Nathalia Arcuri
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No mundo das finanças, o conceito de independência financeira é a obtenção de recursos suficientes para não precisar mais trabalhar. Mas esta expressão dentro do contexto social e de gênero tem outra complexidade.
Quando se fala em independência financeira feminina, se trata de poder tomar decisões nas finanças (e na vida) com autonomia, sem depender de parceiros ou familiares. Para as mulheres, essa independência pode representar a liberdade de escolha – desde como viver a com quem se relacionar. Em alguns casos, também é sinônimo de proteção.
Conheça os principais desafios das mulheres para conquistar esta autonomia e confira dicas para alavancar a vida financeira.
Uma pesquisa feita em fevereiro de 2026 pela Serasa, em parceria com o Instituto de Pesquisa Opinion Box, revelou que 34% das mulheres são as únicas responsáveis por manter a família financeiramente. O peso desta carga fica ainda maior entre as classes D e E, em que 45% das mulheres mantêm todos os gastos da casa.
Apesar desta responsabilidade financeira, as oportunidades não estão equilibradas. Para 76% das entrevistadas, a igualdade de gênero no mercado de trabalho ainda é um desafio, apesar de já apresentar progressos importantes.
As mulheres também herdaram uma dificuldade extra na conquista da independência: os cuidados com a casa e com a família, que culturalmente foram atribuídos ao feminino. É comum encontrar profissionais com jornada tripla: o trabalho remunerado, as tarefas domésticas e o cuidado de familiares.
É preciso romper as velhas crenças de quem ainda acredita que finanças não é um tema feminino. Cuidar da vida financeira é uma necessidade do mundo dos adultos – de todos eles.
“O dinheiro é um tema democrático, universal, e todo mundo precisa lidar. Felizmente, estamos nos libertando desses mitos de que mulheres não sabem ou não podem lidar com números e que este é um assunto exclusivamente masculino”, aponta a psicóloga Valéria Meirelles, especialista em Psicologia do Dinheiro.
Apesar de a pesquisa da Serasa, em parceria com o Opinion Box, ter revelado que 39% das entrevistadas acreditam não entender sobre finanças, a maior parte das mulheres se sente confiante quanto ao tema.
Na pesquisa conduzida pela Serasa, em parceria com o Opinion Box, as mulheres citaram dois grandes desafios na vida financeira: a dificuldade em conseguir crédito e o endividamento, ambos empatados em 33%.
Dificuldade de crédito e endividamento são fatores relacionados entre si (afinal, quem está devendo não consegue crédito facilmente) e podem travar as finanças por anos. O acesso a empréstimos e financiamentos, quando usados com consciência e estratégia, poderia ajudar a uma família a dar saltos na qualidade de vida.
Esse cenário não muda do dia para a noite, mas com organização é possível pagar as dívidas aos poucos e recuperar o nome no mercado. A Serasa tem ferramentas próprias para ajudar nestes dois maiores desafios da vida financeira feminina.
A inadimplência é um fator em comum para muitas mulheres. De acordo com a pesquisa da Serasa com o Opinion Box, quase metade das entrevistadas estão com dívidas:
A maior parte destas dívidas (68%) foram contraídas no cartão de crédito, mas engana-se quem pensa que a inadimplência é fruto de compras impulsivas – esse motivo foi citado apenas em nono lugar pelas entrevistadas.
As mulheres estão endividadas, principalmente, por dificuldade com a organização financeira, desemprego e por terem emprestado o nome a uma outra pessoa. Antes dos gastos por impulso aparecem também as compras de medicamentos e mantimentos.
Mapeie todas as dívidas e escolha qual começar a pagar.
Organize os gastos do mês e identifique possíveis desperdícios.
Corte gastos supérfluos e economize no que for possível.
Faça acordos de dívida com desconto, em plataformas como o Serasa Limpa Nome.
Fique alerta para as divulgações de Feirões do Serasa Limpa Nome. Nestes períodos, os descontos podem ser ainda maiores.
Busque opções de renda extra.
Importante! Caso não saiba o PIN, entre em contato com a operadora ou consulte os documentos do plano de telefonia. Não tente adivinhar os números, isso vai bloquear o aparelho.
