Empréstimo para viagens: saiba como planejar sem se endividar
Empréstimo para viagens: saiba como planejar sem se endividarData de publicação 9 de outubro de 202611 minutos de leitura
Atualizado em: 21 de setembro de 2026
Categoria CréditoTempo de leitura: 21 minutosTexto de: Time Serasa
Dentro da diversidade do mercado financeiro, o crédito privado é uma alternativa para quem busca potencial de rentabilidade maior do que a poupança para proteger e multiplicar seu dinheiro.
De forma simples, quando uma pessoa investe em um ativo de renda fixa, ela empresta o seu dinheiro para uma instituição (que pode ser o governo, um banco ou uma empresa) e recebe o valor investido acrescido de juros, conforme as condições estabelecidas no momento da aplicação.
Ao contrário da renda variável, onde os ganhos são imprevisíveis e dependem das flutuações do mercado, a renda fixa oferece maior previsibilidade e segurança.
Os rendimentos da renda fixa costumam ser divididos em:
Entre os investimentos de renda fixa estão:
Leia também | Renda fixa e renda variável: por que não um pouco dos dois?
O crédito privado é uma modalidade de investimento de renda fixa na qual o investidor empresta dinheiro para empresas ou instituições privadas por meio da compra de títulos de dívida emitidos por elas.
Em troca, os investidores recebem juros, conforme as condições que foram definidas no momento da emissão dos títulos.
Uma das características que tornam o crédito privado mais atrativo é possibilidade obter retornos superiores aos da poupança e até de títulos públicos. Porém, por causa dessa chance de retorno, esse tipo de investimento possui alguns riscos.
O funcionamento do crédito privado pode ser resumido da seguinte maneira:
1 - A empresa precisa de recursos: para financiar projetos e a expansão de suas atividades, a empresa emite um título de dívida e define o prazo, a rentabilidade e as condições.
2 - O investidor aplica o dinheiro: é possível comprar o título por meio de uma corretora ou plataforma de investimentos.
3 - Recebimento da remuneração: o investidor recebe os juros de acordo com as regras que foram definidas no momento da compra.
Caso o investidor precise do dinheiro antes do final do prazo da aplicação, ele pode negociar o título no mercado secundário. No entanto, o preço pode variar conforme as condições do mercado.
O crédito privado CLT é uma modalidade de empréstimo destinada aos trabalhadores com carteira assinada, e não um tipo de investimento de renda fixa.
Na prática, trata-se do consignado privado, em que as parcelas do empréstimo são descontadas diretamente do salário do trabalhador. Isso reduz o risco de inadimplência para a instituição financeira e permite taxas de juros mais competitivas do que as do empréstimo pessoal.
Desde a criação do programa Crédito do Trabalhador, o acesso ao consignado privado ficou mais simples, pois o empregado pode solicitar o empréstimo por meio da Carteira de Trabalho Digital, sem depender de um convênio prévio entre sua empresa e o banco.
O mercado de crédito privado possui diferentes ativos de renda fixa. Conheça os principais:
As debêntures são títulos de dívida de médio e longo prazo emitidos por empresas para captar dinheiro e financiar projetos, investimentos e outras necessidades. Na prática, existem três tipos:
Os CRIs e CRAs são títulos de renda fixa emitidos por securitizadoras e representam créditos que têm origem nos setores imobiliário e do agronegócio, respectivamente.
O funcionamento desses ativos acontece de forma semelhante: uma construtora ou empresa agrícola reúne os valores que deve receber no futuro (como parcelas de financiamentos, aluguéis de imóveis ou vendas de safras, por exemplo) e os vende para uma securitizadora, que emite os títulos no mercado.
Esses ativos são atrativos por sua rentabilidade e isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Os FIDCs funcionam de maneira diferente dos títulos anteriores. Em vez de comprar títulos individuais de uma empresa, você investe em um fundo de investimento que aplica o recurso em direitos creditórios.
Esses direitos creditórios são contas a receber de uma ou várias empresas, como cheques, parcelas de cartão de crédito, duplicatas, aluguéis e outros valores que as empresas devem receber dos clientes. Na prática, o fundo deve aplicar um mínimo de 50% de seu patrimônio em direitos creditórios.
O FIDC é classificado em dois tipos:
Investir em crédito privado pode ser uma alternativa para quem busca diversificar os investimentos. Porém, a possibilidade de obter um retorno maior vem acompanhada de riscos que precisam ser considerados.
Abaixo, listamos as principais vantagens e desvantagens desse tipo de investimento.
Uma das principais vantagens do crédito privado é a possibilidade de obter uma rentabilidade maior. Como alguns dos ativos envolvem maior risco de crédito, eles podem oferecer um retorno mais atrativo para compensar esse risco.
No entanto, a chance de ter uma rentabilidade maior não significa que o ganho é garantido. Por isso, é importante avaliar as condições de cada título antes de investir.
Ao investir em um fundo de crédito privado por meio de uma corretora de investimentos, é possível contar com apoio profissional de um especialista financeiro, que cuidará das aplicações.
Nesse caso, o gestor acompanha os ativos e toma decisões de investimento de acordo com a estratégia definida e as regras do fundo. Isso ajuda a facilitar o acesso a esse tipo de investimento para quem não tem experiência.
Os títulos de crédito privado que possuem rentabilidade prefixada costumam trazer retorno mais estáveis e seguros, pois a remuneração que foi combinada no momento da aplicação será mantida até o fim.
