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Como funciona a multa por atraso de aluguel

A Lei do Inquilinato não fixa um percentual de multa. É o contrato, dentro dos limites aceitos pela Justiça, que define o custo do atraso.

Atualizado em: 16 de outubro de 2026

Categoria Consultar ScoreTempo de leitura: 21 minutos

Texto de: Time Serasa

Contrato de assinatura do homem de negócios com chaves nele

Um imprevisto no orçamento pode empurrar o pagamento do aluguel para depois do vencimento, e a primeira dúvida é quanto isso vai custar. A multa por atraso de aluguel é a penalidade prevista no contrato de locação para quem paga depois da data combinada. Ela é cobrada junto com os juros de mora e, quando o contrato prevê, com a correção monetária do valor.

Decisões judiciais consideram válida a multa de 10% sobre o aluguel quando ela está no contrato. O limite de 2% do Código de Defesa do Consumidor (CDC, art. 52, §1º) não vale para a locação de imóveis. Já os juros de mora seguem a taxa do contrato e aumentam a cada dia de atraso.


Assista | Não assine um contrato de aluguel antes de ver isso!

Há um valor padrão estipulado para multa por atraso de aluguel?

Não. A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/1991) não define um percentual, e o valor da multa é o que locador e inquilino combinaram no contrato. O que a legislação e os tribunais estabelecem são limites para essa cobrança, explicados mais adiante.

A conta envolve duas cobranças com regras diferentes, a multa de mora e os juros de mora, como mostra a tabela.


Multa de mora Juros de mora
Como é calculadaPercentual fixo sobre o aluguel em atrasoPercentual proporcional ao tempo de atraso
Quando incideUma vez, a partir do dia seguinte ao vencimentoA cada dia em que o valor fica em aberto
De onde vemCláusula do contrato de locaçãoTaxa do contrato; sem taxa no contrato, taxa legal do Código Civil (art. 406)
Muda com o tempo?NãoSim, cresce enquanto o aluguel não é pago

Os exemplos a seguir consideram um aluguel de R$ 1.000 pago com um mês de atraso. O contrato prevê multa de 10% e juros de mora de 1% ao mês.


Cálculo dos juros moratórios

Os juros de mora do exemplo são aplicados sobre o valor do aluguel. Para um mês de atraso, a conta fica assim:

  • ● juros = valor do aluguel x taxa de juros;
  • ● juros = R$ 1.000 x 0,01;
  • ● juros = R$ 10.

Cálculo do valor da multa

A multa é calculada uma única vez sobre o aluguel em atraso, com o percentual previsto no contrato:

  • ● multa = valor do aluguel x percentual da multa;
  • ● multa = R$ 1.000 x 0,10;
  • ● multa = R$ 100.

Soma do valor dos juros moratórios com o valor da multa

  • ● encargos = juros + multa;
  • ● encargos = R$ 10 + R$ 100;
  • ● encargos = R$ 110.


Com um mês de atraso, o inquilino do exemplo paga R$ 1.110, ou seja, o aluguel de R$ 1.000 mais R$ 110 de encargos. Se o contrato prever correção monetária, o índice do período também entra na conta. Pode ser, por exemplo, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) ou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Quando o contrato não indica um índice, o Código Civil manda aplicar o IPCA (art. 389).

Quando o atraso se estende por vários meses, cada aluguel vencido recebe a própria multa, cobrada uma vez sobre aquele mês. Os juros, calculados de forma simples neste exemplo, somam 1% por mês sobre cada aluguel em aberto. Um aluguel atrasado há cinco meses acumula 5% de juros (R$ 50), além da multa de R$ 100.


Como calcular multa de atraso de aluguel quando o atraso é de poucos dias

Quando o pagamento atrasa poucos dias, a multa continua integral, mas os juros são proporcionais aos dias de atraso. No exemplo abaixo, o aluguel de R$ 1.500 vence no dia 10 e é pago no dia 20. O contrato prevê multa de 10% e juros de mora de 1% ao mês.

  1. Multa: R$ 1.500 x 10% = R$ 150.

  2. Juros por dia: 1% ao mês dividido por 30 dias, cerca de 0,033% ao dia.

  3. Juros dos 10 dias: R$ 1.500 x (1% ÷ 30) x 10 = R$ 5.

  4. Total a pagar: R$ 1.500 + R$ 150 + R$ 5 = R$ 1.655

O exemplo usa juros simples e o mês comercial de 30 dias. Se o contrato definir outra forma de cálculo, é ela que vale.


Passo a passo para o inquilino não ser cobrado indevidamente

Conferir a cobrança antes de pagar ajuda a identificar valores que não estão no contrato.

