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Endividamento: como saber se faço parte da estatística?

Se você tem algum tipo de parcela, então você tem dívidas. Entenda o que é o endividamento financeiro e como fazer para sair dele.

colunista Fabiana Ramos
Publicado em: 14 de dezembro de 2021.

Dívida diz respeito à obrigação ou compromisso que uma pessoa tem de pagar algo a alguém. Essa dívida pode fazer referência a um valor financeiro ou a um valor moral (quando você tem o sentimento de dever algo a uma pessoa), mas aqui vamos focar somente no endividamento financeiro, ok?

Endividamento significa que você contraiu obrigações. Se você tem parcelas, você tem dívidas, estejam elas sendo pagas em dia ou não.

Ainda que o financiamento da casa esteja em dia, ou que as parcelas feitas no cartão de crédito estejam sendo quitadas em suas respectivas datas de vencimento, você tem dívidas. Se você tem prestações de lojas, cheques pré-datados, empréstimos… Você tem dívidas.

Endividamento x inadimplência: existe diferença?

Então, podemos dizer que ter dívidas ou estar endividado é o mesmo que estar inadimplente? Não. São coisas distintas. Você pode ter dívidas, mas se paga todas as suas contas em dia, você não é inadimplente.

Inadimplente é aquele que tem uma obrigação e não consegue cumprir. No nosso caso, aquele que tem dívidas e não consegue pagá-las no prazo estabelecido. E uma das primeiras consequências para o inadimplente é ter o nome incluído nos cadastros de restrição ao crédito, passando a ser negativado (ou ter o popularmente conhecido “nome sujo”).

Então, podemos falar então que todo inadimplente é um endividado, mas nem todo endividado é um inadimplente.

Endividamento das famílias brasileiras

Segundo uma pesquisa sobre Endividamento feita recentemente pela Serasa, cerca de 75% das famílias no Brasil estão endividadas e tiveram suas vidas financeiras afetadas pela pandemia.

Dentro dessa estatística, a principal causa apontada foi o desemprego, que é responsável por 30% dos endividamentos, o que significa que, em cada 10 endividados, três estão desempregados.

Você pode clicar aqui para assistir à matéria feita recentemente pelo Fantástico sobre essa pesquisa.

Esses dados são preocupantes, pois, embora tenhamos acabado de ver que não necessariamente todo endividamento sugere inadimplência e “nome sujo”, sabemos que a grande maioria dessas dívidas indicam sim um orçamento desequilibrado, que acontece quando se gasta mais do que se ganha, ou quando seus gastos comprometem uma boa parte da sua renda.

O estudo mostrou que o endividamento brasileiro mexe com a saúde e o bem-estar da população, já que as dívidas causam muita preocupação, levando ao estresse extremo e causando insônia, provocando problemas mentais e físicos.

As dívidas são motivo de vergonha para 88% das pessoas e geram impacto na vida social, atrapalham a produtividade no trabalho, além de ser um dos maiores fatores de divórcio entre casais.

Leia também | Finanças para casais: 7 dicas para planejar o orçamento a dois

Ou seja, não ter uma vida financeira organizada produz uma reação negativa em cadeia que atrapalha muitos, senão todos os aspectos da vida de alguém.

Existem diferentes graus de endividamento, que é uma medida usada para saber o quanto seu orçamento está comprometido pelas dívidas. Entenda o que é o grau de endividamento e como calcular o seu.

O que é grau de endividamento?

Grau de endividamento pessoal é um índice que ajuda a medir o quanto da sua renda está comprometida. Quanto mais alto for esse índice, maior serão as suas chances de inadimplência.

Ou seja, se você estiver expondo uma parte grande do seu orçamento, é bom ligar o alerta: sua saúde financeira pode estar ameaçada.

A pesquisa feita pela Serasa também mostrou que alguns dos principais fatores que levam ao endividamento, além do desemprego, é o descontrole financeiro e a falta de pagamento de contas do dia a dia, que afetam 25% dos endividados.

As dívidas são verdadeiras bolas de neve que aumentam conforme o tempo vai passando. Isso se dá por causa dos altíssimos juros que se acumulam, tornando o valor cada vez mais difícil de ser pago.

Leia também | O que são juros compostos: aliados ou vilões do orçamento?

Então, caso você esteja com contas em aberto ou não tenha nem ideia do percentual da sua renda que é usada para cobrir suas despesas e do quanto que sobra, é recomendado

que se faça o cálculo para saber qual é o seu grau de endividamento. Agindo assim, fica mais fácil se organizar para poder quitar suas dívidas e diminuir seus custos.

Como calcular o grau de endividamento?

Para calcular seu grau de endividamento, você vai precisar somar todas as suas dívidas e todas as suas receitas, ou seja, todo o dinheiro que entra e sai para você todo mês.

Na hora de calcular seus gastos, não se esqueça de incluir as parcelas de cartão de crédito que serão pagas naquele mês, impostos, contas recorrentes, empréstimos etc.

Já na parte das receitas, você pode computar o seu salário, a pensão de aposentadoria, seu pró-labore (se for o caso), eventuais bônus ou alguma renda extra.

Com os dois valores em mãos, basta dividir o total dos seus gastos pelo total dos seus ganhos e multiplicar o resultado por 100.

A Serasa já explicou como se faz o cálculo e você pode assistir a esse vídeo para entender melhor como funciona:

https://www.youtube.com/watch?v=54xKBw2MwEE&feature=emb_title

Viu como é simples? Agora você precisa interpretar esse valor obtido:

  • Se o resultado do seu grau de endividamento foi igual ou inferior a 30%, parabéns! Essa é a taxa ideal e suas dívidas podem ser administradas com tranquilidade;

  • Se for entre 30 a 35%, é preciso cautela. Procure se manter com o valor abaixo ou, de no máximo, 30%;

  • Caso seu grau de endividamento atual esteja entre 35 e 40%, reveja seu orçamento e mude seus hábitos para que não fique inadimplente;

  • Um grau acima de 40% é um indicador de endividamento grave, já que compromete quase metade do que você ganha, colocando em risco sua saúde financeira.

Como sair do endividamento?

O primeiro passo para sair das dívidas é entender o que causou o problema, o que te fez ficar devendo. Foi um fator causado pelo desemprego? Pela falta de controle financeiro? Você emprestou o seu nome a um familiar ou amigo?

Após essa investigação, é hora de partir para a ação. Encare suas contas e tenha noção do tamanho delas. Após saber exatamente a quantia total do que você deve, trace uma meta de quitação de dívida, reduza suas despesas, reveja alguns hábitos de consumo para conseguir juntar uma soma de dinheiro por mês, pense em fazer renda extra.

Você sabia que na maioria das vezes existe a opção de renegociar o valor que você deve, pagando um valor bem mais em conta?

Isso acontece porque as empresas preferem receber algum montante do que nenhum.

Mas, atenção: faça suas contas e veja se a parcela proposta caberá no seu orçamento durante todo o prazo de pagamento determinado. E para isso, é preciso que o seu planejamento seja feito com cuidado e responsabilidade, para que você novamente não assuma um compromisso que não possa cumprir.

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