Guia de proteção contra fraudes financeiras
Quatro a cada 10 brasileiros já foram vítimas de golpe. Saiba como identificar as abordagens e se proteger.
Saber como identificar tentativas de fraude é uma parte imprescindível da própria educação financeira. Tão importante como organizar o orçamento, sair das dívidas ou investir em aplicações.
Se décadas atrás era preciso estar atento para não ser roubado ou enganado na rua, em um banco ou em uma loja, hoje a proteção ganhou uma camada mais complexa. É necessário estar alerta mesmo dentro de casa.
A maioria dos criminosos acessa as vítimas por mensagens, abordagens telefônicas e roubo de dados. A melhor defesa é identificar os tipos de golpe e saber como se proteger de fraudes financeiras.
Capítulo 1 – O panorama da fraude no Brasil
Os números deixam claro que as fraudes financeiras são uma questão de segurança de grandes dimensões – e não casos isolados que afetariam apenas pessoas ingênuas.
De acordo com a pesquisa Observatório Febraban, da Federação Brasileira de Bancos, divulgada em julho de 2025, 39% dos entrevistados afirmam ter sido vítima de golpe ou de uma tentativa. São quase quatro a cada 10 brasileiros.
O avanço da tecnologia reconfigurou a forma de organização do crime. Com a adaptação dos criminosos ao meio virtual, os crimes de estelionato (que enganam as vítimas por meio de fraudes) crescem a cada ano e já ultrapassam os casos de roubo, que estão diminuindo, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025.
Os números da crise
De 2018 a 2024, os crimes virtuais cresceram 408%.
Calcula-se que ocorram 4 golpes por minuto no Brasil.
Em 2024 foram registrados 2,17 milhões de casos de estelionato, contra 745.000 roubos.
O estado com maior registro de fraudes é São Paulo, com 1.744 golpes a cada 100 mil pessoas.
Fonte: dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2025.
Quem são as vítimas?
É preciso rever o senso comum que julga as fraudes financeiras como um risco só para pessoas idosas ou em situação de vulnerabilidade. Acreditar que o seu perfil não faz parte da estatística pode deixar você desprotegido por desatenção.
Hoje há golpes para todas as idades, classes sociais e níveis de instrução. O que muda é a forma da abordagem e o grau de sofisticação dos crimes. É possível sofrer um golpe por meio de engenharia social, vazamento de dados, investindo em pirâmides financeiras ou apenas clicando em um link malicioso, entre inúmeras outras maneiras.
Uma pesquisa sobre letramento financeiro realizada pelo Banco Central em 2023 revelou dados importantes sobre o perfil das vítimas:
Mais pessoas com renda acima de cinco salários-mínimos declararam ter sido vítimas de golpes do que pessoas com renda abaixo de dois salários-mínimos.
Clientes que utilizam mais produtos financeiros caem em golpes e fraudes com maior frequência do que as pessoas com menor variedade de produtos financeiros.
Residentes das regiões Sudeste e Centro-Oeste e de áreas urbanas têm mais probabilidade de sofrerem uma fraude.
Mais homens foram vítimas de golpes do que mulheres.
Capítulo 2 – A mente do golpista: a psicologia da engenharia social
A engenharia social é uma das técnicas mais aplicadas nas fraudes financeiras e usa táticas para manipular o comportamento humano. Esses golpes se aproveitam da falta de conhecimento do usuário (enviando links falsos, por exemplo) ou podem conquistar a confiança da vítima em uma abordagem mais direta.
Diferentemente de um roubo de dados feito por um hacker sem que você perceba, as fraudes de engenharia social focam na interação com a vítima e exploram as vulnerabilidades humanas.
O ciclo de um ataque de engenharia social - Usar exemplos do dia a dia
De forma geral, uma fraude que envolve este tipo de técnica é armada seguindo estes passos:
Investigação: reunião de dados sobre a vítima em potencial e análise de brechas de segurança. Essas informações são captadas principalmente através dos vazamentos de dados e das redes sociais.
Relacionamento: o criminoso aborda a vítima (em geral apresentando um cenário falso) e consegue estabelecer uma relação de confiança, mesmo que em poucos minutos de uma chamada telefônica, por exemplo. Essa prática é muito usada em aplicativos de relacionamento.
Exploração: depois de conquistada a confiança, o fraudador aplica o golpe de fato. Pode levar a vítima a compartilhar informações pessoais, a clicar em um link falso ou até a ligar para uma falsa central.