  1. Leia o contrato e anote a data de vencimento, o percentual da multa, a taxa de juros de mora e o índice de correção.

  2. Calcule a multa e os juros com base nesses percentuais e nos dias de atraso, como no exemplo acima.

  3. Compare o resultado com o boleto ou a cobrança recebida. Se houver percentuais acima do contrato, peça a memória de cálculo e entenda como identificar juros abusivos.

  4. Fale com a imobiliária ou com o locador antes do próximo vencimento para combinar a forma de pagamento.

  5. Peça recibo discriminado do valor pago, um direito previsto no art. 22, VI, da Lei do Inquilinato.

  6. Acompanhe o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e o Serasa Score até a quitação, para confirmar que não há negativação ligada ao aluguel.

A imobiliária pode cobrar multa de 10% ou 20% por atraso de aluguel?

A multa de 10% pode ser cobrada se estiver no contrato. Já a multa de 20% pode ser contestada na Justiça. Há decisões que aplicam o art. 9º da Lei de Usura (Decreto 22.626/1933), segundo o qual a cláusula penal não pode passar de 10% da dívida.

Além disso, o art. 413 do Código Civil permite que o juiz reduza a penalidade quando o valor for manifestamente excessivo. Por isso, um percentual acima de 10% fica sujeito a questionamento, mesmo quando está no contrato assinado. Como os tribunais têm entendimentos diferentes sobre o tema, a orientação de um advogado ou da Defensoria Pública ajuda a avaliar cada caso.


A Lei do Inquilinato e os limites legais impostos aos locadores

Mesmo sem fixar o valor da multa, a Lei do Inquilinato traz regras que limitam o que o locador pode exigir do inquilino:

  • ● cobrar quantia além do aluguel e dos encargos permitidos é contravenção penal (art. 43, I);
  • ● o aluguel não pode ser cobrado antecipadamente, salvo na locação sem garantia e na locação para temporada (arts. 20 e 42);
  • ● o locador deve fornecer recibo discriminado dos valores pagos, sem quitação genérica (art. 22, VI).


Código de Defesa do Consumidor e aluguel
O limite de 2% para a multa de mora previsto no CDC vale para relações de consumo. Para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o CDC não se aplica aos contratos de locação regidos pela Lei do Inquilinato. Por isso, a multa do aluguel segue o contrato e os limites da Lei de Usura e do Código Civil.


A partir de que momento começa a multa?

A multa pode ser cobrada a partir do dia seguinte ao vencimento previsto no contrato. O pagamento feito até o vencimento não gera multa. A partir do dia seguinte, a multa prevista no contrato já pode ser cobrada, uma vez sobre cada aluguel em atraso.

O contrato de aluguel é o documento que estabelece as regras da relação entre locador e locatário. Ler as cláusulas de multa, juros e vencimento antes de assinar evita surpresas na primeira cobrança em atraso.


O que acontece se atrasar o aluguel 10 dias?

Com 10 dias de atraso, o inquilino já deve a multa do contrato, os juros de mora desses dias e a correção monetária, quando prevista. A Lei do Inquilinato não fixa um número mínimo de dias de atraso para que o locador tome outras medidas. Entre elas, o locador pode:

  • ● cobrar o valor do inquilino e, se houver, do fiador;
  • ● pedir a inclusão da dívida no cadastro de inadimplentes, o que negativa o CPF depois de um comunicado prévio ao consumidor;
  • ● levar a dívida a protesto em cartório;
  • ● entrar com ação de despejo por falta de pagamento (art. 9º, III, da Lei do Inquilinato).

Resolver o atraso nos primeiros dias limita os juros acumulados e reduz o risco dessas medidas.


Quando começa a ação de despejo?

A ação de despejo por falta de pagamento pode ser proposta logo após o vencimento não pago, sem prazo mínimo de atraso. O artigo 59 da Lei do Inquilinato define o rito da ação e os casos de liminar para desocupação em 15 dias. Na falta de pagamento, essa liminar é possível quando o contrato não tem garantia, como fiador, caução ou seguro-fiança. O locador também precisa prestar caução de três meses de aluguel.

Mesmo com a ação em andamento, o inquilino e o fiador podem evitar a rescisão. Para isso, depositam em juízo o débito atualizado em até 15 dias contados da citação (art. 62, II). O valor inclui aluguéis vencidos, multas, juros de mora, custas e honorários do advogado do locador, de 10% se o contrato não fixar outro percentual. Esse direito não vale para quem já o usou nos 24 meses anteriores à ação.

Se a ação for julgada procedente, o prazo para desocupação voluntária nos casos de falta de pagamento é de 15 dias (art. 63, §1º). Além da falta de pagamento, a locação também pode ser desfeita por infração legal ou contratual, como sublocar o imóvel sem autorização do locador.


