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Juros rotativos: o que são e como funciona o teto de juros

Saiba o que são os juros rotativos, como funciona o teto que limita o quanto a dívida pode crescer e como comparar essa opção com parcelamento e empréstimo.

Atualizado em: 19 de agosto de 2026

Categoria Carteira DigitalTempo de leitura: 7 minutos

Texto de: Time Serasa

Vista lateral da seção intermediária de uma mulher irreconhecível pagando por relógio inteligente via NFC seu pedido em uma loja ou café

O crédito rotativo do cartão é uma modalidade ativada automaticamente quando o consumidor deixa de pagar o valor total da fatura até a data de vencimento. Os juros rotativos, portanto, representam a cobrança sobre essa dívida enquanto ela não é quitada.

Esses juros são conhecidos por serem altos, mas desde 2024 existe um teto legal que limita o quanto essa dívida pode crescer.

Neste artigo, entenda o que são e como funcionam os juros rotativos. Veja também como calcular o valor da dívida e como comparar essa opção com parcelamento e empréstimo antes de decidir o que fazer.

Assista | Juros rotativos: o que são e como evitar?

O que são juros rotativos do cartão de crédito

Juros rotativos são cobrados quando um usuário de cartão de crédito não paga o valor total da fatura até a data de vencimento. O exemplo mais conhecido é pagar apenas o valor mínimo, mas o rotativo é acionado sempre que qualquer quantia menor que o valor integral é paga.

A diferença entre o valor total e o que foi pago se transforma em uma dívida com juros. No mês seguinte, o consumidor paga a fatura atual somada a esse valor pendente, já com juros, multa e impostos.

Esses juros são altos porque a dívida não tem garantia de pagamento. Eles chegaram ao fim de 2025 na média de 438% ao ano, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central do Brasil.

Como funcionam os juros rotativos

Desde 2017, uma normativa do Banco Central estabelece que o rotativo só pode ser usado até o vencimento da fatura seguinte do cartão, uma média de 30 dias.

Se o cliente não pagar o valor total da fatura até essa data, o saldo devedor do período anterior, somado a juros e outros encargos, deve ser obrigatoriamente financiado pelo banco por meio de outra linha de crédito, como o parcelamento do cartão. Esse financiamento precisa ocorrer em condições sempre mais vantajosas que as do crédito rotativo.

Leia também | Parcelar a fatura do cartão de crédito: quando vale a pena

Qual é o teto de juros do rotativo e do parcelamento da fatura?

Desde janeiro de 2024, o rotativo e o parcelamento da fatura têm um teto legal, definido pela Lei do Desenrola Brasil: os juros e encargos cobrados não podem superar 100% do valor original da dívida, o chamado principal.

Isso significa que, sobre uma dívida original de R$ 500, os juros e encargos cobrados não podem ultrapassar R$ 500. Não significa, porém, que o valor total a pagar fica limitado a R$ 1.000: outros componentes, como o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), ficam de fora desse teto e podem se somar ao valor final.

A regra vale para débitos contraídos a partir de janeiro de 2024.

Leia também | Crédito rotativo: entenda como funciona e quais os riscos

Como calcular os juros rotativos?

Veja um exemplo hipotético de como o teto de juros funciona:

Marina tem uma fatura de R$ 1.000 e paga apenas o valor mínimo de R$ 200. A diferença de R$ 800 entra no rotativo e passa a sofrer a cobrança de juros.

Pelo teto legal, os juros e encargos cobrados sobre esses R$ 800 não podem ultrapassar R$ 800, ou seja, mesmo no cenário mais caro possível, a dívida do rotativo não passa de R$ 1.600 (R$ 800 do valor original mais até R$ 800 de juros e encargos).

Depois de 30 dias, se a dívida do rotativo não for quitada, o banco é obrigado a transferir esse valor para o parcelamento da fatura, com condições melhores que as do rotativo. Esse novo financiamento tem seu próprio teto de 100% sobre o valor que foi parcelado, não sobre a dívida original do rotativo.

Qual é a diferença entre rotativo e parcelamento da fatura?

O rotativo e o parcelamento da fatura são etapas diferentes do mesmo problema: não pagar a fatura por completo.