Desvinculação: após conseguir a ação desejada, o criminoso encerra o contato com a vítima.
As armas de persuasão
Criminosos que usam técnicas de engenharia social aplicam táticas de manipulação emocional. Fique alerta ao identificar a indução aos seguintes comportamentos:
Necessidade de fazer uma ação com urgência.
Sentimento de culpa.
Empolgação para aproveitar uma oportunidade imperdível.
Sensação de intimidade com o atendente.
Mensagem recebida provoca medo.
Capítulo 3 – Os golpes mais comuns e como identificá-los
De acordo com a 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban, a principal modalidade de golpe ou tentativa sofrida pelos brasileiros em junho de 2025 foi a clonagem de cartão. Esta fraude foi citada por 45% dos entrevistados.
Confira os principais golpes aplicados:
Fonte: dados da 17ª pesquisa Observatório Febraban, realizada em junho de 2025. Foram entrevistadas 3.000 pessoas.
Outros dados divulgados pela Febraban, baseados nas fraudes mais comunicadas por clientes aos bancos, revelaram que em 2024 o campeão de denúncias foi o golpe do WhatsApp.
Conheça a seguir como funcionam os golpes mais citados por entrevistados e clientes bancários, e aprenda a identificá-los:
A falsa central de atendimento
Um dos mais conhecidos: o fraudador identifica-se como funcionário do banco e solicita dados pessoais. Pode pedir também transferências para regularizar supostos problemas na conta. É importante lembrar que os bancos nunca pedem senhas ou depósitos por telefone. Se desconfiar que uma ligação é golpe, desligue imediatamente e ligue para o seu banco usando os números oficiais de atendimento.
Golpe do Pix
Um dos golpes mais recentes é o do Pix errado. Os fraudadores enviam um Pix para a vítima e mandam uma mensagem dizendo que a transferência foi enviada por engano, pedindo a devolução do dinheiro para uma conta diferente. Paralelamente, o golpista aciona o Mecanismo Especial de Devolução (MED), dizendo ter sofrido um golpe. O criminoso recebe então o valor duas vezes: o da devolução do banco e a transferência da vítima.
Para evitar cair nesta fraude, use sempre a função de Devolução do Pix no app do seu banco se tiver recebido um valor indevido. Nunca transfira para uma terceira conta.
Golpe do WhatsApp
Há vários tipos de fraudes por meio do WhatsApp, mas o mais comum é a clonagem de perfil. O fraudador se passa por uma pessoa conhecida da sua lista de contatos, avisa que trocou de número e que está precisando de dinheiro. Ao receber uma mensagem desse tipo, sempre entre em contato com o número original da pessoa para checar se o pedido é verdadeiro.
Falso motoboy
Um suposto funcionário do banco liga avisando que o cartão da vítima foi clonado e precisa ser cortado ao meio. Por segurança, um motoboy passaria para buscar o cartão para perícia. Como o chip permanece intacto, os criminosos conseguem usar o cartão da vítima.
Mão fantasma
Também conhecido como golpe do acesso remoto, o criminoso entra em contato com a vítima alegando que a sua conta bancária está em risco. A orientação é baixar um aplicativo para solucionar o problema. Mas, com a instalação do software, o fraudador acaba tendo acesso a todos os dados do celular.
Phishing
A chamada pescaria digital pode ser aplicada pelas redes sociais, como Instagram e WhatsApp, ou por e-mail ou SMS. Consiste em enviar mensagens com um link suspeito, buscando obter dados pessoais das vítimas. Na dúvida, nunca clique em links recebidos por mensagens.
Falso empréstimo consignado
Um suposto funcionário de banco liga oferecendo empréstimo consignado com condições vantajosas, mas solicita um adiantamento. As vítimas são principalmente pessoas idosas. É importante lembrar que nenhum tipo de empréstimo exige pagamento antecipado.
Falsa venda
Sites falsos de venda enviam promoções tentadoras por e-mail, SMS e mensagens de WhatsApp. A vítima faz o pagamento da compra, mas nunca receberá o produto. Certifique-se sempre de fazer suas compras online em lojas confiáveis.
Clonagem de cartão
Normalmente este golpe começa a partir do vazamento de dados do seu cartão de crédito, o que pode ocorrer ao fazer pagamentos em sites inseguros. Os criminosos começam então a realizar compras usando os dados do cartão da vítima.