Leia também | Como funciona uma ação de despejo por falta de pagamento? Entenda!


Como renegociar o valor?

A renegociação é feita diretamente com a imobiliária ou com o proprietário do imóvel. Quanto antes ela acontece, menor é o valor de juros acumulado. O artigo 18 da Lei do Inquilinato permite que as partes combinem um novo valor de aluguel e mudem a cláusula de reajuste.

Na conversa com a imobiliária ou o locador, algumas propostas podem facilitar o acordo:

  • ● avisar sobre o atraso antes do vencimento ou logo no primeiro dia, com a data provável de pagamento;
  • ● propor o parcelamento do valor em atraso junto com os próximos aluguéis;
  • ● pedir a redução da multa em troca do pagamento imediato do aluguel e dos juros;
  • ● registrar o acordo por escrito, com valores, datas e forma de pagamento.

Antes de pagar o acordo, convém confirmar se a conta ou a chave Pix é do locador ou da imobiliária, pois existem casos de golpe do aluguel.

Depois do acordo, reorganizar o orçamento ajuda a manter os próximos aluguéis em dia. Separar as contas fixas e variáveis mostra quanto da renda já está comprometido todo mês. O hábito de organizar a vida financeira também facilita priorizar a moradia entre as despesas.


Multa por atraso de aluguel afeta o score?

A multa por atraso de aluguel pode afetar a pontuação de crédito se o atraso levar à negativação da dívida. Isso acontece quando o locador ou a imobiliária pede a inclusão do CPF no cadastro de inadimplentes.

A pontuação de crédito calculada pela Serasa é o Serasa Score, e cada birô de crédito tem o próprio método. No Serasa Score, os fatores e seus pesos são:

  • ● hábitos de pagamento (29%);
  • ● experiência e relacionamento com o crédito (24%);
  • ● dívidas (21%);
  • ● busca por crédito (12%);
  • ● informações cadastrais (8%);
  • ● contratos (6%).

Ter uma pontuação baixa pode dificultar a obtenção de crédito, a aprovação em financiamentos imobiliários e até mesmo o aluguel de imóveis.


Como a inadimplência no aluguel pode dificultar um futuro financiamento

Na análise de um financiamento imobiliário, a instituição financeira consulta o histórico de crédito do CPF. Uma negativação ativa tende a pesar contra o pedido. Cada instituição tem critérios próprios, que podem ou não incluir o Serasa Score, e a decisão final é sempre dela.

Depois de quitada, a dívida do aluguel deixa de afetar negativamente a pontuação. Pela Súmula 548 do STJ, cabe ao credor excluir o registro do cadastro de inadimplentes em até cinco dias úteis após o pagamento integral. O histórico de crédito também entra na avaliação de um novo contrato de locação.


Leia também | O que as imobiliárias consultam na análise de crédito para alugar?


Monitore ativamente a sua pontuação de crédito com o Serasa Score

Acompanhar o Serasa Score permite conferir se alguma dívida, inclusive a do aluguel, foi negativada e quais fatores influenciam a pontuação. O cadastro na plataforma da Serasa é gratuito.


  1. Entre com CPF e senha. Se ainda não tiver cadastro, é só criar um de forma gratuita.

  2. Na tela inicial, procure a seção do Serasa Score e clique sobre a pontuação para conferir mais detalhes.

  3. Pronto! Agora é possível acompanhar a pontuação e entender os fatores que podem influenciar o Serasa Score.

Por que a declaração de adimplência condominial é importante para o inquilino?

A declaração de adimplência condominial mostra se a unidade alugada tem débitos com o condomínio. Para o inquilino, ela ajuda a separar o que é responsabilidade dele do que cabe ao proprietário.

Pela Lei do Inquilinato, o inquilino paga as despesas ordinárias de condomínio, como limpeza e manutenção das áreas comuns (art. 23, XII). O proprietário arca com as extraordinárias, como obras estruturais e fundo de reserva (art. 22, X). Rateios de saldo devedor de períodos anteriores ao início da locação também não podem ser cobrados do inquilino (art. 23, §1º, h).

Se o proprietário deixar de pagar a parte que cabe a ele, a dívida fica ligada ao próprio imóvel. Pelo Código Civil (art. 1.345), quem adquire a unidade responde pelos débitos do antigo dono com o condomínio. Pedir a declaração antes de assinar o contrato, e de tempos em tempos durante a locação, dá mais segurança a quem mora no imóvel.


O Serasa Score é uma das principais pontuações de crédito do mercado e reflete o histórico financeiro do consumidor. Quanto maior a pontuação, maior são as chances de conseguir um empréstimo, financiamento ou cartão de crédito.

Celular mostrando a carteira digital Serasa

Perguntas frequentes sobre multa por atraso de aluguel

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