O rotativo é a primeira etapa, automática e de curto prazo. Dura no máximo até o vencimento da fatura seguinte, cerca de 30 dias. Nesse período, os juros incidem apenas sobre a diferença entre o que era devido e o que foi pago.

O parcelamento da fatura entra depois, caso a dívida do rotativo não seja quitada nesse prazo. Nesse caso, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento em condições melhores que as do rotativo, com prazos mais longos e juros geralmente menores, embora ainda mais altos que os de outras linhas de crédito.

O cartão não é bloqueado durante o parcelamento. Ele continua funcionando normalmente, mas o valor parcelado fica reservado do limite e só é liberado aos poucos, conforme cada parcela é paga. Assim, o consumidor pode seguir usando o cartão, desde que ainda tenha limite disponível para isso.

Em resumo: o rotativo é automático e dura pouco tempo. O parcelamento é a saída seguinte, com prazo maior e juros mais baixos que os do crédito rotativo, mas ainda relevantes.

Saiba mais | Parcelar fatura do cartão crédito: quando vale a pena?

Como comparar o rotativo com outras opções de crédito?

Antes de deixar a dívida cair no rotativo, vale comparar o custo de cada alternativa disponível. O Custo Efetivo Total (CET) reúne juros, tarifas e outros encargos numa única taxa, o que facilita comparar opções diferentes de forma justa.

Veja como as principais alternativas costumam se comparar:

Opção CET aproximado Prazo Parcela
Rotativo Muito alto Até 30 dias Não há parcela fixa; a dívida cresce até o teto legal
Parcelamento AltoAlguns meses a 2 anos Fixa, definida no momento da contratação
Empréstimo pessoal Geralmente mais baixo Meses a alguns anos Fixa, negociada com a instituição

O rotativo tende a ser a opção mais cara entre as três, mesmo com o teto legal em vigor. Comparar o CET de cada alternativa antes de decidir costuma resultar numa dívida mais barata no fim das contas.

Leia também | Como comparar empréstimos e escolher o melhor?

Como fugir dos juros rotativos

Para não cair no crédito rotativo, o essencial é manter o controle sobre as finanças. É importante saber que o valor liberado no limite do cartão não reflete necessariamente a capacidade de pagamento do consumidor.

Por isso, usar o cartão de crédito com responsabilidade é importante. Confira as dicas abaixo:

Pague o cartão de crédito em dia

Acompanhe sempre a data de pagamento da fatura. Marque na agenda, use alertas no celular ou, se possível, programe o pagamento para débito automático em conta.

Acompanhe a fatura ao longo do mês

Verifique os gastos do cartão várias vezes ao longo do mês. Isso ajuda a ter consciência do uso do crédito e prever o valor da fatura.

Estabeleça um limite pessoal

O limite oferecido pelo banco não precisa ser o seu limite de uso. Defina um valor máximo mensal que caiba no orçamento.

Controle as compras parceladas

Alguns cartões permitem parcelar compras em até 12 vezes sem juros, mas esse recurso pede cautela: vários parcelamentos longos ao mesmo tempo podem comprometer a renda por bastante tempo.

Encontre o cartão certo para o seu perfil

Um cartão compatível com o seu uso evita custos desnecessários, como pagar anuidade por um cartão básico que você mal utiliza.

Leia também | Juros: o que são, quais os tipos e como calcular

Opções para quitar a fatura e não entrar no crédito rotativo

Ao perceber que não será possível pagar a fatura total do cartão, vale procurar outras opções de crédito com juros menores que os do rotativo. Para isso:

  • ● Confira na fatura qual é a taxa de juros do rotativo.
  • ● Simule opções de empréstimo com o valor necessário no Serasa Crédito.
  • ● Compare as opções e contrate a mais vantajosa para quitar a fatura do cartão.

O crédito rotativo é uma solução emergencial, então não deve ser usado com frequência.

Não paguei o crédito rotativo: o que pode acontecer?

Se o cliente entrar no crédito rotativo, não conseguir pagar a dívida no fechamento da fatura seguinte e recusar o parcelamento oferecido pelo banco, o nome pode ser negativado. Isso significa ter o nome inscrito em um cadastro de inadimplentes, o que dificulta o acesso a outras modalidades de crédito até que a dívida seja negociada.

Leia também | Como negociar dívida de cartão em 3 minutos

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Perguntas frequentes sobre juros rotativos

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