Ao acessar a plataforma da Serasa, gratuitamente, é possível conferir se há uma oferta de negociação disponível para a sua dívida. Em alguns casos, o débito pode ser quitado com até 90% de desconto, e não é preciso ter todo o dinheiro disponível na hora: existe a opção de parcelamento.
Quando um acordo de dívida negativada é pago no Pix, o Serasa Score pode aumentar automaticamente. O processo pode ser feito online em até três minutos, confira:
Uma das consequências do endividamento é a dificuldade em acessar o crédito. Os dados da pesquisa da Serasa, em parceria com o Opinion Box, confirmam: 86% das mulheres já recorreram a crédito ou algum tipo de empréstimo e 74% já tiveram algum pedido de crédito negado. As razões para esta necessidade são para cobrir despesas inesperadas (27%), dívida de cartão de crédito (24%) e até para pagar contas básicas (22%), como água e luz.
Vale lembrar que o uso do crédito sem estratégia ou para bancar as contas do mês pode se transformar em dívidas que só irão crescer mês a mês. Entretanto, quando aplicado com consciência, pode ser um impulso para construir patrimônio ou investir em um negócio próprio.
Cuide do seu Serasa Score
O Serasa Score é uma pontuação que indica para o mercado quais as chances de uma pessoa pagar as contas em dia. Quanto mais alto, maior a probabilidade de conseguir crédito. Confira gratuitamente qual o seu score e confira dicas de como melhorar a pontuação no Blog da Serasa.
Limpe o seu nome
Quem está negativado tem mais dificuldade em conseguir crédito ou boas taxas de negociação. Para as empresas, emprestar dinheiro para quem já está inadimplente representa um risco.
Pague as contas sempre em dia
Quem paga as faturas sem atraso constrói um bom Cadastro Positivo, que é um dos marcadores usados pelo mercado para avaliar o histórico de pagamento dos clientes.
Use crédito com moderação
Quanto mais crédito uma pessoa solicita, mais difícil fica conseguir um novo empréstimo ou financiamento. Isso vale até para as simulações: quando em excesso, o mercado interpreta como necessidade urgente de dinheiro.
A falta de organização financeira é apontada pelas mulheres como a principal razão do endividamento (31%), como levantou a pesquisa da Serasa em parceria com o Opinion Box. Portanto, é importante atacar o problema pela raiz.
A boa notícia é que hoje há diversas ferramentas a favor do planejamento das finanças, e a organização que agora parece difícil se transforma em um hábito com o tempo.
Controle de gastos mensais
Esta etapa é essencial. Mapeie todos os gastos do mês, dos grandes boletos às pequenas compras (se tiver dívidas, faça uma lista delas também) e compare com a renda mensal disponível. Crie o hábito de anotar estas informações em uma planilha – a Serasa tem uma tabela financeira que pode ser baixada gratuitamente.
Identifique gastos desnecessários
Ao mapear todos os gastos, fica mais fácil identificar possíveis ralos de dinheiro e custos que podem ser cortados – a meta é gastar menos do que se ganha. Cancele, por exemplo, assinaturas de streamings pouco usados, desinstale o aplicativo de delivery do celular e cozinhe mais em casa.
Revise tarifas e cobranças
Outra forma de economizar um pouco por mês é checar as atuais tarifas bancárias e anuidades de cartão. Alguns bancos oferecem manutenção gratuita de conta e cartões sem anuidade. Além disso, é possível renegociar valores e pacotes com as operadoras de internet e telefonia.
Não perca o dia do vencimento das faturas
Evite fazer dívidas por esquecimento. Os gastos básicos, como os custos com habitação, precisam ser prioridade no orçamento. Por isso, a sugestão é colocar estas contas do débito automático ou usar aplicativos que emitem alertas de pagamento.
Cuidado com o cartão de crédito
Um dos grandes erros é considerar o limite do cartão como uma extensão do salário. Para fazer um controle dos gastos, defina um valor máximo de uso mensal do crédito e não deixe as informações do cartão salvas em lojas virtuais. Isso cria uma barreira extra e pode evitar compras impulsivas.