Contudo, isso não significa que o crédito privado é um investimento sem riscos, pois existem fatores que podem comprometer o retorno do dinheiro aplicado.
Alguns investimentos de crédito privado (como CRIs, CRAs e debêntures incentivadas) possuem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que pode aumentar a rentabilidade líquida.
Os investimentos de crédito privado não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Portanto, se houver problemas financeiros relacionados ao investimento, poderá ocorrer perdas.
Isso acontece porque o FGC foi criado para proteger apenas o dinheiro que é investido em títulos e investimentos de instituições financeiras.
A isenção do Imposto de Renda não vale para todos os produtos de crédito privado. As debêntures comuns, por exemplo, estão sujeitas à tributação, que segue uma tabela regressiva de desconto:
| Prazo de aplicação | Alíquota de Imposto de Renda |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 721 dias | 15% |
Embora pertença à categoria de renda fixa, os títulos de crédito privado possuem alguns riscos, e entre os principais estão:
O rating é uma classificação atribuída por agências especializadas para indicar a capacidade de uma empresa ou emissor de cumprir suas obrigações financeiras.
Na prática, essa nota funciona como uma referência para estimar o risco de crédito antes de investir em um título de crédito privado. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamenta e mantém o cadastro das agências classificadoras de risco.
A classificação das notas vai de AAA (risco mínimo) até D (inadimplência), variando a forma de apresentação de acordo com a agência especializada. Confira abaixo uma tabela que mostra o significado de cada uma:
| Categoria | Agências S&P e Fitch | Agência Moody's |
|---|---|---|
| Máxima qualidade | AAA | Aaa |
| Alta qualidade | AA+, AA, AA- | Aa1, Aa2, Aa3 |
| Qualidade média-alta | A+, A, A- | A1, A2, A3 |
| Qualidade média | BBB+, BBB, BBB- | Baa1, Baa2, Baa3 |
| Grau especulativo | BB+, BB, BB- | Ba1, Ba2, Ba3 |
| Especulativo em risco | B+, B, B- | B1, B2, B3 |
| Risco muito alto | CCC, CC, C | Caa, Ca, C |
| Inadimplência | D | D |
Ao conferir a nota, verifique se ela se refere à empresa ou a um título em específico, porque um mesmo emissor pode ter diferentes ativos com características e níveis de risco diferentes.
Quanto melhor o rating, menor tende a ser o risco de inadimplência, mas isso não significa que o ativo não possui riscos. Por isso, além do rating, é importante considerar as demais características da empresa e do investimento antes de fazer uma escolha.
Não existe uma opção que seja melhor para todos os investidores. A escolha entre Tesouro Direto e crédito privado depende do objetivo, prazo, da necessidade de liquidez e do perfil do investidor.
No Tesouro Direto, é possível comprar títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional e cada opção possui características, prazo e rentabilidade diferentes. De maneira geral, os títulos são considerados de baixo risco.
Já no crédito privado, o dinheiro é direcionado para empresas privadas por meio de ativos. Como o investidor assume o risco de crédito relacionado à empresa emissora ou à operação, esses investimentos podem oferecer um retorno mais atrativo.
| Característica | Títulos públicos | Crédito privado |
|---|---|---|
| Emissor | Governo federal, por meio do Tesouro Nacional | Empresas privadas e securitizadoras |
| Risco | Muito baixo | Moderado a alto |
| Rentabilidade esperada | Moderada | Mais atraente |
| Garantia do FGC | Não possui, por serem emitidos pelo governo | Não possui, pois dependem da capacidade de pagamento das empresas emissoras |
| Liquidez | Liquidez diária pelo Tesouro Direto | Varia conforme o título e o mercado secundário |
| Exemplos | Tesouro Selic, IPCA+, entre outros | Debêntures, CRI, CRA, entre outros |
Em resumo:
Para investir com segurança e minimizar as chances de ter surpresas desagradáveis, tenha atenção aos seguintes cuidados:
Os passos necessários para começar a investir em crédito privado pode variar entre as plataformas de investimento, mas normalmente possuem as seguintes etapas:
Abra uma conta em uma instituição financeira ou corretora regulamentada que ofereça uma plataforma diversificada de ativos de renda fixa.
Transfira dinheiro de uma conta bancária de mesma titularidade para a conta da corretora.
Navegue até o catálogo de investimentos e pesquise por "renda fixa" ou "crédito privado" para ter acesso aos ativos.
Leia com atenção o resumo dos ativos disponíveis, incluindo a taxa de rentabilidade, prazo de vencimento, o rating da empresa emissora e se há isenção de Imposto de Renda.
Ao encontrar uma opção de sua preferência, insira a quantidade desejada, respeitando o valor de aporte mínimo, e confirme a operação.
Importante: além de pesquisar o histórico financeiro da empresa emissora dos ativos antes de investir, verifique também a reputação da plataforma de investimentos antes de criar uma conta.
Leia também | O que acontece com o dinheiro se a corretora falir?
Além de encontrar uma plataforma de investimentos confiável e consultar as informações da empresa emissora dos ativos, também é importante colocar as finanças em ordem, conhecer o próprio orçamento e garantir que as despesas do dia a dia estejam sob controle antes de investir em crédito privado.
Isso ajuda a evitar que você retire o dinheiro aplicado para pagar contas ou dívidas. E para aprender mais sobre orçamento, juros, crédito e organização financeira, acompanhe os conteúdos do Serasa Ensina no Youtube e do blog Serasa.
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