é essencial proteger seus dados pessoais contra golpes e vazamentos. O Serasa Premium oferece monitoramento em tempo real do CPF e CNPJ, enviando alertas sobre movimentações suspeitas, consultas ao seu nome e possíveis vazamentos de dados na dark web.

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Perguntas frequentes sobre deepfake

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