Dois outros golpes comuns envolvendo cartão são: a troca de cartões durante uma compra em loja física e o golpe skimming (conhecido popularmente como chupa-cabra), do qual é instalado um aparelho idêntico ao do leitor de cartão no caixa eletrônico e assim que a vítima inserir o cartão ali, todos os dados são clonados, principalmente a senha. Para evitar isso, o ideal é nunca entregar o seu cartão a outra pessoa na hora do pagamento e prestar atenção nas condições físicas do teclado e do leitor de cartão sempre que for usar algum caixa eletrônico.
Falso investimento
Criminosos identificam-se como especialistas financeiros e entram em contato com a vítima por meio de mensagens, oferecendo propostas de investimentos com bons retornos e ganhos rápidos. Para convencer a vítima a investir dinheiro, compartilham várias informações da suposta empresa e emitem contratos falsos.
A nova fronteira do engano: golpes com deepfake
Como o avanço da inteligência artificial (IA), é preciso ficar alerta aos golpes que aplicam deepfake: uma tecnologia que distorce a realidade e permite criar vídeos realistas reproduzindo a voz e a imagens de pessoas. Imagens essas, muitas vezes, retiradas de perfis comuns invadidos e que são usadas para aplicação de golpes.
Outras formas de fraude com deepfake é o uso de imagens de figuras famosas recomendando a compra de produtos fictícios.
Capítulo 4 – Como se proteger de golpes e fraudes financeiras
Já vimos que ninguém está livre de um golpe digital, mas há ferramentas e ações que podem proteger os seus dados e o seu CPF. Outra forma de prevenção é saber identificar armadilhas e reconhecer sinais de fraude.
Saiba como se proteger de fraudes na internet e construir uma fortaleza digital:
Tenha senhas fortes
A segurança digital começa na escolha de boas senhas. Uma senha forte geralmente é mais longa e usa números, símbolos e letras maiúsculas e minúsculas. Nunca use palavras simples, datas de aniversário ou sequência de números.
É importante ainda atualizar as senhas periodicamente, e não repetir a mesma em todos os cadastros.
Use a autenticação de dois fatores
Também chamada de verificação de duas etapas, é um processo de segurança que exige duas confirmações diferentes para fazer login em um endereço. A camada extra de segurança evita a clonagem de contas e o roubo de identidade, e pode ser usada em ambientes virtuais como e-mail, WhatsApp, banco e até na conta gov.br.
Saiba identificar comunicações falsas
É preciso criar um radar antiphishing, ou seja, estar alerta para mensagens falsas com links que direcionam a vítima para sites fraudulentos ou instalam programas maliciosos. Estas armadilhas podem chegar por e-mail, WhatsApp ou até SMS.
Desconfie sempre de mensagens em tons de urgência, com promoções exageradas, erros gramaticais ou domínios que imitam os originais (um e-mail @gov-br.com em vez de @gov.br, por exemplo). Na dúvida, não clique em nada e busque um canal oficial da instituição para checar a veracidade da mensagem.
Proteja seu smartphone
● Algumas medidas trarão mais proteção aos seus dados pessoais no caso de furto ou perda do celular:
● Use sempre um bloqueio de tela que exija a inserção de senha para acessar o celular.
● Ative a identificação biométrica, seja facial ou digital, para acessar o aparelho e aplicativos (se o seu modelo permitir).
Oculte os aplicativos de bancos da tela inicial.
● Baixe aplicativos somente pelas lojas oficiais dos sistemas Android (Play Store) e iOS (Apple Store).
● Conheça o IMEI, o código de 15 dígitos que identifica o seu celular. Com este número, a operadora pode bloquear o aparelho para redes móveis no caso de furto ou roubo.
● Use a função bloqueio remoto, que permite bloquear a tela do celular a partir de outro dispositivo. Nos aparelhos Android, esta opção precisa ser configurada previamente.
● Use o aplicativo Celular Seguro, criado pelo Governo para proteção de dados, em caso de roubos ou furtos.
Faça compras online com segurança
● Nunca faça uma compra a partir de um link ou da ferramenta de busca. Digite o endereço completo da loja em uma nova aba ou abra o aplicativo oficial.
● Desconfie de promoções exageradas e de preços muito abaixo do mercado.
● Confira se a loja virtual tem um CNPJ cadastrado no site da Receita Federal.