Crie uma reserva financeira
Com o dinheiro que passar a sobrar no fim do mês, comece a construir uma reserva de emergência (se as dívidas já estiverem pagas). É este “colchão” que vai representar a segurança de que não será preciso se endividar caso aconteça algum imprevisto. O ideal é juntar em uma reserva o equivalente a seis meses do custo de vida, e deixá-la em um investimento seguro e que possa ser sacado a qualquer momento (alta liquidez) – como o Tesouro Selic, por exemplo.
Tenha metas financeiras
Visualizar o futuro irá impulsionar a sua vontade de manter o controle em dia. A primeira meta pode ser limpar o nome ou juntar a reserva que trará mais tranquilidade para a vida financeira. Depois, dá para começar a sonhar: guardar e investir dinheiro para fazer uma viagem, comprar um carro ou até conquistar a casa própria.
No app da Serasa (Android e iOS) você usa a função Minhas Contas, recebe alertas de vencimento e nunca mais atrasa um boleto, protegendo seu Serasa Score e seu acesso ao crédito. A ferramenta é gratuita e ajuda a organizar as contas em um só lugar.
Depois de quitar as contas e começar a fazer o dinheiro sobrar, este é o próximo passo a caminho da independência financeira feminina.
É possível investir com pouco e começar de forma conservadora. O importante é não deixar o dinheiro desvalorizar. Apesar da poupança ser uma aplicação de baixíssimo risco, há outras formas mais rentáveis e bastante seguras de investimento.
Estude sobre investimentos
Hoje tem muito material de qualidade e gratuito à disposição. Selecione alguns produtores de conteúdo com credibilidade e acompanhe as explicações no YouTube e nas redes sociais, sem pressa. O importante é ir se familiarizando com o tema.
Escolha emissores confiáveis
Desconfie de bancos que oferecem uma taxa de rentabilidade muito acima do mercado. Além disso, antes de fazer negócio com uma instituição financeira ou uma corretora de valores, confira se ela está registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Pague-se primeiro
O hábito de investir um pouco por mês precisa ser fortalecido. Por isso, a orientação é fazer dessa meta uma prioridade e separar o valor do investimento assim que o salário cair na conta. Não espere sobrar dinheiro no fim do mês.
Comece pela renda fixa
A sugestão dos especialistas para quem está iniciando é começar pelos investimentos em renda fixa, que são mais seguros. Neste caso, as aplicações têm uma rentabilidade mais previsível, que pode estar definida previamente (prefixada) ou determinada por um indicador econômico (pós-fixada). Exemplos de renda fixa são os títulos públicos do Tesouro Direto e títulos bancários como CDB e letras de crédito.
Diversifique
Todo investimento, por mais seguro que seja, representa algum risco. Por isso, o importante é investir em mais de um tipo, mesmo que seja dentro da carteira de renda fixa. Diversifique bancos emissores, datas de vencimento e tipos de rentabilidade.
Conte com apoio profissional
Mesmo que o estudo sobre o tema seja fundamental, é importante contar com orientação profissional no começo. Bancos e corretoras costumam oferecer assessorias de investimentos.
Quase um terço das mulheres entrevistadas pela Serasa, em parceria com o Opinion Box, é empreendedora ou autônoma (27%). Esta é a alternativa encontrada por quem deseja trabalhar com mais liberdade de horários, tem o sonho do negócio próprio, precisa de uma fonte de renda ou está com dificuldade de conseguir um emprego formal.
De acordo com o Sebrae, o número de mulheres empreendedoras tem aumentado significativamente nos últimos anos. Entre 2012 e 2024 houve um crescimento de cerca de 42%, e a maior parte atua no setor de serviços. Entretanto, os dados ainda apontam para desequilíbrios: são 10,4 milhões de mulheres de um total de 30,4 milhões empreendedores. E mesmo com escolaridade maior que os homens, as donas de negócio ganham 24,4% menos do que eles.
Outra informação chama a atenção para a importância do fortalecimento feminino no empreendedorismo: mais da metade (52,3%) das donas de negócio são chefes de domicílio, ou seja, mulheres provedoras do lar.
