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Alugar ou financiar um imóvel: o que vale mais a pena?

Afinal, é mais vantajoso alugar ou financiar um imóvel? Saiba o que considerar para descobrir qual é a melhor opção para você.

Foto elaine ortiz
Publicado em: 27 de janeiro de 2022.

O sonho da casa própria ainda faz parte da realidade de muitos brasileiros. De acordo com um estudo recente da Datastore, empresa especializada em pesquisas do setor imobiliário, mais de 13 milhões de famílias desejam comprar um imóvel em até dois anos. Mas, na hora de avaliar qual é a melhor opção para o bolso, muitas vezes vem a dúvida: será que vale mais a pena alugar ou financiar?

Neste conteúdo, vamos explicar os prós e contras de cada opção, mas, inicialmente, é preciso entender que essa é uma decisão muito particular. Antes de fazer uma escolha, é preciso levar em consideração se esse é um objetivo relevante para a sua família e se a posse de um imóvel vai trazer mais qualidade de vida para vocês, por exemplo.

Além disso, é muito importante avaliar a organização financeira dos envolvidos, o momento profissional e familiar de todos e como está a reserva de emergência da família — afinal, um financiamento é uma dívida de longo prazo e muita coisa pode acontecer durante o pagamento das parcelas.

Alugar ou financiar imóvel: quando o aluguel vale a pena?

Ao contrário do que muitos pensam, a opção de alugar pode ser vantajosa por alguns motivos. O primeiro é a mobilidade, já que um inquilino consegue mudar de endereço com de forma mais rápida e menos burocrática que um proprietário. Já entre as desvantagens, estão os possíveis transtornos. É preciso considerar que o proprietário pode querer encerrar o contrato antes do previsto, por exemplo.

Do ponto de vista financeiro, se o cenário estiver incerto, o melhor é optar pelo aluguel de um imóvel menor ou mais barato e ir juntando o valor da entrada para tentar reduzir as parcelas de um possível financiamento no futuro. E se você tiver o valor exato para comprar o imóvel à vista, também é importante lembrar que a compra do imóvel envolve outras questões, como documentações e custos com a mobília. Se essa opção for te deixar sem dinheiro e comprometer sua reserva financeira, o melhor é esperar.

E quando o financiamento é mais interessante?

Na dúvida entre aluguel ou financiamento, se a sua família estiver mais disposta a entrar em um financiamento imobiliário, é importante que respondam algumas perguntas:

● Vocês têm certeza de que esse é o imóvel em que querem ficar boa parte da vida?

Nos contratos de aluguel, o inquilino normalmente pode deixar o imóvel sem pagar multas após um ano. Ao desistir de um imóvel financiado, a burocracia para se desfazer dele será muito maior.

● A parcela foge muito do que pagariam em um aluguel na região?

Observe o quanto as parcelas e custos extras (como o condomínio, por exemplo) representam em relação à renda dos familiares envolvidos no pagamento. A recomendação dos especialistas é que, ao contratar qualquer modalidade de crédito, o consumidor não comprometa mais do que 30% da sua receita mensal em prestações.

● A qualidade de moradia no imóvel é a que vocês desejam?

De volta à primeira pergunta, é sempre importante considerar a dificuldade de se desfazer de um imóvel.

Se a resposta for positiva para essas perguntas e você estiver na dúvida entre financiar ou alugar, o financiamento pode ser a melhor opção. Mas quais são as desvantagens dessa alternativa?

Sem dúvida, o alto custo dos juros deve ser considerado. Na prática, quando você pega um financiamento, é como se estivesse “alugando” o dinheiro do banco. E o problema é que esse aluguel pode custar muito caro.

E mais: além das prestações, é preciso considerar os custos como entrega das chaves, reforma e afins, sem que isso comprometa todas as suas reservas.

Leia também | Reserva de emergência: como fazer a sua e se preparar para imprevistos?

Então, pagar aluguel ou financiar? Vamos aos cálculos

Não tem outro jeito. Para saber se a melhor opção é financiar ou alugar um imóvel, também é preciso colocar os números na ponta do lápis. Então, preparamos uma simulação que pode te ajudar.

Vamos supor que a sua família encontrou um imóvel no valor de R$ 400 mil e que vocês vão dar uma entrada de 20% — o valor de entrada que os bancos costumam exigir. A taxa anual de juros do financiamento é de 7,75% ao ano.

Neste caso, no prazo de 30 anos, vocês teriam uma parcela de R$ 2.232 pela Tabela Price, um dos métodos mais comuns de amortização de financiamento. Nessas condições, no final das contas, o imóvel de R$ 400 mil custaria, no total, R$ 803.520 com o financiamento.

Agora vamos supor que, em vez disso, vocês optaram por alugar um imóvel de R$ 1.200 e investir o valor que tinham para a entrada. Então, colocaram esse dinheiro em uma opção de investimento conservadora, que oferece 5% de rentabilidade ao ano e todo mês também investiriam a diferença entre a parcela do financiamento (R$ 2.232) e o valor que se pagaria no aluguel (R$ 1.200) – ou seja, R$ 1.032. Fazendo os cálculos, vocês teriam R$ 400 mil em mais ou menos 14 anos.

Então, o financiamento é de todo ruim?

Com esses exemplos, mostramos que o aluguel pode ser mais vantajoso em relação ao financiamento em algumas situações. No entanto, há casos em que o consumidor consegue dar uma entrada maior para um financiamento, o que reduz os juros e pode deixar essa opção mais interessante.

Existem, ainda, alguns pontos em relação ao aluguel que não são levados em consideração. Muitos inquilinos fazem melhorias nos imóveis e não são ressarcidos por isso. Nesse sentido, a casa própria garante que os reparos feitos valorizarão o bem e trarão mais retorno.

O aluguel pode permitir que o consumidor junte o valor do imóvel à vista mais rápido que o prazo do financiamento, mas esse cálculo não leva em conta que, até lá, o preço da casa ou apartamento não será mais o mesmo. Por isso, dependendo do cenário, o financiamento pode ser mais vantajoso que o aluguel.

Em linhas gerais, é preciso avaliar caso a caso com cautela para decidir qual é realmente a melhor opção para a sua família. E, no caso do financiamento do imóvel, uma coisa é certa: quanto menores forem os juros envolvidos na operação, melhor será a oferta de crédito.

Para definir as taxas que serão aplicadas em um financiamento, as instituições financeiras costumam avaliar o perfil de crédito do consumidor e o seu score, ou seja, a sua pontuação de crédito. Quanto melhor for essa pontuação, maiores serão as chances de aprovação do crédito — e com melhores condições de pagamento.

Leia também | Qual score é bom para financiamento?

Para fechar, mais uma dica: antes de contratar um financiamento ou qualquer outra linha de crédito, utilize um simulador de empréstimo. Assim, você terá uma noção do valor total do crédito e será mais fácil avaliar se a proposta recebida é realmente interessante.