● Ao comprar pelo site, confira se o portal é seguro: ele precisa conter as letras “https” no início da URL e deve aparecer um cadeado na barra de endereços do navegador.
● Se for pagar no Pix, cheque se o nome do beneficiário corresponde ao nome da loja, e desconfie se aparecer o nome de uma pessoa física.
● Se for pagar com cartão de crédito, evite inserir os dados do seu cartão físico e dê preferência ao cartão virtual.
Evite as redes Wi-Fi públicas
O mais seguro é não fazer login em redes públicas, que podem expor seu celular a invasores cibernéticos. Se o uso de conexão for necessário, evite acessar redes sociais, fazer transações financeiras ou baixar arquivos. Desconecte-se do Wi-Fi logo após o uso.
Use o Validador de Boletos da Serasa
Se você fez um acordo de dívida com a Serasa e está em dúvida sobre a veracidade da proposta, use a ferramenta Validador de Boletos e Chave Pix da Serasa. Ela permite verificar gratuitamente se um boleto ou uma chave Pix pertence, de fato, a uma proposta da plataforma Serasa Limpa Nome.
Como proteger meu CPF de fraudes
O uso indevido do seu CPF pode permitir que criminosos abram contas ou façam compras no seu nome. Além de evitar compartilhar seus dados em sites inseguros, é possível usar ferramentas que atuam diretamente na proteção ao CPF.
Serasa Premium
Este é um serviço de assinatura da Serasa que monitora 24 horas por dia o CPF e o CNPJ do assinante. Ele alerta sempre que o CPF ou o CNPJ for consultado, se seus dados vazarem na dark web ou quando houver variações no Serasa Score. A assinatura do Serasa Premium pode ser contratada no site ou aplicativo da Serasa (Android e iOS).
Proteja seu CPF
Esta é uma ferramenta da Receita Federal que impede a criação de vínculos empresariais no nome de vítimas. Para ativar a proteção, é necessário acessar o sistema Redesim e logar com a conta gov.br.
Bloqueio de CPF no Banco Central
A previsão é que esta ferramenta funcione a partir de 1º de dezembro de 2025. O cidadão que não deseja abrir novas contas bancárias em breve pode deixar seu CPF “travado” no site do Banco Central. Isso irá impedir que golpistas abram contas usando os dados pessoais vazados.
Capítulo 5 – Fui vítima de um golpe. E agora?
Não se sinta culpado, cada vez mais pessoas passam por essa situação, infelizmente. O mais importante, neste momento, é manter a calma e agir logo após identificar a fraude.
Conheça as principais medidas a serem tomadas:
Contate a instituição financeira
Se você foi vítima de roubo de dados financeiros, avise o seu banco o quanto antes e bloqueie a sua conta e os seus cartões. Lembre-se de usar sempre os canais oficiais para falar com a instituição.
Acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix
Se a fraude envolveu o pagamento de Pix para criminosos, você pode acionar esta ferramenta criada pelo Banco Central para casos de golpes. No app do seu banco, abra uma contestação de Pix em até 80 dias depois da transferência. O valor será bloqueado na conta suspeita e o caso será analisado pelas instituições.
Registre um boletim de ocorrência (B.O.)
É importante fazer um boletim de ocorrência em uma delegacia virtual ou presencial, para formalizar a denúncia. O BO pode ajudar na recuperação do dinheiro e na abertura de uma ação judicial, se for o caso. O ideal é anexar a ele documentos, comprovantes e conversas que possam comprovar o golpe.
Acesse os órgãos de defesa do consumidor
Dependendo da natureza do golpe, também é possível fazer reclamações junto a órgãos de defesa:
● Procon – O órgão do seu estado pode dar suporte em questões relacionadas a direitos do consumidor.
● Banco Central – Registre uma reclamação se houver falha de atendimento por parte dos bancos.
● Consumidor.gov.br – A plataforma não é uma ferramenta de denúncia de golpes, mas pode ser usada para reclamações sobre empresas que não ajudaram na resolução da fraude.
Denuncie na Serasa
Se você foi vítima de um golpe ou de uma tentativa de fraude digital envolvendo o nome da Serasa, registre a sua denúncia no Canal de Denúncias da Serasa, ou solicite um atendimento sobre seu caso na Central do SOS Golpe.