Quando um consumidor contrata os serviços ou adquire produtos de uma empreendedora, ele está diretamente fortalecendo a independência financeira feminina e contribuindo para a diminuição da desigualdade de gênero.
Se for preciso escolher entre um produto de uma grande rede ou de uma empreendedora, compre de uma mulher.
Gestão de mídias sociais.
Edição de vídeos.
Criação de peças de design gráfico.
Venda de produtos dentro de plataformas de e-commerce.
Revenda de produtos cosméticos.
Serviços como corte de cabelo ou manicure.
Cuidar ou passear com pets.
Preparo de doces sob encomenda.
Cuidar de idosos em fins de semana.
Babá de crianças por algumas horas.
Venda de roupas ou móveis usados que estão sem uso.
Promotora de eventos.
Serviços de limpeza ou organização.
Não é possível falar de independência feminina sem abordar o que pode ser considerado o seu oposto: a violência patrimonial contra a mulher.
Esta é uma forma de violência doméstica, descrita na Lei Maria da Penha. De acordo com a legislação, é caracterizada pela retenção, subtração ou destruição de bens, instrumentos de trabalho, documentos, recursos econômicos ou valores da vítima. Ocorre, por exemplo, quando o parceiro ou parceira impede a mulher de trabalhar, nega dinheiro para coisas básicas, faz dívidas no nome dela ou deixa de pagar a pensão acordada após o divórcio.
A dinâmica normalmente exerce controle sobre a mulher, impedindo que ela tenha liberdade para terminar o relacionamento ou como forma de punição pelo fim. A violência patrimonial é crime e deve ser denunciada: procure uma Delegacia da Mulher ou uma delegacia de polícia para registrar um boletim de ocorrência.
Este número é um serviço público de proteção às mulheres. O canal orienta sobre leis, direitos e serviços da rede de atendimento. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
O movimento que uma mulher faz nunca é isolado. A sua mudança de comportamento com as finanças pode irradiar como exemplo para as mulheres ao redor – filhas, mães, amigas. A conquista da independência financeira feminina atual certamente deixará um caminho aberto para que as meninas de hoje sejam adultas com mais liberdade.
É a criadora do Me Poupe! no YouTube e da plataforma de mesmo nome, com oferta de cursos e conteúdos sobre educação financeira. Dica: assine o Serasa Premium e tenha acesso aos cursos de finanças do Me Poupe!, sem custo adicional!
Esta é a marca da Nathália Rodrigues de Oliveira, youtuber focada em educação financeira para pessoas de baixa renda. O site Nath Finanças traz conteúdo gratuito e também oferece planos de assinaturas.
Sócia-fundadora da Nord Investimentos, é analista em renda fixa e autora do livro Renda fixa não é fixa.
Criadora do programa Grana Preta, produz conteúdo especializado em emancipação econômica para micro e pequenos empreendedores.
O Serasa Ensina é o canal da Serasa no YouTube, criado para descomplicar a educação financeira por meio de conteúdos atualizados toda semana. Os vídeos te ajudam a cuidar do seu dinheiro, negociar dívidas, proteger-se contra fraudes, aumentar seu Serasa Score, economizar na rotina, organizar as finanças e muito mais!
Conteúdo assinado por: Roberta Veras Antonio
Educadora financeira, empreendedora com 39 anos de experiência em varejo e gestão e criadora do Método Despertar Financeiro. Natural do Norte do Brasil, esteve à frente de negócios como O Boticário, Chlorophylla e Braccialetto. Hoje, dedica-se a orientar pessoas na organização das finanças, no fortalecimento da autonomia e na construção de uma independência financeira sustentável.
Educadora financeira, empreendedora com 39 anos de experiência em varejo e gestão e criadora do Método Despertar Financeiro. Natural do Norte do Brasil, esteve à frente de negócios como O Boticário, Chlorophylla e Braccialetto. Hoje, dedica-se a orientar pessoas na organização das finanças, no fortalecimento da autonomia e na construção de uma independência financeira sustentável.