Capítulo 6 – Protegendo os seus: um olhar atento para jovens e pessoas idosas
Apesar de os crimes virtuais fazerem vítimas de qualquer idade, os fraudadores encontram mais espaço para explorar abordagens em pessoas mais jovens ou mais idosas. Em uma publicação do Jornal da USP (Universidade de São Paulo), a psicóloga Leila Tardivo, do Instituto de Psicologia da USP, afirma que as pessoas idosas, adolescentes e até mesmo as que vivem sós são mais vulneráveis a golpes virtuais.
Os jovens podem se tornar vítimas pela pouca experiência, falta de educação financeira e até excesso de confiança nas interações virtuais. Já as pessoas idosas costumam estar menos familiarizadas com a tecnologia e com a evolução dos tipos de golpe.
Conversar com pessoas dessas faixas etárias sobre as ameaças virtuais é indispensável para a redução de casos.
Formas de proteger os adolescentes
Use controles parentais nos dispositivos e aplicativos.
Acompanhe as movimentações da conta bancária do seu filho.
Oriente sobre os tipos de golpe e as abordagens online.
Comece o diálogo sobre educação financeira desde criança.
Cuidados com as pessoas idosas
Instrua a pessoa sobre os riscos de compartilhar informações pessoais.
Explique o que é deepfake e mostre exemplos.
Peça que a pessoa confirme com filhos, netos ou cuidadores antes de fazer um pagamento.
Ative recursos de segurança no celular da pessoa idosa, como verificação em dois fatores e limitação de valores de transferência bancária.
Procure garantir a presença de uma pessoa de confiança na hora de fazer as tarefas bancárias digitais.
Impacto emocional dos golpes
O prejuízo de uma fraude não é apenas financeiro. As vítimas também passam por sofrimento psíquico depois de sofrer um golpe, e podem ter a autoestima e a confiança abaladas.
De acordo com dados de uma pesquisa norte-americana, revelados pela organização Investor Education Foundation (FINRA), após a fraude 50% das pessoas sofrem estresse severo, 44% têm quadros de ansiedade, 38% ficam com dificuldades para dormir e 35% enfrentam depressão.
Capítulo 7 – O futuro e as ferramentas de proteção
O melhor investimento antifraude é a constante vigilância e a educação financeira. O letramento passa pelo conhecimento dos dispositivos bancários, das formas de golpe e das ferramentas de proteção.
As táticas fraudulentas estão em constante aperfeiçoamento, e se desenvolvem paralelamente ao avanço da tecnologia. Governo e instituições do setor privado criaram, nos últimos anos, estratégias para fazer frente a este aumento:
As instituições financeiras poderão, a partir de agora, bloquear transações suspeitas e encerrar contas em nome de “laranjas”.
Em 2025 foi lançada a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais, uma parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Febraban, para desenvolver novos protocolos de segurança e repressão a golpes.
O crime de estelionato digital teve as penas aumentadas em 2021 no artigo 171 do Código Penal.
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) entrou em vigor em 2020, estabelecendo regras para o armazenamento e compartilhamento de dados pessoais.
Foram disponibilizadas novas ferramentas e aplicativos oficiais para monitorar o CPF e manter o celular seguro em caso de roubo ou furto.
IA do crime x IA dos bancos
Enquanto os criminosos têm usado as ferramentas da inteligência artificial para criar golpes mais sofisticados, as instituições financeiras investem na mesma tecnologia.
Bancos já têm começado a aplicar a IA para automatizar a detecção de golpes e fortalecer a segurança, mas a implementação desse tipo de tecnologia é complexa em um ambiente tão controlado. A federação de bancos admite que esta batalha, por enquanto, é assimétrica, e que os criminosos ainda levam vantagem no uso da inteligência artificial.
Conteúdo assinado por: Bárbara Pessoa
Economista, planejadora financeira e associada da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), com atuação especializada em educação financeira comportamental e prevenção de fraudes. Referência em comportamento financeiro, integra conhecimentos técnicos e científicos para orientar pessoas na tomada de decisões mais seguras, estratégicas e livres de vulnerabilidades.
Conteúdo assinado por: Bárbara Pessoa
Economista, planejadora financeira e associada da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), com atuação especializada em educação financeira comportamental e prevenção de fraudes. Referência em comportamento financeiro, integra conhecimentos técnicos e científicos para orientar pessoas na tomada de decisões mais seguras, estratégicas e livres de vulnerabilidades.